quinta-feira, 8 de maio de 2008

37 - Fantasmas do passado

- O que você está fazendo aqui? Perguntei perplexa não acreditando que estava vendo Antonia na minha frente.

- Boa noite pra você também, Cláudia. Antonia falou. Não vai me convidar para entrar? Perguntou sorrindo insinuante.

Fiquei olhando para ela não acreditando que estava aqui. Como ela me achou? Como tem meu endereço? Como entrou no prédio? Senti um nó forte no estômago. Ela era a última pessoa que eu queria ver. Senti uma vertigem e escorei-me na porta, nisso Antonia entrou, aproveitando o espaço que surgiu.

- Ora, ora... Vejo que você não perdeu tempo, dona Cláudia. Antonia disse olhando para Roberta, que levantou-se do sofá e ficou olhando para Antonia. – Anda trazendo outras mulheres para o seu apartamento. Hummm.... vejo que continua com seu bom gosto.

- O que você está fazendo aqui, Antonia? Perguntei visivelmente alterada.

- Ora, meu amor. Eu vim tomar o meu lugar. Somos casadas, lembra?

- Não somos mais. Se esqueceu?

- Dei-lhe apenas um tempo para organizar as suas idéias. Agora vim para assumir o meu lugar ao seu lado. Antonia disse sorrindo cinicamente.

Roberta pegou sua bolsa e encaminhou-se para a porta.

- Roberta, espere! Eu disse quase desesperada.

Roberta se virou, me fitou com um olhar que não consegui decifrar.

- Não quero atrapalhar, Cláudia. Sua mulher está aí. Não tenho mais nada para fazer aqui.

- Ex-mulher. Eu disse enfática.

- Tchau, Cláudia.

- Não! Roberta... espere...

E Roberta saiu porta afora. Senti uma mão pesada apertando meu coração. Justo quando eu estava entendendo-me com Roberta, aparece-me Antonia. Virei-me para ela com ódio no olhar. Acho que ela nunca me vira assim antes, pois recuara dois passos.

- Agora você vai me ouvir, Antonia. Falei brava, fuzilando-a com o olhar.

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Saí do apartamento de Cláudia e fui para o elevador, saí dele quase chorando. Aquela era Antonia, a mulher com quem Cláudia disse que se casara, mas tinha dito que não estavam mais casadas. A mulher era linda. E pelo visto ainda estavam de rolo. A outra não viria até aqui se ainda não existisse algo entre elas. Droga, estava sem meu carro. Tinha vindo de carona com Cláudia. Pedi ao porteiro para chamar um táxi para mim. Logo o táxi apareceu e dei-lhe um endereço. Lágrimas teimavam em descer pelo meu rosto. Eu tentava em vão secá-las com a mão.

Cheguei ao apartamento de Henrique e joguei-me nos braços dele. Deixei toda decepção que estava sentindo transformar-se num choro copioso, dolorido. Ele abraçou-me com carinho. Nada me perguntou. Fiquei um tempo em seu abraço.

- O que aconteceu, Betinha? Você estava tão feliz hoje à tarde quando nos falamos.

Olhei triste para ele, com meus olhos avermelhados de tanto chorar.

- O amor... não é... para mim, Rique. Falei fungando e novamente lágrimas escorriam pelo meu rosto.

- Vem cá. Vamos sentar. Quero entender o que aconteceu. Vocês pareciam estar bem, meu anjo.

- Estávamos.

- O que aconteceu, Betinha? Vocês brigaram?

- Não, Rique. Estávamos bem, passamos um dia super agradável...

- Então o que aconteceu?

- A mulher dela apareceu. Falei sentindo o coração sangrar.

- Mulher? Da Cláudia? Rique perguntou perplexo.

- Sim.

- Mas, peraí... ela não tinha saído dessa relação? Disse que tinha se separado.

- Parece que não, porque a tal da Antonia apareceu lá como se ainda estivessem juntas.

- Ah, não. Cláudia não ia mentir. Lembra que ela falou que essa mulher era doida de pedra e que inclusive tinha receio de que ela aparecesse por aqui?

- Me lembro.

- Pois então, essa mulher é maluca. Me diz uma coisa, como foi a reação de Cláudia quando viu essa Antonia?

- Parece que não esperava vê-la.

- Recebeu ela bem... digo, com abraços e beijos?

- Não, isso não. Cláudia a recebeu muito seca, brava eu diria.

- Então, Betinha, se ainda rolasse algo entre elas a recepção seria outra.

- Sei lá, Rique. Eu agora estou tão confusa.

- Confusa? Por quê?

- Quando eu acho que as coisas estão começando a ir bem, quando eu acho que posso amar de novo, quando eu crio coragem para pensar nisso, em assumir um namoro... acontece isso.

- Que é isso, Betinha. Eu sei que a Cláudia lhe ama. Ela me disse isso, tá. Rique disse pegando em meu rosto fazendo-me olhar para ele. – Ela te ama, meu anjo. Acredite nisso. Ele me diz sorrindo.

- Ela me disse que me ama. Falei olhando para ele sorrindo e ficando com a face corada.

- Viu. E quando ela disse? Perguntou sorrindo.

- Seu bobo, não interessa, tá.

- Hummm... já sei... foi assim, entre beijos pra cá, beijos pra lá...

- Para, tá.

- E não foi? Rique perguntou rindo.

- Foi. Respondi rindo também.

- Olha, Betinha, Cláudia vai colocar essa mulher para correr. Ela não gosta mais dela. Você vai ver. Acho que amanhã isso já estará resolvido.

- Espero que sim. Eu falei e olhei para ele. – Ela me pediu em namoro.

- Uau... Tá vendo. Se ela não amasse você não iria fazer-lhe um pedido desses. E você respondeu o quê?

- Pedi um tempo para pensar.

- Quê? Não acredito! Por que não aceitou logo, você também gosta dela.

- Eu... ainda tenho medo de me entregar de novo, de me envolver e... acabar sofrendo de novo.

- Betinha, meu anjo, você já está envolvida com ela. Não foi maravilhoso estarem juntas de novo?

- Foi, Rique. Fiquei muito feliz.

- Então, Betinha. A vida é feita de momentos. Tem momentos bons e outros não tão bons, mas permita-se viver, permita-se ser feliz com quem hoje lhe faz feliz. Isso é o que importa. Nada nos dá garantia de que esses momentos bons vão durar para sempre, por isso temos que vivê-los intensamente... no presente! O passado, esse já foi, não volta, seja ele bom ou ruim. E o futuro... bom, esse ainda vai ser. Relaxe e deixe seu coração amar de novo. Você precisa disso, meu anjo.

Suspirei. Olhei para ele sorrindo. Sorriu-me também.

- Quer um cafezinho? Ele me perguntou.

- Hummm... Aceito. Seu café é uma delícia.

- Acompanhados de biscoitinhos?

- Hummm... Mais delícia ainda. Falei rindo.

Fomos para a cozinha e conversamos sobre outras coisas. Rafael não estava, tinha saído com o pai dele. Rique não quis sair, pois estava me esperando ir vê-lo. Embora a conversa que tive com Rique me acalmasse, eu ainda sentia meu coração apertado. Queria estar feliz, mas não estava. Meu medo estava aflorado. Medo de sofrer, de decepcionar-me de novo.

Um comentário:

Sedutora disse...

Estou anciosa pelo proximo capitulo....nao quero que Roberta fique sofrendo, agora que ela decidiu dar uma chance novamente ao amor.