domingo, 11 de maio de 2008
Queridas leitoras,
Muito obrigada pelos e-mails, comentários no blog (eu leio todos eles..rsrs), pelos elogios, pelos parabéns, pelas pequenas "broncas" de terminar os capítulos no "momento errado", por alguns capítulos terem sido curtos..rsrs... Obrigada pelo carinho de vocês! É muito gratificante saber que o meu tempo dispendido no ato de escrever um conto foi merecidamente recompensado. É um prazer escrever e compartilhar um conto com vocês.
Para quem é mãe... desejo um Feliz Dia das Mães, seja de filhos humanos, caninos ou felinos. Eu, por exemplo, sou mãe de oito belos gatos! rsrs
Tenham um belo domingo
e um beijo para vocês
Gatafield
PS: Poxa, que pena... acabou!!!
Muito obrigada pelos e-mails, comentários no blog (eu leio todos eles..rsrs), pelos elogios, pelos parabéns, pelas pequenas "broncas" de terminar os capítulos no "momento errado", por alguns capítulos terem sido curtos..rsrs... Obrigada pelo carinho de vocês! É muito gratificante saber que o meu tempo dispendido no ato de escrever um conto foi merecidamente recompensado. É um prazer escrever e compartilhar um conto com vocês.
Para quem é mãe... desejo um Feliz Dia das Mães, seja de filhos humanos, caninos ou felinos. Eu, por exemplo, sou mãe de oito belos gatos! rsrs
Tenham um belo domingo
e um beijo para vocês
Gatafield
PS: Poxa, que pena... acabou!!!
40 - O eterno enigma das rosas
Cláudia estava linda atrás de um imenso buquê de rosas vermelhas, igual ao que eu recebia do tal admirador. E tinha mais um embrulho em suas mãos.
- Boa noite, Roberta. Cláudia falou presenteando-me com um sorriso lindo.
- Boa noite, Cláudia. Falei encantada pelo seu sorriso.
- Para você. Disse-me estendendo o buquê.
- Obrigada. São lindas. Falei pegando o buquê. – Desculpe... Entre, por favor. Falei dando passagem para ela entrar.
Entramos e fui pegar um vaso para colocá-las.
- Não vai ler o cartão? Cláudia perguntou-me.
- Claro. Peguei-o e abri. Fiquei de boca aberta. Estava escrito: “Minha princesinha, você é uma linda mulher. Com todo o meu amor. Acompanhados com doces beijos de chocolate. Cláudia.”
Olhei para ela sem acreditar. As iniciais “MP” significavam “minha princesinha”. Pensei. Nunca tinha pensado nessa hipótese.
- Sempre foi você. Afirmei sorrindo.
- Sim, sempre. Respondeu sorrindo de forma cativante. – Ah, este também é para você. Disse-me estendendo o embrulho que estava em suas mãos.
Só de olhar já desconfiava o que seria. Peguei e o desembrulhei. Era o que eu imaginava. Nhá Benta. Minha perdição em chocolate. Olhei para ela e não resisti, atirei-me em seus braços. Nos abraçamos. Eu estava com uma vontade imensa de beijá-la. Resolvi conter-me, pois primeiro eu precisava saber o que tinha acontecido em São Paulo.
- Obrigada, Cláudia.
- Se você não fosse tão cabeça dura teria descoberto ontem mesmo. Ela falou-me sorrindo.
- Ontem? O que eu recusei? Perguntei arregalando os olhos.
- Sim.
- Poxa, como eu ia saber. Lamentei dando-lhe um sorriso. – Mas pelo menos acabou com a curiosidade insaciável da Magali. Eu acho. Não resistimos e caímos numa gargalhada gostosa.
- Já imaginou você tendo que dizer para ela quem é o “seu” admirador secreto.
- Vixe, Cláudia. Acho que Magali iria cair dura ao saber disso. Rimos mais ainda.
Eu estava com a caixa de Nhá Benta em minhas mãos. Abri-a.
- Aceita uma? Ofereci a ela.
- Hummm... Antes do jantar? Perguntou-me sorrindo.
- É mais gostoso comermos a sobremesa antes. Falei fazendo cara de sapeca.
- Assim fica irresistível. Hummm... Aceito. Cláudia disse e pegou uma. Peguei uma também.
Observei-a fazendo o furinho com os dentes. Tinha ensinado-a no passado a degustar o chocolate dessa forma. Sorri comigo mesma.
- Por que você está sorrindo? Ela perguntou olhando-me.
- É que você nunca esqueceu o jeito que eu lhe ensinei a comer Nhá Benta.
- Ah, mas com uma professora desta como eu esqueceria? Falou sorrindo e me olhou firmemente.
Perdi-me em seu olhar. Sentia-me hipnotizada por ele. Sorrimos cúmplices. Voltei a minha atenção para o chocolate. Parecíamos duas crianças devorando o doce preferido. Depois de saborearmos essa delícia de pecado, fomos ao restaurante jantar. Cláudia tinha feito as reservas. Sentamo-nos à mesa e fomos prontamente atendidas. Conversávamos sobre diversas coisas. Tinha curiosidade sobre o que aconteceu em São Paulo e o porquê dela ter ido para lá, mas não queria perguntar. Queria que ela falasse por vontade dela. Nosso pedido chegou e fomos servidas. Cláudia demonstrava estar feliz. Falava quase sem parar e ria muito. Estava divertindo-me muito na companhia dela.
Tão jovem apaixonei-me por ela, mas não foi possível ficarmos juntas. Não era para ser naquela época. Depois conheci Cristina, que foi uma companheira formidável em minha vida, um período maravilhoso que vivemos juntas. Era alguém que eu amei e que sempre lembrarei com todo amor e carinho. Se não fosse o destino ser cruel, estaríamos juntas até hoje. Mas esse mesmo destino, que é cruel às vezes, colocou-me novamente Cláudia em minha vida, dando-me a oportunidade de tentarmos construir algo, quem sabe uma vida em conjunto, compartilhando nossos sonhos, nossas alegrias, nossas tristezas também. Estarmos sempre lado a lado. Juntas, para o que der e vier. Era isso o que eu queria viver com Cláudia. E era o que eu esperava que ela quisesse também. Ela era a mulher que eu amava.
- Ainda bem que consegui fazer com que Antonia entendesse que não tínhamos mais nada. Cláudia falou sorrindo para mim.
- Que bom que tudo se resolveu. Mas por que você precisou ir para São Paulo? A curiosidade por essa resposta me deixava agoniada.
- Bom, eu tinha que retornar para lá mesmo, tinha um assunto do banco que demandava a minha presença e eu iria provavelmente nesta semana ou no máximo semana que vem. Daí resolvi unir o útil ao não tão agradável, ou seja, a companhia de Antonia. Eu queria ter a certeza de que ela fosse embora daqui e que não ficasse azucrinando a minha vida, por isso fui com ela. Foi melhor, resolvi o assunto do banco e resolvi de vez minha situação com ela. Tivemos uma longa conversa e desta vez ela entendeu que não temos mais nada.
Ela terminou de falar e eu estava encarando-a com um sorriso imenso.
- Então agora você está disponível? Perguntei brincando.
- Epa! Eu sempre estive disponível. Cláudia falou rindo.
- Folgo em saber, dona Cláudia. Disse e encarei-a com um olhar apaixonado. Ficamos presas uma no olhar da outra. Cláudia deu-me um sorriso lindo.
Continuamos conversando sobre várias coisas, mas nossos olhares não se desgrudavam e promessas de amor silenciosas passeavam neles. Meu coração estava plenamente feliz. Sentia-me como há muito não me sentia. Leve e feliz.
Acertamos a conta, Cláudia queria pagar toda ela e não deixei. Eita mulher cabeça dura, achava que tinha que pagar tudo. Saímos do restaurante igual a duas crianças felizes, rindo à toa.
Chegamos ao meu prédio e Cláudia deu a entender que já iria embora. Ah, mas de jeito nenhum!
- Vamos subir, Cláudia. Convidei-a.
- Não, Roberta. Fica para a próxima.
- Ah, não! Você vai subir sim, nem que seja só para tomar uma bebidinha. Você disse na última vez que na próxima subiria. Tá me devendo uma visita.
- Tá bom. Eu aceito a bebida. Cláudia disse sorrindo.
- Oba! Então vamos.
Saímos do carro e subimos ao meu apartamento. Abri a porta e pedi que Cláudia entrasse primeiro. Ela entrou, entrei também e fechei a porta. No instante seguinte virei-me e a prensei na parede.
- Roberta? Cláudia falou surpresa.
- É sim. Falei encarando-a com meus olhos famintos de amor.
- Sim? O quê?
- SIM. É a minha resposta. Falei aproximando-se de seu pescoço, cheirando-o e beijando-o em seguida. Ouvi Cláudia soltar um gemido.
- Resposta? Cláudia perguntou ofegante.
Parei de beijar seu pescoço e encarei-a. Dei um imenso sorriso.
- Você não perguntou se eu queria namorar com você? Vai fugir da raia agora? Perguntei, minhas mãos passeavam pelo seu corpo delicioso, provocando-a.
- Fugir da raia? Nunca! Quem eu mais quero nessa vida é você. Cláudia disse e abraçou-me. Tomou minha boca num beijo ardente, cheio de paixão. Nossas línguas se enroscavam, assim como nossos corpos queriam ser um só.
Desvencilhamo-nos das nossas roupas. Ansiávamos pelo contato de nossas peles. Nossas respirações se misturavam. Nossos gemidos ecoavam pela sala. Deitamos no sofá. Cláudia deitou por cima de mim. Cobriu com sua boca cada pedacinho do meu corpo, provocando-me ao extremo. Beijava-me, lambia-me, às vezes, mordiscava-me. Eu estava encharcada, meu sexo estava intumescido e pulsava forte. Nossos olhos se encontravam e estavam inflamados de desejo, de amor. Então ela penetrou-me com seus dedos, movimentando-os deliciosamente em mim. Nossos corpos entrelaçados e suados queriam se fundir num só. Nossas respirações misturadas. Nossos olhares presos um no outro, se desgrudavam somente para nos beijarmos. Gemidos. A sala foi tomada por uma sucessão de gemidos. Meus e dela. Eles se confundiam. O movimento de sua mão tornou-se mais intenso, meu corpo começou a contorcer-se cada vez mais e mais eu rebolava, até sentir-me explodir num gozo pleno, completo e intenso. Senti-me ser transportada para outra dimensão. Fui recobrando minhas forças. Saí do sofá e a puxei para o quarto. Empurrei Cláudia na cama e deitei sobre ela. Eu queria amá-la por inteiro, sentir cada milímetro de sua pele cheirosa e macia. Sentir seu gosto novamente, pois precisava alimentar meu vício. Tomei posse de seu corpo, provoquei-a com minha boca, com minha língua, com minhas mãos, até o momento em que a senti tremer toda, oferecendo-me seu gozo para bebê-lo. Amamo-nos noite adentro, até que saciadas adormecêssemos.
-------------------------------------------------------
Acordei satisfeita e feliz. Muito feliz. Estava namorando Roberta de novo. Com o episódio do aparecimento repentino de Antonia achei que Roberta nunca mais quisesse falar comigo. Resolvi de última hora ir para São Paulo, precisava despachar Antonia logo. Entrei em parafuso quando ligava para Roberta e seu celular estava desligado, cheguei a imaginar que ela tivesse feito de propósito. E quando liguei para sua casa e não atendeu, nesse momento tive certeza de que ela não me queira mais em sua vida. Eu não podia entregar os pontos assim, eu precisava ouvir da sua boca que ela não queria mais nada comigo. Liguei para o trabalho e disseram-me que ela não estava. Fiquei extremamente triste e pedi que dissessem a ela que eu ligaria à noite para sua casa. Tive medo de que ela não atendesse. O desespero tomava conta de mim. Ter Roberta tão perto de mim para logo em seguida perdê-la dessa maneira tão boba sangrava meu coração. Doía demais. Resolvi por fim ao mistério das rosas. Assumi a autoria do envio dos buquês, cuja idéia tive depois da minha primeira conversa com Henrique, quando soube que ela não queria mais amar ninguém. Queria com essa atitude semear a vontade dela em se interessar por alguém de novo. Amolecer seu coração para um novo amor. Gostava de ver a reação dela ao recebê-las. Fazia questão de perguntar como estava se sentindo ao ser cobiçada por alguém. Quando liguei para sua casa e ela atendeu, senti renascer a minha esperança. Convidei-a para jantar e ela aceitou, fiquei extremamente feliz. No jantar sentia uma energia nova cada vez que nossos olhares se prendiam um no outro. Eu sentia amor, pois era o mesmo olhar que ela dava-me quando namoramos da primeira vez. Ao chegar em seu apartamento, não quis subir para não pressioná-la a nada, pois ela tinha pedido-me um tempo para pensar e eu estava respeitando este tempo. Não queria forçá-la a nada, mas conseguiu convencer-me a subir. Quando ela colocou-me contra a parede e disse “sim”, meu coração parecia ter parado de bater, tamanha emoção que eu estava sentindo. Não queria acreditar que era a resposta ao meu pedido. Delirei quando ela confirmou que era. Era tudo o que eu queria nessa vida. Tê-la de novo ao meu lado. Eu amava essa pequena.
Fiquei observando-a dormir. Meu Deus, ela era insaciável. Era uma delícia de mulher. Eu a amava. Muito. Não queria só passar uma estação com ela. Queria passar a vida toda. Ela completava-me. Senti meu estômago roncar. Fome. Eu estava com muita fome. Ri. Levantei-me e fui nua mesmo para a cozinha e preparei um belo desjejum. Até que não foi difícil encontrar tudo o que eu precisava. Preparei a mesa e voltei ao quarto para acordar minha princesinha. Ela ainda dormia. A minha menina linda de belos olhos azuis estava de volta em minha vida. Aproximei-me dela, ela estava de bruços. Fui beijando suas costas expostas, sua pele macia e cheirosa.
- Acorde, minha princesa.
- Hummm...
- Acorde, vamos tomar café. Vamos.
Roberta se virou e abraçou-me.
- Bom dia, meu amor. Fitou meus olhos e falou. – Eu te amo! Deu um lindo sorriso.
Meu coração se aqueceu ao ouvir a sua declaração.
- Eu também te amo, Roberta. Te amo tanto.
Beijamos-nos e senti meu corpo se acender.
- Calma, minha princesa. Dei uma gargalhada. – Vamos comer primeiro que eu estou com uma fome de leão.
Roberta insinuou-se embaixo de mim.
- Roberta! Disse e levantei-me rapidamente. – Vamos comer, vamos. Chamei e estendi-lhe a mão.
- Ai, Cláudia. Tanta coisa mais interessante para fazer.
- Ah, dona Roberta. Temos que reabastecer nossas energias, certo?
- Ok, ok. Vamos comer, mas com uma condição.
- Hummm... Qual condição?
- Depois tomarmos um banho juntas e... Roberta fez suspense e riu.
- E o quê?
- E voltarmos para essa cama.
- Uauuu... Você quer acabar comigo, hein. Falei rindo.
E assim fizemos. Passamos o dia na cama nos amando, matando as saudades que tínhamos uma da outra, sem pressa, saboreando cada segundo que estávamos uma ao lado da outra.
As festas de final de ano chegaram e passamos juntas tanto o natal quanto o ano novo. Os primeiros de muitos que estavam por vir.
--------------------------------------------------------------
Anos depois...
Só conseguimos ficar duas semanas morando separadas. Resolvemos morar juntas o quanto antes. Decidimos morar no apartamento de Cláudia e o meu deixamos para alugar. Já estávamos juntas há seis anos vivendo nossa vida de casadas. Eu estava super feliz. Não sei quanto tempo nos seria dado para ficarmos juntas, mas não me preocupava com isso. O que aprendi era que só importava o presente. O momento que “aqui e agora” vivemos. E este momento deveria ser vivido com toda a intensidade que ele merecia. Só assim poderíamos ser plenamente felizes. Só assim poderíamos fazer o outro e a nós mesmo felizes. Eu e Cláudia nos amávamos. Só isso importava. Só o amor importava.
FIM.
- Boa noite, Roberta. Cláudia falou presenteando-me com um sorriso lindo.
- Boa noite, Cláudia. Falei encantada pelo seu sorriso.
- Para você. Disse-me estendendo o buquê.
- Obrigada. São lindas. Falei pegando o buquê. – Desculpe... Entre, por favor. Falei dando passagem para ela entrar.
Entramos e fui pegar um vaso para colocá-las.
- Não vai ler o cartão? Cláudia perguntou-me.
- Claro. Peguei-o e abri. Fiquei de boca aberta. Estava escrito: “Minha princesinha, você é uma linda mulher. Com todo o meu amor. Acompanhados com doces beijos de chocolate. Cláudia.”
Olhei para ela sem acreditar. As iniciais “MP” significavam “minha princesinha”. Pensei. Nunca tinha pensado nessa hipótese.
- Sempre foi você. Afirmei sorrindo.
- Sim, sempre. Respondeu sorrindo de forma cativante. – Ah, este também é para você. Disse-me estendendo o embrulho que estava em suas mãos.
Só de olhar já desconfiava o que seria. Peguei e o desembrulhei. Era o que eu imaginava. Nhá Benta. Minha perdição em chocolate. Olhei para ela e não resisti, atirei-me em seus braços. Nos abraçamos. Eu estava com uma vontade imensa de beijá-la. Resolvi conter-me, pois primeiro eu precisava saber o que tinha acontecido em São Paulo.
- Obrigada, Cláudia.
- Se você não fosse tão cabeça dura teria descoberto ontem mesmo. Ela falou-me sorrindo.
- Ontem? O que eu recusei? Perguntei arregalando os olhos.
- Sim.
- Poxa, como eu ia saber. Lamentei dando-lhe um sorriso. – Mas pelo menos acabou com a curiosidade insaciável da Magali. Eu acho. Não resistimos e caímos numa gargalhada gostosa.
- Já imaginou você tendo que dizer para ela quem é o “seu” admirador secreto.
- Vixe, Cláudia. Acho que Magali iria cair dura ao saber disso. Rimos mais ainda.
Eu estava com a caixa de Nhá Benta em minhas mãos. Abri-a.
- Aceita uma? Ofereci a ela.
- Hummm... Antes do jantar? Perguntou-me sorrindo.
- É mais gostoso comermos a sobremesa antes. Falei fazendo cara de sapeca.
- Assim fica irresistível. Hummm... Aceito. Cláudia disse e pegou uma. Peguei uma também.
Observei-a fazendo o furinho com os dentes. Tinha ensinado-a no passado a degustar o chocolate dessa forma. Sorri comigo mesma.
- Por que você está sorrindo? Ela perguntou olhando-me.
- É que você nunca esqueceu o jeito que eu lhe ensinei a comer Nhá Benta.
- Ah, mas com uma professora desta como eu esqueceria? Falou sorrindo e me olhou firmemente.
Perdi-me em seu olhar. Sentia-me hipnotizada por ele. Sorrimos cúmplices. Voltei a minha atenção para o chocolate. Parecíamos duas crianças devorando o doce preferido. Depois de saborearmos essa delícia de pecado, fomos ao restaurante jantar. Cláudia tinha feito as reservas. Sentamo-nos à mesa e fomos prontamente atendidas. Conversávamos sobre diversas coisas. Tinha curiosidade sobre o que aconteceu em São Paulo e o porquê dela ter ido para lá, mas não queria perguntar. Queria que ela falasse por vontade dela. Nosso pedido chegou e fomos servidas. Cláudia demonstrava estar feliz. Falava quase sem parar e ria muito. Estava divertindo-me muito na companhia dela.
Tão jovem apaixonei-me por ela, mas não foi possível ficarmos juntas. Não era para ser naquela época. Depois conheci Cristina, que foi uma companheira formidável em minha vida, um período maravilhoso que vivemos juntas. Era alguém que eu amei e que sempre lembrarei com todo amor e carinho. Se não fosse o destino ser cruel, estaríamos juntas até hoje. Mas esse mesmo destino, que é cruel às vezes, colocou-me novamente Cláudia em minha vida, dando-me a oportunidade de tentarmos construir algo, quem sabe uma vida em conjunto, compartilhando nossos sonhos, nossas alegrias, nossas tristezas também. Estarmos sempre lado a lado. Juntas, para o que der e vier. Era isso o que eu queria viver com Cláudia. E era o que eu esperava que ela quisesse também. Ela era a mulher que eu amava.
- Ainda bem que consegui fazer com que Antonia entendesse que não tínhamos mais nada. Cláudia falou sorrindo para mim.
- Que bom que tudo se resolveu. Mas por que você precisou ir para São Paulo? A curiosidade por essa resposta me deixava agoniada.
- Bom, eu tinha que retornar para lá mesmo, tinha um assunto do banco que demandava a minha presença e eu iria provavelmente nesta semana ou no máximo semana que vem. Daí resolvi unir o útil ao não tão agradável, ou seja, a companhia de Antonia. Eu queria ter a certeza de que ela fosse embora daqui e que não ficasse azucrinando a minha vida, por isso fui com ela. Foi melhor, resolvi o assunto do banco e resolvi de vez minha situação com ela. Tivemos uma longa conversa e desta vez ela entendeu que não temos mais nada.
Ela terminou de falar e eu estava encarando-a com um sorriso imenso.
- Então agora você está disponível? Perguntei brincando.
- Epa! Eu sempre estive disponível. Cláudia falou rindo.
- Folgo em saber, dona Cláudia. Disse e encarei-a com um olhar apaixonado. Ficamos presas uma no olhar da outra. Cláudia deu-me um sorriso lindo.
Continuamos conversando sobre várias coisas, mas nossos olhares não se desgrudavam e promessas de amor silenciosas passeavam neles. Meu coração estava plenamente feliz. Sentia-me como há muito não me sentia. Leve e feliz.
Acertamos a conta, Cláudia queria pagar toda ela e não deixei. Eita mulher cabeça dura, achava que tinha que pagar tudo. Saímos do restaurante igual a duas crianças felizes, rindo à toa.
Chegamos ao meu prédio e Cláudia deu a entender que já iria embora. Ah, mas de jeito nenhum!
- Vamos subir, Cláudia. Convidei-a.
- Não, Roberta. Fica para a próxima.
- Ah, não! Você vai subir sim, nem que seja só para tomar uma bebidinha. Você disse na última vez que na próxima subiria. Tá me devendo uma visita.
- Tá bom. Eu aceito a bebida. Cláudia disse sorrindo.
- Oba! Então vamos.
Saímos do carro e subimos ao meu apartamento. Abri a porta e pedi que Cláudia entrasse primeiro. Ela entrou, entrei também e fechei a porta. No instante seguinte virei-me e a prensei na parede.
- Roberta? Cláudia falou surpresa.
- É sim. Falei encarando-a com meus olhos famintos de amor.
- Sim? O quê?
- SIM. É a minha resposta. Falei aproximando-se de seu pescoço, cheirando-o e beijando-o em seguida. Ouvi Cláudia soltar um gemido.
- Resposta? Cláudia perguntou ofegante.
Parei de beijar seu pescoço e encarei-a. Dei um imenso sorriso.
- Você não perguntou se eu queria namorar com você? Vai fugir da raia agora? Perguntei, minhas mãos passeavam pelo seu corpo delicioso, provocando-a.
- Fugir da raia? Nunca! Quem eu mais quero nessa vida é você. Cláudia disse e abraçou-me. Tomou minha boca num beijo ardente, cheio de paixão. Nossas línguas se enroscavam, assim como nossos corpos queriam ser um só.
Desvencilhamo-nos das nossas roupas. Ansiávamos pelo contato de nossas peles. Nossas respirações se misturavam. Nossos gemidos ecoavam pela sala. Deitamos no sofá. Cláudia deitou por cima de mim. Cobriu com sua boca cada pedacinho do meu corpo, provocando-me ao extremo. Beijava-me, lambia-me, às vezes, mordiscava-me. Eu estava encharcada, meu sexo estava intumescido e pulsava forte. Nossos olhos se encontravam e estavam inflamados de desejo, de amor. Então ela penetrou-me com seus dedos, movimentando-os deliciosamente em mim. Nossos corpos entrelaçados e suados queriam se fundir num só. Nossas respirações misturadas. Nossos olhares presos um no outro, se desgrudavam somente para nos beijarmos. Gemidos. A sala foi tomada por uma sucessão de gemidos. Meus e dela. Eles se confundiam. O movimento de sua mão tornou-se mais intenso, meu corpo começou a contorcer-se cada vez mais e mais eu rebolava, até sentir-me explodir num gozo pleno, completo e intenso. Senti-me ser transportada para outra dimensão. Fui recobrando minhas forças. Saí do sofá e a puxei para o quarto. Empurrei Cláudia na cama e deitei sobre ela. Eu queria amá-la por inteiro, sentir cada milímetro de sua pele cheirosa e macia. Sentir seu gosto novamente, pois precisava alimentar meu vício. Tomei posse de seu corpo, provoquei-a com minha boca, com minha língua, com minhas mãos, até o momento em que a senti tremer toda, oferecendo-me seu gozo para bebê-lo. Amamo-nos noite adentro, até que saciadas adormecêssemos.
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Acordei satisfeita e feliz. Muito feliz. Estava namorando Roberta de novo. Com o episódio do aparecimento repentino de Antonia achei que Roberta nunca mais quisesse falar comigo. Resolvi de última hora ir para São Paulo, precisava despachar Antonia logo. Entrei em parafuso quando ligava para Roberta e seu celular estava desligado, cheguei a imaginar que ela tivesse feito de propósito. E quando liguei para sua casa e não atendeu, nesse momento tive certeza de que ela não me queira mais em sua vida. Eu não podia entregar os pontos assim, eu precisava ouvir da sua boca que ela não queria mais nada comigo. Liguei para o trabalho e disseram-me que ela não estava. Fiquei extremamente triste e pedi que dissessem a ela que eu ligaria à noite para sua casa. Tive medo de que ela não atendesse. O desespero tomava conta de mim. Ter Roberta tão perto de mim para logo em seguida perdê-la dessa maneira tão boba sangrava meu coração. Doía demais. Resolvi por fim ao mistério das rosas. Assumi a autoria do envio dos buquês, cuja idéia tive depois da minha primeira conversa com Henrique, quando soube que ela não queria mais amar ninguém. Queria com essa atitude semear a vontade dela em se interessar por alguém de novo. Amolecer seu coração para um novo amor. Gostava de ver a reação dela ao recebê-las. Fazia questão de perguntar como estava se sentindo ao ser cobiçada por alguém. Quando liguei para sua casa e ela atendeu, senti renascer a minha esperança. Convidei-a para jantar e ela aceitou, fiquei extremamente feliz. No jantar sentia uma energia nova cada vez que nossos olhares se prendiam um no outro. Eu sentia amor, pois era o mesmo olhar que ela dava-me quando namoramos da primeira vez. Ao chegar em seu apartamento, não quis subir para não pressioná-la a nada, pois ela tinha pedido-me um tempo para pensar e eu estava respeitando este tempo. Não queria forçá-la a nada, mas conseguiu convencer-me a subir. Quando ela colocou-me contra a parede e disse “sim”, meu coração parecia ter parado de bater, tamanha emoção que eu estava sentindo. Não queria acreditar que era a resposta ao meu pedido. Delirei quando ela confirmou que era. Era tudo o que eu queria nessa vida. Tê-la de novo ao meu lado. Eu amava essa pequena.
Fiquei observando-a dormir. Meu Deus, ela era insaciável. Era uma delícia de mulher. Eu a amava. Muito. Não queria só passar uma estação com ela. Queria passar a vida toda. Ela completava-me. Senti meu estômago roncar. Fome. Eu estava com muita fome. Ri. Levantei-me e fui nua mesmo para a cozinha e preparei um belo desjejum. Até que não foi difícil encontrar tudo o que eu precisava. Preparei a mesa e voltei ao quarto para acordar minha princesinha. Ela ainda dormia. A minha menina linda de belos olhos azuis estava de volta em minha vida. Aproximei-me dela, ela estava de bruços. Fui beijando suas costas expostas, sua pele macia e cheirosa.
- Acorde, minha princesa.
- Hummm...
- Acorde, vamos tomar café. Vamos.
Roberta se virou e abraçou-me.
- Bom dia, meu amor. Fitou meus olhos e falou. – Eu te amo! Deu um lindo sorriso.
Meu coração se aqueceu ao ouvir a sua declaração.
- Eu também te amo, Roberta. Te amo tanto.
Beijamos-nos e senti meu corpo se acender.
- Calma, minha princesa. Dei uma gargalhada. – Vamos comer primeiro que eu estou com uma fome de leão.
Roberta insinuou-se embaixo de mim.
- Roberta! Disse e levantei-me rapidamente. – Vamos comer, vamos. Chamei e estendi-lhe a mão.
- Ai, Cláudia. Tanta coisa mais interessante para fazer.
- Ah, dona Roberta. Temos que reabastecer nossas energias, certo?
- Ok, ok. Vamos comer, mas com uma condição.
- Hummm... Qual condição?
- Depois tomarmos um banho juntas e... Roberta fez suspense e riu.
- E o quê?
- E voltarmos para essa cama.
- Uauuu... Você quer acabar comigo, hein. Falei rindo.
E assim fizemos. Passamos o dia na cama nos amando, matando as saudades que tínhamos uma da outra, sem pressa, saboreando cada segundo que estávamos uma ao lado da outra.
As festas de final de ano chegaram e passamos juntas tanto o natal quanto o ano novo. Os primeiros de muitos que estavam por vir.
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Anos depois...
Só conseguimos ficar duas semanas morando separadas. Resolvemos morar juntas o quanto antes. Decidimos morar no apartamento de Cláudia e o meu deixamos para alugar. Já estávamos juntas há seis anos vivendo nossa vida de casadas. Eu estava super feliz. Não sei quanto tempo nos seria dado para ficarmos juntas, mas não me preocupava com isso. O que aprendi era que só importava o presente. O momento que “aqui e agora” vivemos. E este momento deveria ser vivido com toda a intensidade que ele merecia. Só assim poderíamos ser plenamente felizes. Só assim poderíamos fazer o outro e a nós mesmo felizes. Eu e Cláudia nos amávamos. Só isso importava. Só o amor importava.
FIM.
sábado, 10 de maio de 2008
39 - Ansiedade
Estava em meu apartamento. Eu estava nervosa. Andava de um lado ao outro em círculos. E olhava constantemente para o telefone. Minha ansiedade era tamanha que tentei ligar para o celular dela, mas ou estava desligado ou fora de área. O jeito era ter paciência e esperar ela ligar-me. E se fosse para dizer-me que tinha voltado para Antonia? Senti-me triste ao pensar isto. Mas ela disse que me amava. Sentia-me feliz quando pensava nisso. Meu humor estava oscilando muito, parecia montanha-russa, daqui a pouco eu iria ter um treco.
O telefone tocou e meu coração deu um pulo imenso dentro do peito. Tocou mais uma vez e corri para atendê-lo.
- Alô. Falei tentando não parecer ansiosa.
- Roberta? Era a voz dela.
- Sou eu.
- Meu Deus, que dificuldade para falar com você. Tentei ontem, tanto no celular quanto na sua casa, e hoje no trabalho e no celular.
- É... meu celular estava com a bateria descarregada e... ontem eu não pude atender o telefone.
- Você está bem?
- Sim, estou e você?
- Estaria mentindo se dissesse que estou bem. Tive que vir a São Paulo trazer Antonia de volta, ter uma conversa séria com ela e resolver uns assuntos do banco.
- E... deu tudo certo? Perguntei sentindo o medo percorrer minha espinha.
- Sim. Tivemos uma longa e estressante conversa, mas acho que agora ela entendeu que tudo estava terminado. Mas não foi fácil. Sempre tive receio de que ela aparecesse aí em Curitiba. Agora está tudo resolvido. Amanhã vou embora.
- Que horas você chega?
- No final do dia. Aceita jantar comigo amanhã?
- Ace... Aceito. Respondi e meu coração transbordava de alegria. Estava com vontade de sair pulando igual uma criança feliz. Não esperava tal convite.
- Que bom. E recebeu as rosas hoje?
- Elas vieram, mas recusei-as.
- Recusou? Mas... por quê?
- Porque não acho certo alimentar a paixão de alguém ao ficar aceitando este presente. Espero que assim o tal admirador pare de mandá-las.
- Bom... tá certo. Se é a sua decisão. Roberta, preciso desligar. Estou morta de cansada, meu dia foi extremamente desgastante. Nos falamos amanhã. Ok?
- Ok. Uma boa noite pra você.
- Obrigada. Beijos pra você. Tchau.
- Beijos. Tchau.
Coloquei o telefone no gancho. Eu estava mais tranqüila. Cláudia não estava com Antonia, mas nem eu estava com ela. Tinha pedido um tempo para pensar no pedido de namoro. Compreendi que esse tempo tinha se esgotado. Compreendi com a dor destes últimos dois dias que eu estava perdidamente apaixonada por Cláudia. A queria de volta definitivamente em minha vida. Não iria mais lutar contra este sentimento que me consumia inteira. Controlamos um monte de coisas, mas não conseguimos controlar nosso coração. Ele acabava regendo nossas emoções, dava um “chega pra lá” na nossa razão e tomava conta da gente. Como fugir disso? Difícil, não era?
Fui tomar meu banho, não o tomei antes porque vai que o telefone tocava no momento que estava nele. Aí eu teria que sair molhando o apartamento todo. Ri. Eu estava feliz. Entrei debaixo do chuveiro e deixei a água levar embora todo o medo que eu sentia. Era como se eu estivesse lavando a alma de qualquer resquício de medo. Estava me sentindo outra. Renovada. Pronta para encarar mais um amor em minha vida. Saí do banho, sequei e vesti-me. Fui para a cozinha preparar um pequeno lanche para mim. Não estava com muita fome. Peguei meu lanche e fui para a sala. Liguei a televisão e assisti um pouco. Nada interessante passando. Resolvi ler um livro e depois fui dormir. Deitei-me e fiquei olhando para o teto, pensando em Cláudia, em como esta mulher conseguiu reconquistar meu coração tão rápido. Lembrei da gente se amando. Meu corpo reagia só em pensar. Ficava toda excitada. Ai, como a queria aqui comigo agora. Sentia meu corpo arder de desejo. Meu tesão era tanto que acabei me tocando gostoso, imaginando ela em mim. Mesmo assim não foi fácil conciliar o sono.
A quarta-feira se arrastou. Por que quando queríamos que o dia passasse rápido ele se arrastava? Parecia que o dia tinha quarenta e oito horas. Estava ansiosa para rever meu amor, para rever a mulher linda que mexia intensamente comigo.
Enfim o fim do expediente chegou. Corri pra casa. Tomei um banho demorado. Vesti-me e perfumei-me toda. Estava pronta para receber meu amor. O tempo se arrastava, até que a campainha tocou e meu coração parecia que iria explodir no peito. Meu corpo vibrava de felicidade. Corri para atender a porta. Abri a porta e... levei a minha mão à boca. Eu estava surpresa. Não acreditava no que estava vendo.
O telefone tocou e meu coração deu um pulo imenso dentro do peito. Tocou mais uma vez e corri para atendê-lo.
- Alô. Falei tentando não parecer ansiosa.
- Roberta? Era a voz dela.
- Sou eu.
- Meu Deus, que dificuldade para falar com você. Tentei ontem, tanto no celular quanto na sua casa, e hoje no trabalho e no celular.
- É... meu celular estava com a bateria descarregada e... ontem eu não pude atender o telefone.
- Você está bem?
- Sim, estou e você?
- Estaria mentindo se dissesse que estou bem. Tive que vir a São Paulo trazer Antonia de volta, ter uma conversa séria com ela e resolver uns assuntos do banco.
- E... deu tudo certo? Perguntei sentindo o medo percorrer minha espinha.
- Sim. Tivemos uma longa e estressante conversa, mas acho que agora ela entendeu que tudo estava terminado. Mas não foi fácil. Sempre tive receio de que ela aparecesse aí em Curitiba. Agora está tudo resolvido. Amanhã vou embora.
- Que horas você chega?
- No final do dia. Aceita jantar comigo amanhã?
- Ace... Aceito. Respondi e meu coração transbordava de alegria. Estava com vontade de sair pulando igual uma criança feliz. Não esperava tal convite.
- Que bom. E recebeu as rosas hoje?
- Elas vieram, mas recusei-as.
- Recusou? Mas... por quê?
- Porque não acho certo alimentar a paixão de alguém ao ficar aceitando este presente. Espero que assim o tal admirador pare de mandá-las.
- Bom... tá certo. Se é a sua decisão. Roberta, preciso desligar. Estou morta de cansada, meu dia foi extremamente desgastante. Nos falamos amanhã. Ok?
- Ok. Uma boa noite pra você.
- Obrigada. Beijos pra você. Tchau.
- Beijos. Tchau.
Coloquei o telefone no gancho. Eu estava mais tranqüila. Cláudia não estava com Antonia, mas nem eu estava com ela. Tinha pedido um tempo para pensar no pedido de namoro. Compreendi que esse tempo tinha se esgotado. Compreendi com a dor destes últimos dois dias que eu estava perdidamente apaixonada por Cláudia. A queria de volta definitivamente em minha vida. Não iria mais lutar contra este sentimento que me consumia inteira. Controlamos um monte de coisas, mas não conseguimos controlar nosso coração. Ele acabava regendo nossas emoções, dava um “chega pra lá” na nossa razão e tomava conta da gente. Como fugir disso? Difícil, não era?
Fui tomar meu banho, não o tomei antes porque vai que o telefone tocava no momento que estava nele. Aí eu teria que sair molhando o apartamento todo. Ri. Eu estava feliz. Entrei debaixo do chuveiro e deixei a água levar embora todo o medo que eu sentia. Era como se eu estivesse lavando a alma de qualquer resquício de medo. Estava me sentindo outra. Renovada. Pronta para encarar mais um amor em minha vida. Saí do banho, sequei e vesti-me. Fui para a cozinha preparar um pequeno lanche para mim. Não estava com muita fome. Peguei meu lanche e fui para a sala. Liguei a televisão e assisti um pouco. Nada interessante passando. Resolvi ler um livro e depois fui dormir. Deitei-me e fiquei olhando para o teto, pensando em Cláudia, em como esta mulher conseguiu reconquistar meu coração tão rápido. Lembrei da gente se amando. Meu corpo reagia só em pensar. Ficava toda excitada. Ai, como a queria aqui comigo agora. Sentia meu corpo arder de desejo. Meu tesão era tanto que acabei me tocando gostoso, imaginando ela em mim. Mesmo assim não foi fácil conciliar o sono.
A quarta-feira se arrastou. Por que quando queríamos que o dia passasse rápido ele se arrastava? Parecia que o dia tinha quarenta e oito horas. Estava ansiosa para rever meu amor, para rever a mulher linda que mexia intensamente comigo.
Enfim o fim do expediente chegou. Corri pra casa. Tomei um banho demorado. Vesti-me e perfumei-me toda. Estava pronta para receber meu amor. O tempo se arrastava, até que a campainha tocou e meu coração parecia que iria explodir no peito. Meu corpo vibrava de felicidade. Corri para atender a porta. Abri a porta e... levei a minha mão à boca. Eu estava surpresa. Não acreditava no que estava vendo.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
38 - Nem tudo é o que parece
A segunda-feira amanheceu nublada. Havia chovido de madrugada. Meu humor estava como o tempo, totalmente cinza. Fui trabalhar no automático. Cheguei, cumprimentei meus colegas, sentei-me a minha mesa e tratei de me “afundar” no trabalho. Não vi Cláudia. Quase no final do dia Magali veio conversar comigo.
- E aí, Roberta. Foi na comemoração de final de ano? Perguntou-me Magali.
- Fui sim. Disse sem muito entusiasmo.
- Procurei você por lá e não lhe vi. O que achou dela?
- Estava boa. Era mais do mesmo, né.
- É verdade, mas eu gosto. É um momento em que todos se revêem. Nossa fiquei sabendo de tanta coisa. Disse isso e riu.
Tentei sorrir, mas meu ânimo estava um pouco apagado.
- Ah, sabia que a Cláudia viajou?
- Viajou? Perguntei com o coração gelando.
- Sim, soube pela Rebeca que ela foi para São Paulo hoje, parece-me que para resolver algumas coisas. Disse-me que ela deve voltar na quarta.
- Não... eu não sabia. Falei com meu coração sangrando de dor. Ela tinha ido para São Paulo com a mulher dela! Pensei quase entrando em desespero.
Essa informação acabou com o meu dia. Poxa, nem me avisou, mas avisar por quê? É, acho que eu não era tão importante assim para ela. Pelo visto não era mesmo. Acho que nunca fui. Queria ir embora para casa. Sumir, essa era a minha vontade. Olhei para o relógio, ainda faltavam alguns minutos.
- Roberta, vou embora que está na hora. Até amanhã. Magali disse despedindo-se de mim.
- Até amanhã, Magali.
Fiquei ali, olhando para o vazio. Lágrimas queriam sair, mas controlei. Arrumei minha mesa, peguei minha bolsa e fui para casa. Durante todo o trajeto para meu apartamento, a chuva caía fina e insistente. A minha sensação era de abandono. De total abandono. Por que ela não me ligou? Se dizia que me amava, por que não me ligou? Isso me matava de tristeza.
Cheguei em casa, joguei minha bolsa no sofá e sentei-me nele. As lágrimas, antes represadas, saíram copiosas. Encolhi-me. A vontade que eu tinha era sumir do mapa. O telefone tocou e apenas olhei para ele. Não atendi. Não queria falar com ninguém. Imaginei que fosse o Rique e nem com ele eu queria falar. Não agora. Tocou mais algumas vezes, mas eu o ignorei completamente.
Depois de um tempo levantei-me e tomei meu banho. Não estava com fome, mas mesmo assim resolvi tomar uma caneca de leite com chocolate e fui para cama. Meu coração doía. Estava dilacerado. Não queria isso de novo para mim, mas como evitar isso? Como evitar se apaixonar de novo? Não sabia a resposta. Custei para dormir. Em meus pensamentos uma linda mulher com olhos verdes teimava estar presente neles.
Acordei no dia seguinte com olheiras, tive que caprichar na maquiagem para disfarçá-las. Fui triste para o trabalho. Estava angustiada. Novamente acreditei na possibilidade de amar e mal começo a aceitar a idéia e já levo uma rasteira. Como ser feliz assim? É parece-me que não me era dado o direito de lutar por ele. Olhei para a caneta em minha mão. Meu olhar ficou preso nela, mas minha mente voltou para o passado. Com Cláudia não tive chance de lutar para que nosso amor continuasse, não foi a vontade dela na época. Com Cristina o destino me foi cruel demais. Como lutar com a morte? Impossível. E novamente com Cláudia, o sentia escapar pelas minhas mãos. Meu coração doía demais. Tudo o que eu queria era voltar a ser feliz. Era pedir demais?
Notei alguém na minha frente. Levantei meus olhos e vi o rapaz da floricultura sorrindo para mim com mais um imenso buquê de rosas vermelhas. Tentei sorrir para ele. Olhei para o buquê e voltei meu olhar para ele.
- Pode levá-lo de volta.
- Como? Mas.... O rapaz esta surpreso com minha recusa.
- Eu não os quero mais. E, por gentileza, avise esse tal admirador que pare de mandá-las, pois a partir de hoje não vou mais aceitá-las.
Ele ficou olhando-me de boca aberta. Acho que não esperava a minha recusa.
- Tem certeza? Ele perguntou-me.
- Tenho. Toda certeza do mundo. Não quero mais.
- Bom... tá... então... tchau.
- Tchau.
Ele se virou e voltou de onde veio. Por que ficar alimentando a paixão de alguém por mim? A cada vez que aceito receber o buquê alimento essa loucura. Já devia ter parado no início, mas era uma delícia recebê-los. A curiosidade de saber quem era nunca vai ser satisfeita mesmo. E que diferença isso faria para mim? Acho que nenhuma.
- Roberta, você está doente? Perguntou-me Magali, que apareceu de repente.
Olhei para ela e dei um sorriso. Acho que ela não iria gostar de saber que não descobriríamos quem era o tal admirador secreto.
- Não, Magali. Estou ótima. Por quê?
- É que... o buquê... Magali falou parecendo atordoada.
- Eu não o quis.
- Mas... você tá maluca de recusá-lo?
- Não quero mais Magali. Simples assim. E não estou maluca. Maluca eu estava em ficar recebendo eles.
- Mas... nem descobrimos quem é? Magali falou decepcionada.
- Não me interesso em saber isso.
- Como não? Não pode ficar assim.
- Magali, eu não posso ficar alimentando a paixão de alguém por mim. Isto não é correto. E pouco me importa se não sabemos quem seja. E, por favor, isso é assunto acabado, tá.
- Calma, Roberta. Tudo bem. Assunto morto e enterrado. Lá se foi a bolsa de apostas. Magali lamentou.
Olhei para Magali, se não fosse a minha boa educação a teria mandado pra... pra Bagdá! Jamais ficaria alimentando essa loucura de bolsa de apostas. Era o que me faltava, tinha coisas mais importantes para me preocupar.
A manhã passou e a tarde fluía no seu ritmo normal. Precisei dar uma saída para ir até outro departamento para resolver uma coisa. Demorei cerca de quarenta minutos. Assim que retornei, minha estagiária falou:
- Roberta, a dona Cláudia ligou para falar contigo.
- Cláudia? Me ligou? Perguntei com o coração batendo a mil.
- Sim e ela falou que vai lhe ligar à noite para a sua casa e que seu celular está sempre desligado.
- Tá, obrigada. Disse para ela. Meu celular? Desligado? Pensei e peguei minha bolsa e a abri. Peguei o celular e ele estava sem bateria. Não acreditava. Caraca, agora me lembro, ele estava com a bateria fraca no domingo e com os acontecimentos me esqueci totalmente dele. Comecei a rir. Claro! Ela tentou me ligar e o celular estava mortinho. Ei... será que foi ela que me ligou ontem à noite? Ah, vou tirar essa dúvida agora mesmo. Peguei o telefone e disquei um número. A minha família sempre falava comigo no final de semana. Estavam descartados.
- Alô.
- Henrique? Sou eu, Roberta.
- Olá, Betinha. Tudo bem?
- Tudo, e você?
- Tô bem também.
- Rique... é... você me ligou ontem? Pra minha casa.
- Não, Betinha. Não lhe liguei ontem. Por quê?
- É... eu... eu só precisava saber disso.
- Tá tudo bem?
- Sim e acho que fiz uma confusão imensa na minha cabeça.
- Vixe. Quer falar sobre isso?
- Você tá muito ocupado?
- Não, pra você estou sempre disponível. Viu que moral. Falou rindo.
Contei para ele sobre a viagem de Cláudia para São Paulo e em como reagi a essa notícia. Que meu celular tinha acabado a bateria e tinha esquecido de recarregar. E que não atendi as ligações ontem à noite. E que eu tinha quase certeza que fora ela quem me ligara. Ele disse que eu deveria estar em casa de plantão e não sair em hipótese nenhuma, porque só assim eu iria saber o que de fato estaria acontecendo e que eu parasse de ver chifre em cabeça de cavalo. Terminamos rindo. Só Rique para levantar meu astral dessa forma. Desligamos. Eu me sentia leve. Era como se eu visse uma luz no fim do túnel. Ela me ligara. Sim, foi ela! Agora estava super ansiosa para estar em casa. Agüenta coração.
- E aí, Roberta. Foi na comemoração de final de ano? Perguntou-me Magali.
- Fui sim. Disse sem muito entusiasmo.
- Procurei você por lá e não lhe vi. O que achou dela?
- Estava boa. Era mais do mesmo, né.
- É verdade, mas eu gosto. É um momento em que todos se revêem. Nossa fiquei sabendo de tanta coisa. Disse isso e riu.
Tentei sorrir, mas meu ânimo estava um pouco apagado.
- Ah, sabia que a Cláudia viajou?
- Viajou? Perguntei com o coração gelando.
- Sim, soube pela Rebeca que ela foi para São Paulo hoje, parece-me que para resolver algumas coisas. Disse-me que ela deve voltar na quarta.
- Não... eu não sabia. Falei com meu coração sangrando de dor. Ela tinha ido para São Paulo com a mulher dela! Pensei quase entrando em desespero.
Essa informação acabou com o meu dia. Poxa, nem me avisou, mas avisar por quê? É, acho que eu não era tão importante assim para ela. Pelo visto não era mesmo. Acho que nunca fui. Queria ir embora para casa. Sumir, essa era a minha vontade. Olhei para o relógio, ainda faltavam alguns minutos.
- Roberta, vou embora que está na hora. Até amanhã. Magali disse despedindo-se de mim.
- Até amanhã, Magali.
Fiquei ali, olhando para o vazio. Lágrimas queriam sair, mas controlei. Arrumei minha mesa, peguei minha bolsa e fui para casa. Durante todo o trajeto para meu apartamento, a chuva caía fina e insistente. A minha sensação era de abandono. De total abandono. Por que ela não me ligou? Se dizia que me amava, por que não me ligou? Isso me matava de tristeza.
Cheguei em casa, joguei minha bolsa no sofá e sentei-me nele. As lágrimas, antes represadas, saíram copiosas. Encolhi-me. A vontade que eu tinha era sumir do mapa. O telefone tocou e apenas olhei para ele. Não atendi. Não queria falar com ninguém. Imaginei que fosse o Rique e nem com ele eu queria falar. Não agora. Tocou mais algumas vezes, mas eu o ignorei completamente.
Depois de um tempo levantei-me e tomei meu banho. Não estava com fome, mas mesmo assim resolvi tomar uma caneca de leite com chocolate e fui para cama. Meu coração doía. Estava dilacerado. Não queria isso de novo para mim, mas como evitar isso? Como evitar se apaixonar de novo? Não sabia a resposta. Custei para dormir. Em meus pensamentos uma linda mulher com olhos verdes teimava estar presente neles.
Acordei no dia seguinte com olheiras, tive que caprichar na maquiagem para disfarçá-las. Fui triste para o trabalho. Estava angustiada. Novamente acreditei na possibilidade de amar e mal começo a aceitar a idéia e já levo uma rasteira. Como ser feliz assim? É parece-me que não me era dado o direito de lutar por ele. Olhei para a caneta em minha mão. Meu olhar ficou preso nela, mas minha mente voltou para o passado. Com Cláudia não tive chance de lutar para que nosso amor continuasse, não foi a vontade dela na época. Com Cristina o destino me foi cruel demais. Como lutar com a morte? Impossível. E novamente com Cláudia, o sentia escapar pelas minhas mãos. Meu coração doía demais. Tudo o que eu queria era voltar a ser feliz. Era pedir demais?
Notei alguém na minha frente. Levantei meus olhos e vi o rapaz da floricultura sorrindo para mim com mais um imenso buquê de rosas vermelhas. Tentei sorrir para ele. Olhei para o buquê e voltei meu olhar para ele.
- Pode levá-lo de volta.
- Como? Mas.... O rapaz esta surpreso com minha recusa.
- Eu não os quero mais. E, por gentileza, avise esse tal admirador que pare de mandá-las, pois a partir de hoje não vou mais aceitá-las.
Ele ficou olhando-me de boca aberta. Acho que não esperava a minha recusa.
- Tem certeza? Ele perguntou-me.
- Tenho. Toda certeza do mundo. Não quero mais.
- Bom... tá... então... tchau.
- Tchau.
Ele se virou e voltou de onde veio. Por que ficar alimentando a paixão de alguém por mim? A cada vez que aceito receber o buquê alimento essa loucura. Já devia ter parado no início, mas era uma delícia recebê-los. A curiosidade de saber quem era nunca vai ser satisfeita mesmo. E que diferença isso faria para mim? Acho que nenhuma.
- Roberta, você está doente? Perguntou-me Magali, que apareceu de repente.
Olhei para ela e dei um sorriso. Acho que ela não iria gostar de saber que não descobriríamos quem era o tal admirador secreto.
- Não, Magali. Estou ótima. Por quê?
- É que... o buquê... Magali falou parecendo atordoada.
- Eu não o quis.
- Mas... você tá maluca de recusá-lo?
- Não quero mais Magali. Simples assim. E não estou maluca. Maluca eu estava em ficar recebendo eles.
- Mas... nem descobrimos quem é? Magali falou decepcionada.
- Não me interesso em saber isso.
- Como não? Não pode ficar assim.
- Magali, eu não posso ficar alimentando a paixão de alguém por mim. Isto não é correto. E pouco me importa se não sabemos quem seja. E, por favor, isso é assunto acabado, tá.
- Calma, Roberta. Tudo bem. Assunto morto e enterrado. Lá se foi a bolsa de apostas. Magali lamentou.
Olhei para Magali, se não fosse a minha boa educação a teria mandado pra... pra Bagdá! Jamais ficaria alimentando essa loucura de bolsa de apostas. Era o que me faltava, tinha coisas mais importantes para me preocupar.
A manhã passou e a tarde fluía no seu ritmo normal. Precisei dar uma saída para ir até outro departamento para resolver uma coisa. Demorei cerca de quarenta minutos. Assim que retornei, minha estagiária falou:
- Roberta, a dona Cláudia ligou para falar contigo.
- Cláudia? Me ligou? Perguntei com o coração batendo a mil.
- Sim e ela falou que vai lhe ligar à noite para a sua casa e que seu celular está sempre desligado.
- Tá, obrigada. Disse para ela. Meu celular? Desligado? Pensei e peguei minha bolsa e a abri. Peguei o celular e ele estava sem bateria. Não acreditava. Caraca, agora me lembro, ele estava com a bateria fraca no domingo e com os acontecimentos me esqueci totalmente dele. Comecei a rir. Claro! Ela tentou me ligar e o celular estava mortinho. Ei... será que foi ela que me ligou ontem à noite? Ah, vou tirar essa dúvida agora mesmo. Peguei o telefone e disquei um número. A minha família sempre falava comigo no final de semana. Estavam descartados.
- Alô.
- Henrique? Sou eu, Roberta.
- Olá, Betinha. Tudo bem?
- Tudo, e você?
- Tô bem também.
- Rique... é... você me ligou ontem? Pra minha casa.
- Não, Betinha. Não lhe liguei ontem. Por quê?
- É... eu... eu só precisava saber disso.
- Tá tudo bem?
- Sim e acho que fiz uma confusão imensa na minha cabeça.
- Vixe. Quer falar sobre isso?
- Você tá muito ocupado?
- Não, pra você estou sempre disponível. Viu que moral. Falou rindo.
Contei para ele sobre a viagem de Cláudia para São Paulo e em como reagi a essa notícia. Que meu celular tinha acabado a bateria e tinha esquecido de recarregar. E que não atendi as ligações ontem à noite. E que eu tinha quase certeza que fora ela quem me ligara. Ele disse que eu deveria estar em casa de plantão e não sair em hipótese nenhuma, porque só assim eu iria saber o que de fato estaria acontecendo e que eu parasse de ver chifre em cabeça de cavalo. Terminamos rindo. Só Rique para levantar meu astral dessa forma. Desligamos. Eu me sentia leve. Era como se eu visse uma luz no fim do túnel. Ela me ligara. Sim, foi ela! Agora estava super ansiosa para estar em casa. Agüenta coração.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
37 - Fantasmas do passado
- O que você está fazendo aqui? Perguntei perplexa não acreditando que estava vendo Antonia na minha frente.
- Boa noite pra você também, Cláudia. Antonia falou. Não vai me convidar para entrar? Perguntou sorrindo insinuante.
Fiquei olhando para ela não acreditando que estava aqui. Como ela me achou? Como tem meu endereço? Como entrou no prédio? Senti um nó forte no estômago. Ela era a última pessoa que eu queria ver. Senti uma vertigem e escorei-me na porta, nisso Antonia entrou, aproveitando o espaço que surgiu.
- Ora, ora... Vejo que você não perdeu tempo, dona Cláudia. Antonia disse olhando para Roberta, que levantou-se do sofá e ficou olhando para Antonia. – Anda trazendo outras mulheres para o seu apartamento. Hummm.... vejo que continua com seu bom gosto.
- O que você está fazendo aqui, Antonia? Perguntei visivelmente alterada.
- Ora, meu amor. Eu vim tomar o meu lugar. Somos casadas, lembra?
- Não somos mais. Se esqueceu?
- Dei-lhe apenas um tempo para organizar as suas idéias. Agora vim para assumir o meu lugar ao seu lado. Antonia disse sorrindo cinicamente.
Roberta pegou sua bolsa e encaminhou-se para a porta.
- Roberta, espere! Eu disse quase desesperada.
Roberta se virou, me fitou com um olhar que não consegui decifrar.
- Não quero atrapalhar, Cláudia. Sua mulher está aí. Não tenho mais nada para fazer aqui.
- Ex-mulher. Eu disse enfática.
- Tchau, Cláudia.
- Não! Roberta... espere...
E Roberta saiu porta afora. Senti uma mão pesada apertando meu coração. Justo quando eu estava entendendo-me com Roberta, aparece-me Antonia. Virei-me para ela com ódio no olhar. Acho que ela nunca me vira assim antes, pois recuara dois passos.
- Agora você vai me ouvir, Antonia. Falei brava, fuzilando-a com o olhar.
--------------------------------------------------------
Saí do apartamento de Cláudia e fui para o elevador, saí dele quase chorando. Aquela era Antonia, a mulher com quem Cláudia disse que se casara, mas tinha dito que não estavam mais casadas. A mulher era linda. E pelo visto ainda estavam de rolo. A outra não viria até aqui se ainda não existisse algo entre elas. Droga, estava sem meu carro. Tinha vindo de carona com Cláudia. Pedi ao porteiro para chamar um táxi para mim. Logo o táxi apareceu e dei-lhe um endereço. Lágrimas teimavam em descer pelo meu rosto. Eu tentava em vão secá-las com a mão.
Cheguei ao apartamento de Henrique e joguei-me nos braços dele. Deixei toda decepção que estava sentindo transformar-se num choro copioso, dolorido. Ele abraçou-me com carinho. Nada me perguntou. Fiquei um tempo em seu abraço.
- O que aconteceu, Betinha? Você estava tão feliz hoje à tarde quando nos falamos.
Olhei triste para ele, com meus olhos avermelhados de tanto chorar.
- O amor... não é... para mim, Rique. Falei fungando e novamente lágrimas escorriam pelo meu rosto.
- Vem cá. Vamos sentar. Quero entender o que aconteceu. Vocês pareciam estar bem, meu anjo.
- Estávamos.
- O que aconteceu, Betinha? Vocês brigaram?
- Não, Rique. Estávamos bem, passamos um dia super agradável...
- Então o que aconteceu?
- A mulher dela apareceu. Falei sentindo o coração sangrar.
- Mulher? Da Cláudia? Rique perguntou perplexo.
- Sim.
- Mas, peraí... ela não tinha saído dessa relação? Disse que tinha se separado.
- Parece que não, porque a tal da Antonia apareceu lá como se ainda estivessem juntas.
- Ah, não. Cláudia não ia mentir. Lembra que ela falou que essa mulher era doida de pedra e que inclusive tinha receio de que ela aparecesse por aqui?
- Me lembro.
- Pois então, essa mulher é maluca. Me diz uma coisa, como foi a reação de Cláudia quando viu essa Antonia?
- Parece que não esperava vê-la.
- Recebeu ela bem... digo, com abraços e beijos?
- Não, isso não. Cláudia a recebeu muito seca, brava eu diria.
- Então, Betinha, se ainda rolasse algo entre elas a recepção seria outra.
- Sei lá, Rique. Eu agora estou tão confusa.
- Confusa? Por quê?
- Quando eu acho que as coisas estão começando a ir bem, quando eu acho que posso amar de novo, quando eu crio coragem para pensar nisso, em assumir um namoro... acontece isso.
- Que é isso, Betinha. Eu sei que a Cláudia lhe ama. Ela me disse isso, tá. Rique disse pegando em meu rosto fazendo-me olhar para ele. – Ela te ama, meu anjo. Acredite nisso. Ele me diz sorrindo.
- Ela me disse que me ama. Falei olhando para ele sorrindo e ficando com a face corada.
- Viu. E quando ela disse? Perguntou sorrindo.
- Seu bobo, não interessa, tá.
- Hummm... já sei... foi assim, entre beijos pra cá, beijos pra lá...
- Para, tá.
- E não foi? Rique perguntou rindo.
- Foi. Respondi rindo também.
- Olha, Betinha, Cláudia vai colocar essa mulher para correr. Ela não gosta mais dela. Você vai ver. Acho que amanhã isso já estará resolvido.
- Espero que sim. Eu falei e olhei para ele. – Ela me pediu em namoro.
- Uau... Tá vendo. Se ela não amasse você não iria fazer-lhe um pedido desses. E você respondeu o quê?
- Pedi um tempo para pensar.
- Quê? Não acredito! Por que não aceitou logo, você também gosta dela.
- Eu... ainda tenho medo de me entregar de novo, de me envolver e... acabar sofrendo de novo.
- Betinha, meu anjo, você já está envolvida com ela. Não foi maravilhoso estarem juntas de novo?
- Foi, Rique. Fiquei muito feliz.
- Então, Betinha. A vida é feita de momentos. Tem momentos bons e outros não tão bons, mas permita-se viver, permita-se ser feliz com quem hoje lhe faz feliz. Isso é o que importa. Nada nos dá garantia de que esses momentos bons vão durar para sempre, por isso temos que vivê-los intensamente... no presente! O passado, esse já foi, não volta, seja ele bom ou ruim. E o futuro... bom, esse ainda vai ser. Relaxe e deixe seu coração amar de novo. Você precisa disso, meu anjo.
Suspirei. Olhei para ele sorrindo. Sorriu-me também.
- Quer um cafezinho? Ele me perguntou.
- Hummm... Aceito. Seu café é uma delícia.
- Acompanhados de biscoitinhos?
- Hummm... Mais delícia ainda. Falei rindo.
Fomos para a cozinha e conversamos sobre outras coisas. Rafael não estava, tinha saído com o pai dele. Rique não quis sair, pois estava me esperando ir vê-lo. Embora a conversa que tive com Rique me acalmasse, eu ainda sentia meu coração apertado. Queria estar feliz, mas não estava. Meu medo estava aflorado. Medo de sofrer, de decepcionar-me de novo.
- Boa noite pra você também, Cláudia. Antonia falou. Não vai me convidar para entrar? Perguntou sorrindo insinuante.
Fiquei olhando para ela não acreditando que estava aqui. Como ela me achou? Como tem meu endereço? Como entrou no prédio? Senti um nó forte no estômago. Ela era a última pessoa que eu queria ver. Senti uma vertigem e escorei-me na porta, nisso Antonia entrou, aproveitando o espaço que surgiu.
- Ora, ora... Vejo que você não perdeu tempo, dona Cláudia. Antonia disse olhando para Roberta, que levantou-se do sofá e ficou olhando para Antonia. – Anda trazendo outras mulheres para o seu apartamento. Hummm.... vejo que continua com seu bom gosto.
- O que você está fazendo aqui, Antonia? Perguntei visivelmente alterada.
- Ora, meu amor. Eu vim tomar o meu lugar. Somos casadas, lembra?
- Não somos mais. Se esqueceu?
- Dei-lhe apenas um tempo para organizar as suas idéias. Agora vim para assumir o meu lugar ao seu lado. Antonia disse sorrindo cinicamente.
Roberta pegou sua bolsa e encaminhou-se para a porta.
- Roberta, espere! Eu disse quase desesperada.
Roberta se virou, me fitou com um olhar que não consegui decifrar.
- Não quero atrapalhar, Cláudia. Sua mulher está aí. Não tenho mais nada para fazer aqui.
- Ex-mulher. Eu disse enfática.
- Tchau, Cláudia.
- Não! Roberta... espere...
E Roberta saiu porta afora. Senti uma mão pesada apertando meu coração. Justo quando eu estava entendendo-me com Roberta, aparece-me Antonia. Virei-me para ela com ódio no olhar. Acho que ela nunca me vira assim antes, pois recuara dois passos.
- Agora você vai me ouvir, Antonia. Falei brava, fuzilando-a com o olhar.
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Saí do apartamento de Cláudia e fui para o elevador, saí dele quase chorando. Aquela era Antonia, a mulher com quem Cláudia disse que se casara, mas tinha dito que não estavam mais casadas. A mulher era linda. E pelo visto ainda estavam de rolo. A outra não viria até aqui se ainda não existisse algo entre elas. Droga, estava sem meu carro. Tinha vindo de carona com Cláudia. Pedi ao porteiro para chamar um táxi para mim. Logo o táxi apareceu e dei-lhe um endereço. Lágrimas teimavam em descer pelo meu rosto. Eu tentava em vão secá-las com a mão.
Cheguei ao apartamento de Henrique e joguei-me nos braços dele. Deixei toda decepção que estava sentindo transformar-se num choro copioso, dolorido. Ele abraçou-me com carinho. Nada me perguntou. Fiquei um tempo em seu abraço.
- O que aconteceu, Betinha? Você estava tão feliz hoje à tarde quando nos falamos.
Olhei triste para ele, com meus olhos avermelhados de tanto chorar.
- O amor... não é... para mim, Rique. Falei fungando e novamente lágrimas escorriam pelo meu rosto.
- Vem cá. Vamos sentar. Quero entender o que aconteceu. Vocês pareciam estar bem, meu anjo.
- Estávamos.
- O que aconteceu, Betinha? Vocês brigaram?
- Não, Rique. Estávamos bem, passamos um dia super agradável...
- Então o que aconteceu?
- A mulher dela apareceu. Falei sentindo o coração sangrar.
- Mulher? Da Cláudia? Rique perguntou perplexo.
- Sim.
- Mas, peraí... ela não tinha saído dessa relação? Disse que tinha se separado.
- Parece que não, porque a tal da Antonia apareceu lá como se ainda estivessem juntas.
- Ah, não. Cláudia não ia mentir. Lembra que ela falou que essa mulher era doida de pedra e que inclusive tinha receio de que ela aparecesse por aqui?
- Me lembro.
- Pois então, essa mulher é maluca. Me diz uma coisa, como foi a reação de Cláudia quando viu essa Antonia?
- Parece que não esperava vê-la.
- Recebeu ela bem... digo, com abraços e beijos?
- Não, isso não. Cláudia a recebeu muito seca, brava eu diria.
- Então, Betinha, se ainda rolasse algo entre elas a recepção seria outra.
- Sei lá, Rique. Eu agora estou tão confusa.
- Confusa? Por quê?
- Quando eu acho que as coisas estão começando a ir bem, quando eu acho que posso amar de novo, quando eu crio coragem para pensar nisso, em assumir um namoro... acontece isso.
- Que é isso, Betinha. Eu sei que a Cláudia lhe ama. Ela me disse isso, tá. Rique disse pegando em meu rosto fazendo-me olhar para ele. – Ela te ama, meu anjo. Acredite nisso. Ele me diz sorrindo.
- Ela me disse que me ama. Falei olhando para ele sorrindo e ficando com a face corada.
- Viu. E quando ela disse? Perguntou sorrindo.
- Seu bobo, não interessa, tá.
- Hummm... já sei... foi assim, entre beijos pra cá, beijos pra lá...
- Para, tá.
- E não foi? Rique perguntou rindo.
- Foi. Respondi rindo também.
- Olha, Betinha, Cláudia vai colocar essa mulher para correr. Ela não gosta mais dela. Você vai ver. Acho que amanhã isso já estará resolvido.
- Espero que sim. Eu falei e olhei para ele. – Ela me pediu em namoro.
- Uau... Tá vendo. Se ela não amasse você não iria fazer-lhe um pedido desses. E você respondeu o quê?
- Pedi um tempo para pensar.
- Quê? Não acredito! Por que não aceitou logo, você também gosta dela.
- Eu... ainda tenho medo de me entregar de novo, de me envolver e... acabar sofrendo de novo.
- Betinha, meu anjo, você já está envolvida com ela. Não foi maravilhoso estarem juntas de novo?
- Foi, Rique. Fiquei muito feliz.
- Então, Betinha. A vida é feita de momentos. Tem momentos bons e outros não tão bons, mas permita-se viver, permita-se ser feliz com quem hoje lhe faz feliz. Isso é o que importa. Nada nos dá garantia de que esses momentos bons vão durar para sempre, por isso temos que vivê-los intensamente... no presente! O passado, esse já foi, não volta, seja ele bom ou ruim. E o futuro... bom, esse ainda vai ser. Relaxe e deixe seu coração amar de novo. Você precisa disso, meu anjo.
Suspirei. Olhei para ele sorrindo. Sorriu-me também.
- Quer um cafezinho? Ele me perguntou.
- Hummm... Aceito. Seu café é uma delícia.
- Acompanhados de biscoitinhos?
- Hummm... Mais delícia ainda. Falei rindo.
Fomos para a cozinha e conversamos sobre outras coisas. Rafael não estava, tinha saído com o pai dele. Rique não quis sair, pois estava me esperando ir vê-lo. Embora a conversa que tive com Rique me acalmasse, eu ainda sentia meu coração apertado. Queria estar feliz, mas não estava. Meu medo estava aflorado. Medo de sofrer, de decepcionar-me de novo.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
36 - Nem tudo é perfeito
Com muito custo saímos atrasadas para almoçar. Eu estava feliz e morrendo de fome. Ainda tinha um certo receio e pairava uma sombra de medo em meu coração. Tinha medo de envolver-me novamente e de novo sofrer.
Estávamos em um restaurante japonês. Cláudia sempre gostou de comida japonesa. Eu não era tão apaixonada assim, mas apreciava. Cláudia contava-me sobre o período em que morou nas outras cidades. O papo estava muito agradável. De repente meu celular tocou. Pedi licença a ela e o atendi.
- Onde você está mulher? Poxa, deixou esse telefone desligado até agora. Falou um Henrique quase histérico do outro lado da linha.
- Oi, Rique. Um bom dia para você também. Falei divertida.
- Bom dia, Betinha. Desculpe-me, mas é que estou tentando falar contigo desde ontem à noite. Estava preocupado. Tá tudo bem?
- Sim, tudo bem.
- Onde você está? Passei na sua casa agora a pouco e você não estava.
- Eu... tô com a Cláudia.
- Hummm... Está com a Cláudia? Aí, tô gostando de ver. Falou rindo.
- Estamos almoçando.
- Uh-hum. E esse telefone desligado desde ontem? Aconteceu o que eu tô pensando?
- Rique, por favor, né.
- Ai, Betinha, é só dizer sim ou não.
- Você não tem jeito, né? É sim.
- O quê? Jura?
- Rique, depois a gente se fala, ok? Agora eu estou almoçando.
- Tá... tá. Tudo bem. Quero saber de t-u-d-o. Depois você me conta. Estou em cócegas aqui. Henrique falou rindo.
- Tá bom. Mais tarde eu passo aí. Beijos.
- Te espero. Beijos.
Desliguei. Olhei para Cláudia. Ela me observava com um sorriso lindo. Sorri para ela.
- Era o Rique. Falei.
- Eu percebi. Ela disse sorrindo.
Continuamos nosso almoço com o clima descontraído.
- O que você acha de darmos um pulo no Jardim Botânico? Cláudia me perguntou.
- Acho ótimo. Faz tempo que não o visito.
- Ah, mas não mais do que eu. Depois que saí daqui nunca mais o visitei, nem nas pouquíssimas vezes que vim à Curitiba.
- Não deve ter mudado muita coisa. Falei sorrindo.
Saímos do restaurante e fomos em direção ao Jardim Botânico. Ficamos um tempo ali conversando e apreciando a beleza das plantas. Não conversávamos sobre nós. Ela não tocava no assunto e nem eu. Eu que pedi e adorei ter feito amor com ela, mas ainda não sabia se queria assumir um novo relacionamento com ela. Nem sabia se ela queria isso! Ela dissera que me amava. Seria verdade? Ela nunca havia me dito isso, nem na época em que namorávamos. De repente foi apenas no calor do momento. Estava cheia de dúvidas, cheia de medos. Não queria me envolver de novo. Disse várias vezes para mim mesma que não queria me envolver com a Cláudia, e agora estava aqui, ao lado dela, feliz por estar em sua companhia, mas cheia de medos.
- Dez centavos pelos seus pensamentos. Cláudia falou rindo.
- Só dez centavos? É muito pouco. Ri também.
- Eu perguntei se poderíamos voltar para meu apartamento.
- Claro. Já vimos tudo o que tinha para ver. Vamos sim. Disse isso, mas no fundo estava um pouco nervosa. De certa forma estava com receio de ficar a sós com ela de novo.
Voltamos para o seu apartamento. A noite começava a cair. Entramos e ela ofereceu uma bebida. Aceitei um licor. Ela nos serviu. Sentamos no sofá e ela encarou-me. Olhou para suas mãos e voltou a encarar-me. Parecia querer me dizer algo.
- Roberta... eu... é... foi lindo, maravilhoso o que aconteceu entre nós. Eu... eu quero saber se você gostaria de... namorar comigo de novo? Falou e fitou-me com um olhar apreensivo.
Fui pega de surpresa, pois não esperava tal pedido. Meu coração estava acelerado.
- Eu... Cláudia... eu... Desculpe, tô nervosa. Sorri. – Depois do que me aconteceu... digo... o meu passado... eu não sei. Eu... preciso pensar.
- Entendo. Dou-lhe todo o tempo que você precisar. Ela disse e fitou-me com os olhos demonstrando tristeza.
- Eu... tenho medo de me machucar de novo.
- Eu sei que decepcionei-lhe no passado. Sei que lhe fiz mal. Eu a amo tanto, Roberta. Dê-nos essa chance. Cláudia falava com os olhos marejados. – Não quero jamais decepcioná-la novamente. Quero fazer você muito feliz.
- Eu sei, mas preciso... preciso desse tempo, por favor.
- Tá. Tudo bem. Ela disse-me fitando com o olhar triste.
Senti vontade de atirar-me em seus braços e aceitar o pedido de namoro dela, mas não podia agir impulsivamente. Já agi de impulso pedindo para fazermos amor.
- Vamos assistir um filme? Cláudia perguntou-me sorrindo.
- Vamos. Disse. Mais tarde daria uma passada rápida na casa de Henrique. Pensei.
Nisso a campainha toca. Uma vez. Duas vezes. Cláudia olhou-me surpresa.
- Quem será? Ela disse. – Deixe-me ir atender.
Ela levantou-se e foi até a porta. Fiquei sentada no sofá. De onde eu estava dava para ver a porta. Ela abriu e uma mulher muito bonita estava do lado de fora. Cláudia somente a ficou olhando e logo disse:
- Antonia!?
Estávamos em um restaurante japonês. Cláudia sempre gostou de comida japonesa. Eu não era tão apaixonada assim, mas apreciava. Cláudia contava-me sobre o período em que morou nas outras cidades. O papo estava muito agradável. De repente meu celular tocou. Pedi licença a ela e o atendi.
- Onde você está mulher? Poxa, deixou esse telefone desligado até agora. Falou um Henrique quase histérico do outro lado da linha.
- Oi, Rique. Um bom dia para você também. Falei divertida.
- Bom dia, Betinha. Desculpe-me, mas é que estou tentando falar contigo desde ontem à noite. Estava preocupado. Tá tudo bem?
- Sim, tudo bem.
- Onde você está? Passei na sua casa agora a pouco e você não estava.
- Eu... tô com a Cláudia.
- Hummm... Está com a Cláudia? Aí, tô gostando de ver. Falou rindo.
- Estamos almoçando.
- Uh-hum. E esse telefone desligado desde ontem? Aconteceu o que eu tô pensando?
- Rique, por favor, né.
- Ai, Betinha, é só dizer sim ou não.
- Você não tem jeito, né? É sim.
- O quê? Jura?
- Rique, depois a gente se fala, ok? Agora eu estou almoçando.
- Tá... tá. Tudo bem. Quero saber de t-u-d-o. Depois você me conta. Estou em cócegas aqui. Henrique falou rindo.
- Tá bom. Mais tarde eu passo aí. Beijos.
- Te espero. Beijos.
Desliguei. Olhei para Cláudia. Ela me observava com um sorriso lindo. Sorri para ela.
- Era o Rique. Falei.
- Eu percebi. Ela disse sorrindo.
Continuamos nosso almoço com o clima descontraído.
- O que você acha de darmos um pulo no Jardim Botânico? Cláudia me perguntou.
- Acho ótimo. Faz tempo que não o visito.
- Ah, mas não mais do que eu. Depois que saí daqui nunca mais o visitei, nem nas pouquíssimas vezes que vim à Curitiba.
- Não deve ter mudado muita coisa. Falei sorrindo.
Saímos do restaurante e fomos em direção ao Jardim Botânico. Ficamos um tempo ali conversando e apreciando a beleza das plantas. Não conversávamos sobre nós. Ela não tocava no assunto e nem eu. Eu que pedi e adorei ter feito amor com ela, mas ainda não sabia se queria assumir um novo relacionamento com ela. Nem sabia se ela queria isso! Ela dissera que me amava. Seria verdade? Ela nunca havia me dito isso, nem na época em que namorávamos. De repente foi apenas no calor do momento. Estava cheia de dúvidas, cheia de medos. Não queria me envolver de novo. Disse várias vezes para mim mesma que não queria me envolver com a Cláudia, e agora estava aqui, ao lado dela, feliz por estar em sua companhia, mas cheia de medos.
- Dez centavos pelos seus pensamentos. Cláudia falou rindo.
- Só dez centavos? É muito pouco. Ri também.
- Eu perguntei se poderíamos voltar para meu apartamento.
- Claro. Já vimos tudo o que tinha para ver. Vamos sim. Disse isso, mas no fundo estava um pouco nervosa. De certa forma estava com receio de ficar a sós com ela de novo.
Voltamos para o seu apartamento. A noite começava a cair. Entramos e ela ofereceu uma bebida. Aceitei um licor. Ela nos serviu. Sentamos no sofá e ela encarou-me. Olhou para suas mãos e voltou a encarar-me. Parecia querer me dizer algo.
- Roberta... eu... é... foi lindo, maravilhoso o que aconteceu entre nós. Eu... eu quero saber se você gostaria de... namorar comigo de novo? Falou e fitou-me com um olhar apreensivo.
Fui pega de surpresa, pois não esperava tal pedido. Meu coração estava acelerado.
- Eu... Cláudia... eu... Desculpe, tô nervosa. Sorri. – Depois do que me aconteceu... digo... o meu passado... eu não sei. Eu... preciso pensar.
- Entendo. Dou-lhe todo o tempo que você precisar. Ela disse e fitou-me com os olhos demonstrando tristeza.
- Eu... tenho medo de me machucar de novo.
- Eu sei que decepcionei-lhe no passado. Sei que lhe fiz mal. Eu a amo tanto, Roberta. Dê-nos essa chance. Cláudia falava com os olhos marejados. – Não quero jamais decepcioná-la novamente. Quero fazer você muito feliz.
- Eu sei, mas preciso... preciso desse tempo, por favor.
- Tá. Tudo bem. Ela disse-me fitando com o olhar triste.
Senti vontade de atirar-me em seus braços e aceitar o pedido de namoro dela, mas não podia agir impulsivamente. Já agi de impulso pedindo para fazermos amor.
- Vamos assistir um filme? Cláudia perguntou-me sorrindo.
- Vamos. Disse. Mais tarde daria uma passada rápida na casa de Henrique. Pensei.
Nisso a campainha toca. Uma vez. Duas vezes. Cláudia olhou-me surpresa.
- Quem será? Ela disse. – Deixe-me ir atender.
Ela levantou-se e foi até a porta. Fiquei sentada no sofá. De onde eu estava dava para ver a porta. Ela abriu e uma mulher muito bonita estava do lado de fora. Cláudia somente a ficou olhando e logo disse:
- Antonia!?
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