quinta-feira, 1 de maio de 2008

30 - Enfim o almoço de domingo

O domingo chegou. Já estava na casa de Rique. Cláudia ainda não tinha chegado. Sentia-me ansiosa pela chegada dela. Estávamos na sala e Rafael estava nos contando mais uma de suas aventuras no trabalho. Ríamos do jeito que ele contava, que era cheio de trejeitos.

O interfone tocou e meu coração começou a pular de forma alucinada dentro do peito. Rafael foi atender e avisou que era Cláudia. Ela estava subindo. E eu a cada segundo que se passava tinha a impressão de que meu coração iria explodir de tanto que batia. Ela tocou a campainha e Rafael foi abrir. Ela entrou. Estava linda. Meu coração? Parecia que fazia parte da bateria de uma escola de samba.

Cumprimentou Henrique e Rafael com abraços e beijinhos. Na minha vez ela me olhou e deu um sorriso lindo. Tremi com a intensidade de seu olhar. Abraçou-me e aproximou seu rosto do meu. Tremi mais ainda. Senti seus lábios macios roçarem levemente minha bochecha num beijo suave e cálido. Seu perfume era inebriante. Minhas pernas estavam bambas. Será que ela ouviu meu coração batendo, porque era essa a impressão que eu tinha. Ela me olhava e me sorria. Céus, eu estava com uma vontade imensa de beijá-la. Essa minha carência estava querendo me por em maus lençóis, até porque se fosse para me envolver com alguém, não seria com ela. Definitivamente não seria ela!

Nos sentamos na sala e estávamos conversando. Até que num determinado momento Cláudia falou que eu tinha um admirador secreto.

- Não! E você não ia me contar sobre isso, sua ingrata! Rique falou fingindo estar bravo.

- É... Que não deu tempo. Falei e na realidade não queria contar porque sabia que ele iria me zoar com isso.

- Não deu tempo, né? Safada! Disse e se virou para Cláudia. – Cláudia, quantos buquês ela já recebeu? Rique perguntou.

- Pelo que eu sei já foram três. Falou rindo. – E segundo Magali...

- Essa Magali é muito boa. Rafael falou rindo.

- Pois é. Eu disse. Agora eu iria ouvir de tudo. Pensei.

- Então, segundo Magali foram dois buquês imensos e um outro menor acompanhado de uma caixa de maravilhosas e saborosas Nhá Bentas. Cláudia falou.

- O quê? Rique arregalou os olhos. – Até Nhá Benta você ganhou! Sua bandida e nem me trouxe umazinha para eu saborear. Sabe que eu adoro também. Falou indignado.

- Não deu tempo também. Falei gargalhando.

- Comeu tudo, né? Rique perguntou. – Vai te dar dor de barriga!

- É ruim, hein. Claro que comi, não ia deixar o calor derretê-las. Hummm.... estavam uma delícia.

- Derreter? Não deve nem ter dado tempo pra isso. Henrique falou rindo.

- Ei... Eu quero um admirador secreto também. Rafael falou.

- Rafael! Nada de admiradores anônimos. Você tem a mim, que sou seu admirador confesso. Henrique falou olhando apaixonado para Rafael.

- Mas você sabe quem é, Roberta? Rafael perguntou-me.

- Não tenho a mínima idéia de quem seja. Eu disse.

- Será que é homem ou mulher? Rique perguntou.

- Não sei, não tenho nenhuma pista. Falei e sorri. – Mas gostaria que fosse uma mulher.

- Hummm... Fico feliz de ver que está querendo que seja uma mulher. Sinal de que está ficando com o coraçãozinho aberto, né meu anjo. Rique falou.

- Não é bem assim, Rique. Falei séria. – Não quero ninguém por enquanto.

Henrique olhou para Cláudia e disse com o olhar: “Não lhe falei.”

- E você, Cláudia? O que fez da vida nesses anos todos? Se casou? Henrique perguntou, pois precisava fazer com que Roberta soubesse disso, já que não se sentia bem em ter segredos dela.

- Morei em várias cidades. Salvador, Belo Horizonte. Fortaleza e por último São Paulo. Mas decidi que não saio mais de Curitiba. Essa é a cidade que eu amo. E sim, me casei, mas já me descasei. Cláudia disse e olhou para mim.

- Casou e já se descasou? Rafael perguntou.

- Sim, Rafael. Meu casamento foi um erro desde o início. Antonia era muito manipuladora e acabou convencendo-me que o melhor era termos uma vida em comum, mas nossa convivência foi um horror desde o início. Ela era muito ciumenta e queria me controlar em tudo. Não me deixava respirar e sentia-me sufocada nesta relação. Resolvi que não dava mais.

- E ela aceitou o rompimento numa boa? Henrique perguntou.

- Não, até hoje ela não aceita.

- Pelo visto a mulher não é fácil, hein? Rafael comentou.

- Nem um pouco. Mas chega de falar de mim. Cláudia disse e me olhou. – E você, Roberta. Se casou também?

- Sim e estou há dois anos sozinha. Disse e olhei para Henrique que sabia ser aquele um assunto delicadíssimo. Se continuasse acabaria me desmanchando em choro.

- Aceita um vinho do porto, Cláudia? Henrique perguntou para desviar o assunto.

- Aceito sim.

- Vocês também querem? Henrique perguntou para mim e Rafael.

- Quero. Rafael disse.

- Eu também. Falei.

- Então vou providenciar. Disse e saiu para buscar o tal vinho.

- Cláudia, é bom morar em São Paulo? Rafael perguntou.

- Isso depende. Se você gosta de uma vida agitada, é ótimo. Se você gosta de uma vida calma, é insuportável.

- Então para mim seria ótimo, mas para Rique seria insuportável. É que recebi uma proposta da empresa para trabalhar lá algum tempo atrás e nós dois combinamos que seria melhor ficar em Curitiba mesmo. É que eu fiquei com isso na cabeça, sabe. Mas agora vejo que foi a melhor decisão.

- Olha, sou suspeita para falar de Curitiba. Eu amo essa cidade, então qualquer cidade que você queira comparar com ela vai ser covardia. Cláudia disse e riu. – Curitiba pra mim sempre vai ganhar todas.

- Acho que para mim também. Eu adoro morar aqui. Rafael falou.

- Pronto. Um cálice para cada um. Se vocês ficarem bêbados, comportem-se, hein. Rique falou rindo.

Cada um pegou um cálice e continuamos a conversar. Henrique, volta e meia, saía para ver como estava o almoço. Tudo pronto. Arrumou a mesa e iniciamos o tão esperado almoço de domingo. E a conversa fluía descontraída.

Assim que o almoço terminou ofereci-me para lavar a louça. Henrique não queria deixar, mas acabei convencendo-o. Disse que ele enxugaria então. Ele disse que não, que Cláudia enxugaria a louça porque ele iria namorar um pouquinho com Rafael. Falou rindo e nos deixou sozinhas na cozinha.

- Sobrou pra você. Olhei para Cláudia e falei rindo.

- Então vamos deixar essa louça brilhando. O que você prefere, lavar ou enxugar? Cláudia perguntou.

- Hummm... Você lava? Perguntei fazendo uma carinha levada.

- Claro. Mãos à obra.

Cláudia lavava a louça e eu enxugava, até que ela terminou de lavá-la. Conversávamos sobre nossa preferência sobre filmes. Estava enxugando um talher quando ele escorregou de minhas mãos e foi ao chão. Nos abaixamos simultaneamente para pegá-lo. Ficamos agachadas de frente para a outra. Nos encaramos. Cláudia pegou o talher e jogou-o na pia. Eu paralisei-me. Ela pegou em meus braços e fomos nos levantando. Aproximou-se de mim e ficamos frente a frente. Nossos olhares estavam presos um no outro. Eu estava sem ação. Meu coração pulava no peito. Sentia-me hipnotizada por seus olhos verdes. Meu coração pulava loucamente no peito. Sua mão subiu até meu rosto e ela deslizou-a suavemente nele. Fechei os olhos e senti que ela se aproximou mais. Abri-os e mergulhei no verde de seus olhos. Senti seu hálito quente. Estávamos a poucos centímetros uma da outra. Sua outra mão agarrou minha cintura e puxou-me suavemente ao seu encontro. Nossas bocas se encontraram, primeiro um leve contato, um suave roçar de lábios, que foi aprofundando e dando lugar a um beijo cheio de paixão. Senti sua língua invadindo-me, provocando-me arrepios intensos pelo corpo todo. Arrepiei-me. Senti-me viva, meu corpo todo vibrava de emoção. Correspondi de forma apaixonada ao beijo. Abracei-a e minhas mãos percorriam suas costas, subi uma mão até seus cabelos e enfiei a mão neles. O que eu sentia era uma saudade imensa daquela boca, daquele corpo. Meu desejo era fazer amor com ela. Meu sexo latejava de vontade por um contato mais íntimo. Foi um beijo demorado, apaixonado.

- Meninas, vocês... Putz, desculpa, não estou mais aqui. Henrique entrou e saiu no mesmo instante da cozinha.

Nos separamos rapidamente. Olhei para ela. Eu estava assustada com tudo que senti com o beijo. Ela sorriu-me de forma cativante. Virei-me rapidamente e saí da cozinha sem dizer nada. Não estava acreditando no que tinha acontecido. Isso não podia ter acontecido. Não podia. O que deu-me para deixar isso acontecer? Droga, e agora?

- Roberta, cadê a Cláudia? Henrique perguntou-me sorrindo.

Olhei para ele sentindo-me desnorteada.

- Ela... Ela... está na cozinha. Respondi.

- Você está legal? Henrique perguntou preocupado.

Olhei novamente para ele já me recompondo.

- Claro, eu estou bem. Tentei sorrir.

- Hummm... tá. Deixe-me ver Cláudia na cozinha. Disse e foi para lá.

Sentei-me no sofá. Rafael estava separando um filme para assistirmos. Logo Henrique e Cláudia apareceram. Não conseguia olhar para ela. O que ela estaria pensando? Droga, droga, mil vezes droga!

- Gente, vou fazer uma pipoca. Henrique falou e saiu para providenciar.

- Meninas, tenho aqui um romance e aqui um suspense ótimo. O que vocês preferem? Rafael perguntou segurando um filme em cada mão e ficava olhando ora para mim ora para Cláudia, esperando ansioso pela nossa resposta.

- Eu gosto dos dois gêneros. O que for tá valendo. Cláudia respondeu e senti que ela me olhou.

- Pra mim também. Respondi sem olhar para ela.

- Mas que indecisão, hein. Então vamos deixar Henrique escolher, já que para vocês duas tanto faz qualquer um. Rafael disse sorrindo. – Se preferirem tem um de terror também.

- Não de terror eu não gosto. Cláudia falou. – Mas adoro um suspense, romance ou drama.

Eu precisava sair dessa inércia em que me encontrava. Não podia deixar ela perceber que eu tinha ficado abalada com um simples beijo.

- Não gosta de um terror? Perguntei e encarei-a pela primeira vez desde que saí da cozinha. Céus, ela era muito linda.

Ela olhou-me e sorriu.

- Se a companhia for excelente até arrisco ver um. Cláudia disse. – Especialmente se puder agarrá-la.

- Gostei dessa. Rafael falou empolgado. – Vou assistir mais filmes de terror com Rique só pra ficar agarrando ele. Humm... vai ser ótimo.

- Olha a pipoca. Henrique voltou com uma vasilha bem grande lotada de pipocas.

- Nossa! Você não acha que é muita pipoca, Rique. Falei rindo.

- Ah, se for muita a gente faz uma guerrinha aqui. Henrique disse e soltou uma gargalhada.

- Amor, você escolhe o que vamos assistir. Um suspense ou um romance?

- Eu escolho? Então deixe eu ver... Hummm... Olhou para mim e depois para Cláudia. – Acho que um romance cai bem. Ai, e quem não gosta, não é? Henrique falou e botou a mão na boca. – Vamos ao filme.

Nos ajeitamos para ver o filme. Rique deitou-se no colo de Rafael para ver o filme. Eu e Cláudia nos sentamos no sofá de dois lugares. Ela parecia estar relaxada. Eu estava tensa. Tinha receio de encostar-me nela. Confesso que sentia vontade de aconchegar-me nela, mas imediatamente repreendia esta vontade. Sinceramente não estava reconhecendo minha reação ao estar perto dela. Ainda sentia o gosto de seu beijo em meus lábios. Eu queria mais, essa era a verdade. Tentava concentrar-me no filme, mas estava difícil.

O final do filme chegou e estávamos os quatro com lágrimas escorrendo pelo rosto. Nos olhamos e rimos à beça. Estávamos com cara de bobos. Conversamos mais um pouco.

- Agora eu preciso ir. Cláudia anunciou.

- Ah, não. Vamos jogar um carteado? Rique falou.

- Não posso, Henrique. Tenho algumas coisas para resolver, mas prometo que de uma próxima vez jogamos esse carteado. Pode ser?

- Fazer o quê, né. Preferia jogar agora.

- É sério. Não posso, Henrique. Preciso mesmo ir. Cláudia disse e levantou-se.

Levantamos-nos e ela despediu-se de Henrique.

- Obrigada pelo dia maravilhoso que você me deu. Cláudia disse e deu um beijo em seu rosto. Abraçou e beijou Rafael também. – Adorei o dia, meninos. Vou fazer um almoço também e todos estão convidados. Vamos combinar o dia depois.

- Tá certo, Cláudia. Combinado. Rique falou.

Ela se virou e me olhou. Aproximou-se de mim e abraçou-me. Deu-me um beijo na trave. Meu coração batia alucinado dentro do peito.

- Tchau, Roberta. Se cuide, tá.

- Tá. Tchau, Cláudia.

Assim que ela saiu do apartamento, Rique me olhou.

- Vai me contar tudinho. Rafael, você poderia nos deixar a sós um pouquinho, meu amor?

- Claro, vou para o quarto. Rafael disse e saiu da sala.

- Então, Betinha. Conte-me tudo e não me esconda nada.

Olhei para ele fuzilando-o.

– Contar o quê, Rique? Perguntei meio brava.

- O b-e-i-j-o. Eu vi, tá. Aliás, eu interrompi. Maldita hora que eu entrei na cozinha, se eu soubesse o que estava rolando lá não teria entrado.

- Foi um beijo que não deveria ter acontecido.

- Mas aconteceu. Diga-me, quem beijou? Você ou ela?

- Ela me beijou.

- Ai, me conta como foi, Betinha.

Olhei para ele e fiquei vermelha.

- Foi... Foi bom.

- Bom?! Só isso?

- Não, foi maravilhoso, tá. Agora tá satisfeito?

- Hummm... Agora estou. O que você está sentindo por ela? Henrique perguntou curioso.

- Não sei. Acho que é carência, sabe. Estou há tanto tempo sem ninguém e...

- Você está apaixonada por ela?

- Eu? Apaixonada? Pela Cláudia? Perguntei assustada.

- Calma. É só dizer sim ou não.

- Não. Eu não... não estou.

- Mesmo, Betinha? Rique insistiu.

- Eu só tô carente, é isso.

- Carência. Humm... sei. Teve vontade de beijar ela de novo?

- O que é isso, Rique? Um interrogatório?

- Responder não dói, Betinha.

Olhei pra ele e suspirei.

- Sim, tive vontade de beijar ela de novo sim, mas isso não quer dizer nada. Disse isso e ele ficou me olhando e sorrindo. – Vou embora também.

- Mas ainda é cedo, Betinha.

- Tô precisando ficar sozinha, meu amigo.

- Tá bom. Se precisar já sabe, é só me ligar, tá.

- Tá, eu sei.

Despedi-me dele e fui até o quarto despedir-me de Rafael. Ao invés de ir para casa, fui ao parque Bacacheri. Precisava caminhar um pouco para espairecer minhas idéias. Eu estava confusa. Muito confusa. O beijo abalou-me, pois não esperava sentir a avalanche de sensações que eu senti. Foi tão intenso que tive vontade de amá-la naquela cozinha mesmo. Acho que se Henrique não tivesse aparecido, eu teria me entregado a ela ali mesmo, pois eu estava alucinada de paixão. Como pude perder minha razão com apenas um beijo? Cláudia você passou a ser um perigo em minha vida. Um doce e delicioso perigo.

3 comentários:

Anônimo disse...

uoooow!
ameeeeeeeeeeei esse capitulo!
:D

N@di@ Tetéia disse...

Que cena Gatafield!!!!!!!!!!!!!
Uauu de tirar o fôlego!!!!!

"Eu paralisei-me. Ela pegou em meus braços e fomos nos levantando. Aproximou-se de mim e ficamos frente a frente. Nossos olhares estavam presos um no outro. Eu estava sem ação. Meu coração pulava no peito. Sentia-me hipnotizada por seus olhos verdes. Meu coração pulava loucamente no peito. Sua mão subiu até meu rosto e ela deslizou-a suavemente nele. Fechei os olhos e senti que ela se aproximou mais. Abri-os e mergulhei no verde de seus olhos. Senti seu hálito quente. Estávamos a poucos centímetros uma da outra. Sua outra mão agarrou minha cintura e puxou-me suavemente ao seu encontro. Nossas bocas se encontraram, primeiro um leve contato, um suave roçar de lábios, que foi aprofundando e dando lugar a um beijo cheio de paixão. Senti sua língua invadindo-me, provocando-me arrepios intensos pelo corpo todo. Arrepiei-me. Senti-me viva, meu corpo todo vibrava de emoção. Correspondi de forma apaixonada ao beijo. Abracei-a e minhas mãos percorriam suas costas, subi uma mão até seus cabelos e enfiei a mão neles. O que eu sentia era uma saudade imensa daquela boca, daquele corpo. Meu desejo era fazer amor com ela. Meu sexo latejava de vontade por um contato mais íntimo. Foi um beijo demorado, apaixonado."

uauuuuu.........

Karine disse...

Oi moça...
Venho acompanhando sua estória desde o XinB, e está maravilhosa.
Espero ansiosa por cada capitulo.
Envolvente, sensível e sem perder o ritimo, ou seja na medida!
Muito bom!
Tenha um ótimo fim de semana!
:)

0/ té +!