domingo, 11 de maio de 2008
Queridas leitoras,
Muito obrigada pelos e-mails, comentários no blog (eu leio todos eles..rsrs), pelos elogios, pelos parabéns, pelas pequenas "broncas" de terminar os capítulos no "momento errado", por alguns capítulos terem sido curtos..rsrs... Obrigada pelo carinho de vocês! É muito gratificante saber que o meu tempo dispendido no ato de escrever um conto foi merecidamente recompensado. É um prazer escrever e compartilhar um conto com vocês.
Para quem é mãe... desejo um Feliz Dia das Mães, seja de filhos humanos, caninos ou felinos. Eu, por exemplo, sou mãe de oito belos gatos! rsrs
Tenham um belo domingo
e um beijo para vocês
Gatafield
PS: Poxa, que pena... acabou!!!
Muito obrigada pelos e-mails, comentários no blog (eu leio todos eles..rsrs), pelos elogios, pelos parabéns, pelas pequenas "broncas" de terminar os capítulos no "momento errado", por alguns capítulos terem sido curtos..rsrs... Obrigada pelo carinho de vocês! É muito gratificante saber que o meu tempo dispendido no ato de escrever um conto foi merecidamente recompensado. É um prazer escrever e compartilhar um conto com vocês.
Para quem é mãe... desejo um Feliz Dia das Mães, seja de filhos humanos, caninos ou felinos. Eu, por exemplo, sou mãe de oito belos gatos! rsrs
Tenham um belo domingo
e um beijo para vocês
Gatafield
PS: Poxa, que pena... acabou!!!
40 - O eterno enigma das rosas
Cláudia estava linda atrás de um imenso buquê de rosas vermelhas, igual ao que eu recebia do tal admirador. E tinha mais um embrulho em suas mãos.
- Boa noite, Roberta. Cláudia falou presenteando-me com um sorriso lindo.
- Boa noite, Cláudia. Falei encantada pelo seu sorriso.
- Para você. Disse-me estendendo o buquê.
- Obrigada. São lindas. Falei pegando o buquê. – Desculpe... Entre, por favor. Falei dando passagem para ela entrar.
Entramos e fui pegar um vaso para colocá-las.
- Não vai ler o cartão? Cláudia perguntou-me.
- Claro. Peguei-o e abri. Fiquei de boca aberta. Estava escrito: “Minha princesinha, você é uma linda mulher. Com todo o meu amor. Acompanhados com doces beijos de chocolate. Cláudia.”
Olhei para ela sem acreditar. As iniciais “MP” significavam “minha princesinha”. Pensei. Nunca tinha pensado nessa hipótese.
- Sempre foi você. Afirmei sorrindo.
- Sim, sempre. Respondeu sorrindo de forma cativante. – Ah, este também é para você. Disse-me estendendo o embrulho que estava em suas mãos.
Só de olhar já desconfiava o que seria. Peguei e o desembrulhei. Era o que eu imaginava. Nhá Benta. Minha perdição em chocolate. Olhei para ela e não resisti, atirei-me em seus braços. Nos abraçamos. Eu estava com uma vontade imensa de beijá-la. Resolvi conter-me, pois primeiro eu precisava saber o que tinha acontecido em São Paulo.
- Obrigada, Cláudia.
- Se você não fosse tão cabeça dura teria descoberto ontem mesmo. Ela falou-me sorrindo.
- Ontem? O que eu recusei? Perguntei arregalando os olhos.
- Sim.
- Poxa, como eu ia saber. Lamentei dando-lhe um sorriso. – Mas pelo menos acabou com a curiosidade insaciável da Magali. Eu acho. Não resistimos e caímos numa gargalhada gostosa.
- Já imaginou você tendo que dizer para ela quem é o “seu” admirador secreto.
- Vixe, Cláudia. Acho que Magali iria cair dura ao saber disso. Rimos mais ainda.
Eu estava com a caixa de Nhá Benta em minhas mãos. Abri-a.
- Aceita uma? Ofereci a ela.
- Hummm... Antes do jantar? Perguntou-me sorrindo.
- É mais gostoso comermos a sobremesa antes. Falei fazendo cara de sapeca.
- Assim fica irresistível. Hummm... Aceito. Cláudia disse e pegou uma. Peguei uma também.
Observei-a fazendo o furinho com os dentes. Tinha ensinado-a no passado a degustar o chocolate dessa forma. Sorri comigo mesma.
- Por que você está sorrindo? Ela perguntou olhando-me.
- É que você nunca esqueceu o jeito que eu lhe ensinei a comer Nhá Benta.
- Ah, mas com uma professora desta como eu esqueceria? Falou sorrindo e me olhou firmemente.
Perdi-me em seu olhar. Sentia-me hipnotizada por ele. Sorrimos cúmplices. Voltei a minha atenção para o chocolate. Parecíamos duas crianças devorando o doce preferido. Depois de saborearmos essa delícia de pecado, fomos ao restaurante jantar. Cláudia tinha feito as reservas. Sentamo-nos à mesa e fomos prontamente atendidas. Conversávamos sobre diversas coisas. Tinha curiosidade sobre o que aconteceu em São Paulo e o porquê dela ter ido para lá, mas não queria perguntar. Queria que ela falasse por vontade dela. Nosso pedido chegou e fomos servidas. Cláudia demonstrava estar feliz. Falava quase sem parar e ria muito. Estava divertindo-me muito na companhia dela.
Tão jovem apaixonei-me por ela, mas não foi possível ficarmos juntas. Não era para ser naquela época. Depois conheci Cristina, que foi uma companheira formidável em minha vida, um período maravilhoso que vivemos juntas. Era alguém que eu amei e que sempre lembrarei com todo amor e carinho. Se não fosse o destino ser cruel, estaríamos juntas até hoje. Mas esse mesmo destino, que é cruel às vezes, colocou-me novamente Cláudia em minha vida, dando-me a oportunidade de tentarmos construir algo, quem sabe uma vida em conjunto, compartilhando nossos sonhos, nossas alegrias, nossas tristezas também. Estarmos sempre lado a lado. Juntas, para o que der e vier. Era isso o que eu queria viver com Cláudia. E era o que eu esperava que ela quisesse também. Ela era a mulher que eu amava.
- Ainda bem que consegui fazer com que Antonia entendesse que não tínhamos mais nada. Cláudia falou sorrindo para mim.
- Que bom que tudo se resolveu. Mas por que você precisou ir para São Paulo? A curiosidade por essa resposta me deixava agoniada.
- Bom, eu tinha que retornar para lá mesmo, tinha um assunto do banco que demandava a minha presença e eu iria provavelmente nesta semana ou no máximo semana que vem. Daí resolvi unir o útil ao não tão agradável, ou seja, a companhia de Antonia. Eu queria ter a certeza de que ela fosse embora daqui e que não ficasse azucrinando a minha vida, por isso fui com ela. Foi melhor, resolvi o assunto do banco e resolvi de vez minha situação com ela. Tivemos uma longa conversa e desta vez ela entendeu que não temos mais nada.
Ela terminou de falar e eu estava encarando-a com um sorriso imenso.
- Então agora você está disponível? Perguntei brincando.
- Epa! Eu sempre estive disponível. Cláudia falou rindo.
- Folgo em saber, dona Cláudia. Disse e encarei-a com um olhar apaixonado. Ficamos presas uma no olhar da outra. Cláudia deu-me um sorriso lindo.
Continuamos conversando sobre várias coisas, mas nossos olhares não se desgrudavam e promessas de amor silenciosas passeavam neles. Meu coração estava plenamente feliz. Sentia-me como há muito não me sentia. Leve e feliz.
Acertamos a conta, Cláudia queria pagar toda ela e não deixei. Eita mulher cabeça dura, achava que tinha que pagar tudo. Saímos do restaurante igual a duas crianças felizes, rindo à toa.
Chegamos ao meu prédio e Cláudia deu a entender que já iria embora. Ah, mas de jeito nenhum!
- Vamos subir, Cláudia. Convidei-a.
- Não, Roberta. Fica para a próxima.
- Ah, não! Você vai subir sim, nem que seja só para tomar uma bebidinha. Você disse na última vez que na próxima subiria. Tá me devendo uma visita.
- Tá bom. Eu aceito a bebida. Cláudia disse sorrindo.
- Oba! Então vamos.
Saímos do carro e subimos ao meu apartamento. Abri a porta e pedi que Cláudia entrasse primeiro. Ela entrou, entrei também e fechei a porta. No instante seguinte virei-me e a prensei na parede.
- Roberta? Cláudia falou surpresa.
- É sim. Falei encarando-a com meus olhos famintos de amor.
- Sim? O quê?
- SIM. É a minha resposta. Falei aproximando-se de seu pescoço, cheirando-o e beijando-o em seguida. Ouvi Cláudia soltar um gemido.
- Resposta? Cláudia perguntou ofegante.
Parei de beijar seu pescoço e encarei-a. Dei um imenso sorriso.
- Você não perguntou se eu queria namorar com você? Vai fugir da raia agora? Perguntei, minhas mãos passeavam pelo seu corpo delicioso, provocando-a.
- Fugir da raia? Nunca! Quem eu mais quero nessa vida é você. Cláudia disse e abraçou-me. Tomou minha boca num beijo ardente, cheio de paixão. Nossas línguas se enroscavam, assim como nossos corpos queriam ser um só.
Desvencilhamo-nos das nossas roupas. Ansiávamos pelo contato de nossas peles. Nossas respirações se misturavam. Nossos gemidos ecoavam pela sala. Deitamos no sofá. Cláudia deitou por cima de mim. Cobriu com sua boca cada pedacinho do meu corpo, provocando-me ao extremo. Beijava-me, lambia-me, às vezes, mordiscava-me. Eu estava encharcada, meu sexo estava intumescido e pulsava forte. Nossos olhos se encontravam e estavam inflamados de desejo, de amor. Então ela penetrou-me com seus dedos, movimentando-os deliciosamente em mim. Nossos corpos entrelaçados e suados queriam se fundir num só. Nossas respirações misturadas. Nossos olhares presos um no outro, se desgrudavam somente para nos beijarmos. Gemidos. A sala foi tomada por uma sucessão de gemidos. Meus e dela. Eles se confundiam. O movimento de sua mão tornou-se mais intenso, meu corpo começou a contorcer-se cada vez mais e mais eu rebolava, até sentir-me explodir num gozo pleno, completo e intenso. Senti-me ser transportada para outra dimensão. Fui recobrando minhas forças. Saí do sofá e a puxei para o quarto. Empurrei Cláudia na cama e deitei sobre ela. Eu queria amá-la por inteiro, sentir cada milímetro de sua pele cheirosa e macia. Sentir seu gosto novamente, pois precisava alimentar meu vício. Tomei posse de seu corpo, provoquei-a com minha boca, com minha língua, com minhas mãos, até o momento em que a senti tremer toda, oferecendo-me seu gozo para bebê-lo. Amamo-nos noite adentro, até que saciadas adormecêssemos.
-------------------------------------------------------
Acordei satisfeita e feliz. Muito feliz. Estava namorando Roberta de novo. Com o episódio do aparecimento repentino de Antonia achei que Roberta nunca mais quisesse falar comigo. Resolvi de última hora ir para São Paulo, precisava despachar Antonia logo. Entrei em parafuso quando ligava para Roberta e seu celular estava desligado, cheguei a imaginar que ela tivesse feito de propósito. E quando liguei para sua casa e não atendeu, nesse momento tive certeza de que ela não me queira mais em sua vida. Eu não podia entregar os pontos assim, eu precisava ouvir da sua boca que ela não queria mais nada comigo. Liguei para o trabalho e disseram-me que ela não estava. Fiquei extremamente triste e pedi que dissessem a ela que eu ligaria à noite para sua casa. Tive medo de que ela não atendesse. O desespero tomava conta de mim. Ter Roberta tão perto de mim para logo em seguida perdê-la dessa maneira tão boba sangrava meu coração. Doía demais. Resolvi por fim ao mistério das rosas. Assumi a autoria do envio dos buquês, cuja idéia tive depois da minha primeira conversa com Henrique, quando soube que ela não queria mais amar ninguém. Queria com essa atitude semear a vontade dela em se interessar por alguém de novo. Amolecer seu coração para um novo amor. Gostava de ver a reação dela ao recebê-las. Fazia questão de perguntar como estava se sentindo ao ser cobiçada por alguém. Quando liguei para sua casa e ela atendeu, senti renascer a minha esperança. Convidei-a para jantar e ela aceitou, fiquei extremamente feliz. No jantar sentia uma energia nova cada vez que nossos olhares se prendiam um no outro. Eu sentia amor, pois era o mesmo olhar que ela dava-me quando namoramos da primeira vez. Ao chegar em seu apartamento, não quis subir para não pressioná-la a nada, pois ela tinha pedido-me um tempo para pensar e eu estava respeitando este tempo. Não queria forçá-la a nada, mas conseguiu convencer-me a subir. Quando ela colocou-me contra a parede e disse “sim”, meu coração parecia ter parado de bater, tamanha emoção que eu estava sentindo. Não queria acreditar que era a resposta ao meu pedido. Delirei quando ela confirmou que era. Era tudo o que eu queria nessa vida. Tê-la de novo ao meu lado. Eu amava essa pequena.
Fiquei observando-a dormir. Meu Deus, ela era insaciável. Era uma delícia de mulher. Eu a amava. Muito. Não queria só passar uma estação com ela. Queria passar a vida toda. Ela completava-me. Senti meu estômago roncar. Fome. Eu estava com muita fome. Ri. Levantei-me e fui nua mesmo para a cozinha e preparei um belo desjejum. Até que não foi difícil encontrar tudo o que eu precisava. Preparei a mesa e voltei ao quarto para acordar minha princesinha. Ela ainda dormia. A minha menina linda de belos olhos azuis estava de volta em minha vida. Aproximei-me dela, ela estava de bruços. Fui beijando suas costas expostas, sua pele macia e cheirosa.
- Acorde, minha princesa.
- Hummm...
- Acorde, vamos tomar café. Vamos.
Roberta se virou e abraçou-me.
- Bom dia, meu amor. Fitou meus olhos e falou. – Eu te amo! Deu um lindo sorriso.
Meu coração se aqueceu ao ouvir a sua declaração.
- Eu também te amo, Roberta. Te amo tanto.
Beijamos-nos e senti meu corpo se acender.
- Calma, minha princesa. Dei uma gargalhada. – Vamos comer primeiro que eu estou com uma fome de leão.
Roberta insinuou-se embaixo de mim.
- Roberta! Disse e levantei-me rapidamente. – Vamos comer, vamos. Chamei e estendi-lhe a mão.
- Ai, Cláudia. Tanta coisa mais interessante para fazer.
- Ah, dona Roberta. Temos que reabastecer nossas energias, certo?
- Ok, ok. Vamos comer, mas com uma condição.
- Hummm... Qual condição?
- Depois tomarmos um banho juntas e... Roberta fez suspense e riu.
- E o quê?
- E voltarmos para essa cama.
- Uauuu... Você quer acabar comigo, hein. Falei rindo.
E assim fizemos. Passamos o dia na cama nos amando, matando as saudades que tínhamos uma da outra, sem pressa, saboreando cada segundo que estávamos uma ao lado da outra.
As festas de final de ano chegaram e passamos juntas tanto o natal quanto o ano novo. Os primeiros de muitos que estavam por vir.
--------------------------------------------------------------
Anos depois...
Só conseguimos ficar duas semanas morando separadas. Resolvemos morar juntas o quanto antes. Decidimos morar no apartamento de Cláudia e o meu deixamos para alugar. Já estávamos juntas há seis anos vivendo nossa vida de casadas. Eu estava super feliz. Não sei quanto tempo nos seria dado para ficarmos juntas, mas não me preocupava com isso. O que aprendi era que só importava o presente. O momento que “aqui e agora” vivemos. E este momento deveria ser vivido com toda a intensidade que ele merecia. Só assim poderíamos ser plenamente felizes. Só assim poderíamos fazer o outro e a nós mesmo felizes. Eu e Cláudia nos amávamos. Só isso importava. Só o amor importava.
FIM.
- Boa noite, Roberta. Cláudia falou presenteando-me com um sorriso lindo.
- Boa noite, Cláudia. Falei encantada pelo seu sorriso.
- Para você. Disse-me estendendo o buquê.
- Obrigada. São lindas. Falei pegando o buquê. – Desculpe... Entre, por favor. Falei dando passagem para ela entrar.
Entramos e fui pegar um vaso para colocá-las.
- Não vai ler o cartão? Cláudia perguntou-me.
- Claro. Peguei-o e abri. Fiquei de boca aberta. Estava escrito: “Minha princesinha, você é uma linda mulher. Com todo o meu amor. Acompanhados com doces beijos de chocolate. Cláudia.”
Olhei para ela sem acreditar. As iniciais “MP” significavam “minha princesinha”. Pensei. Nunca tinha pensado nessa hipótese.
- Sempre foi você. Afirmei sorrindo.
- Sim, sempre. Respondeu sorrindo de forma cativante. – Ah, este também é para você. Disse-me estendendo o embrulho que estava em suas mãos.
Só de olhar já desconfiava o que seria. Peguei e o desembrulhei. Era o que eu imaginava. Nhá Benta. Minha perdição em chocolate. Olhei para ela e não resisti, atirei-me em seus braços. Nos abraçamos. Eu estava com uma vontade imensa de beijá-la. Resolvi conter-me, pois primeiro eu precisava saber o que tinha acontecido em São Paulo.
- Obrigada, Cláudia.
- Se você não fosse tão cabeça dura teria descoberto ontem mesmo. Ela falou-me sorrindo.
- Ontem? O que eu recusei? Perguntei arregalando os olhos.
- Sim.
- Poxa, como eu ia saber. Lamentei dando-lhe um sorriso. – Mas pelo menos acabou com a curiosidade insaciável da Magali. Eu acho. Não resistimos e caímos numa gargalhada gostosa.
- Já imaginou você tendo que dizer para ela quem é o “seu” admirador secreto.
- Vixe, Cláudia. Acho que Magali iria cair dura ao saber disso. Rimos mais ainda.
Eu estava com a caixa de Nhá Benta em minhas mãos. Abri-a.
- Aceita uma? Ofereci a ela.
- Hummm... Antes do jantar? Perguntou-me sorrindo.
- É mais gostoso comermos a sobremesa antes. Falei fazendo cara de sapeca.
- Assim fica irresistível. Hummm... Aceito. Cláudia disse e pegou uma. Peguei uma também.
Observei-a fazendo o furinho com os dentes. Tinha ensinado-a no passado a degustar o chocolate dessa forma. Sorri comigo mesma.
- Por que você está sorrindo? Ela perguntou olhando-me.
- É que você nunca esqueceu o jeito que eu lhe ensinei a comer Nhá Benta.
- Ah, mas com uma professora desta como eu esqueceria? Falou sorrindo e me olhou firmemente.
Perdi-me em seu olhar. Sentia-me hipnotizada por ele. Sorrimos cúmplices. Voltei a minha atenção para o chocolate. Parecíamos duas crianças devorando o doce preferido. Depois de saborearmos essa delícia de pecado, fomos ao restaurante jantar. Cláudia tinha feito as reservas. Sentamo-nos à mesa e fomos prontamente atendidas. Conversávamos sobre diversas coisas. Tinha curiosidade sobre o que aconteceu em São Paulo e o porquê dela ter ido para lá, mas não queria perguntar. Queria que ela falasse por vontade dela. Nosso pedido chegou e fomos servidas. Cláudia demonstrava estar feliz. Falava quase sem parar e ria muito. Estava divertindo-me muito na companhia dela.
Tão jovem apaixonei-me por ela, mas não foi possível ficarmos juntas. Não era para ser naquela época. Depois conheci Cristina, que foi uma companheira formidável em minha vida, um período maravilhoso que vivemos juntas. Era alguém que eu amei e que sempre lembrarei com todo amor e carinho. Se não fosse o destino ser cruel, estaríamos juntas até hoje. Mas esse mesmo destino, que é cruel às vezes, colocou-me novamente Cláudia em minha vida, dando-me a oportunidade de tentarmos construir algo, quem sabe uma vida em conjunto, compartilhando nossos sonhos, nossas alegrias, nossas tristezas também. Estarmos sempre lado a lado. Juntas, para o que der e vier. Era isso o que eu queria viver com Cláudia. E era o que eu esperava que ela quisesse também. Ela era a mulher que eu amava.
- Ainda bem que consegui fazer com que Antonia entendesse que não tínhamos mais nada. Cláudia falou sorrindo para mim.
- Que bom que tudo se resolveu. Mas por que você precisou ir para São Paulo? A curiosidade por essa resposta me deixava agoniada.
- Bom, eu tinha que retornar para lá mesmo, tinha um assunto do banco que demandava a minha presença e eu iria provavelmente nesta semana ou no máximo semana que vem. Daí resolvi unir o útil ao não tão agradável, ou seja, a companhia de Antonia. Eu queria ter a certeza de que ela fosse embora daqui e que não ficasse azucrinando a minha vida, por isso fui com ela. Foi melhor, resolvi o assunto do banco e resolvi de vez minha situação com ela. Tivemos uma longa conversa e desta vez ela entendeu que não temos mais nada.
Ela terminou de falar e eu estava encarando-a com um sorriso imenso.
- Então agora você está disponível? Perguntei brincando.
- Epa! Eu sempre estive disponível. Cláudia falou rindo.
- Folgo em saber, dona Cláudia. Disse e encarei-a com um olhar apaixonado. Ficamos presas uma no olhar da outra. Cláudia deu-me um sorriso lindo.
Continuamos conversando sobre várias coisas, mas nossos olhares não se desgrudavam e promessas de amor silenciosas passeavam neles. Meu coração estava plenamente feliz. Sentia-me como há muito não me sentia. Leve e feliz.
Acertamos a conta, Cláudia queria pagar toda ela e não deixei. Eita mulher cabeça dura, achava que tinha que pagar tudo. Saímos do restaurante igual a duas crianças felizes, rindo à toa.
Chegamos ao meu prédio e Cláudia deu a entender que já iria embora. Ah, mas de jeito nenhum!
- Vamos subir, Cláudia. Convidei-a.
- Não, Roberta. Fica para a próxima.
- Ah, não! Você vai subir sim, nem que seja só para tomar uma bebidinha. Você disse na última vez que na próxima subiria. Tá me devendo uma visita.
- Tá bom. Eu aceito a bebida. Cláudia disse sorrindo.
- Oba! Então vamos.
Saímos do carro e subimos ao meu apartamento. Abri a porta e pedi que Cláudia entrasse primeiro. Ela entrou, entrei também e fechei a porta. No instante seguinte virei-me e a prensei na parede.
- Roberta? Cláudia falou surpresa.
- É sim. Falei encarando-a com meus olhos famintos de amor.
- Sim? O quê?
- SIM. É a minha resposta. Falei aproximando-se de seu pescoço, cheirando-o e beijando-o em seguida. Ouvi Cláudia soltar um gemido.
- Resposta? Cláudia perguntou ofegante.
Parei de beijar seu pescoço e encarei-a. Dei um imenso sorriso.
- Você não perguntou se eu queria namorar com você? Vai fugir da raia agora? Perguntei, minhas mãos passeavam pelo seu corpo delicioso, provocando-a.
- Fugir da raia? Nunca! Quem eu mais quero nessa vida é você. Cláudia disse e abraçou-me. Tomou minha boca num beijo ardente, cheio de paixão. Nossas línguas se enroscavam, assim como nossos corpos queriam ser um só.
Desvencilhamo-nos das nossas roupas. Ansiávamos pelo contato de nossas peles. Nossas respirações se misturavam. Nossos gemidos ecoavam pela sala. Deitamos no sofá. Cláudia deitou por cima de mim. Cobriu com sua boca cada pedacinho do meu corpo, provocando-me ao extremo. Beijava-me, lambia-me, às vezes, mordiscava-me. Eu estava encharcada, meu sexo estava intumescido e pulsava forte. Nossos olhos se encontravam e estavam inflamados de desejo, de amor. Então ela penetrou-me com seus dedos, movimentando-os deliciosamente em mim. Nossos corpos entrelaçados e suados queriam se fundir num só. Nossas respirações misturadas. Nossos olhares presos um no outro, se desgrudavam somente para nos beijarmos. Gemidos. A sala foi tomada por uma sucessão de gemidos. Meus e dela. Eles se confundiam. O movimento de sua mão tornou-se mais intenso, meu corpo começou a contorcer-se cada vez mais e mais eu rebolava, até sentir-me explodir num gozo pleno, completo e intenso. Senti-me ser transportada para outra dimensão. Fui recobrando minhas forças. Saí do sofá e a puxei para o quarto. Empurrei Cláudia na cama e deitei sobre ela. Eu queria amá-la por inteiro, sentir cada milímetro de sua pele cheirosa e macia. Sentir seu gosto novamente, pois precisava alimentar meu vício. Tomei posse de seu corpo, provoquei-a com minha boca, com minha língua, com minhas mãos, até o momento em que a senti tremer toda, oferecendo-me seu gozo para bebê-lo. Amamo-nos noite adentro, até que saciadas adormecêssemos.
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Acordei satisfeita e feliz. Muito feliz. Estava namorando Roberta de novo. Com o episódio do aparecimento repentino de Antonia achei que Roberta nunca mais quisesse falar comigo. Resolvi de última hora ir para São Paulo, precisava despachar Antonia logo. Entrei em parafuso quando ligava para Roberta e seu celular estava desligado, cheguei a imaginar que ela tivesse feito de propósito. E quando liguei para sua casa e não atendeu, nesse momento tive certeza de que ela não me queira mais em sua vida. Eu não podia entregar os pontos assim, eu precisava ouvir da sua boca que ela não queria mais nada comigo. Liguei para o trabalho e disseram-me que ela não estava. Fiquei extremamente triste e pedi que dissessem a ela que eu ligaria à noite para sua casa. Tive medo de que ela não atendesse. O desespero tomava conta de mim. Ter Roberta tão perto de mim para logo em seguida perdê-la dessa maneira tão boba sangrava meu coração. Doía demais. Resolvi por fim ao mistério das rosas. Assumi a autoria do envio dos buquês, cuja idéia tive depois da minha primeira conversa com Henrique, quando soube que ela não queria mais amar ninguém. Queria com essa atitude semear a vontade dela em se interessar por alguém de novo. Amolecer seu coração para um novo amor. Gostava de ver a reação dela ao recebê-las. Fazia questão de perguntar como estava se sentindo ao ser cobiçada por alguém. Quando liguei para sua casa e ela atendeu, senti renascer a minha esperança. Convidei-a para jantar e ela aceitou, fiquei extremamente feliz. No jantar sentia uma energia nova cada vez que nossos olhares se prendiam um no outro. Eu sentia amor, pois era o mesmo olhar que ela dava-me quando namoramos da primeira vez. Ao chegar em seu apartamento, não quis subir para não pressioná-la a nada, pois ela tinha pedido-me um tempo para pensar e eu estava respeitando este tempo. Não queria forçá-la a nada, mas conseguiu convencer-me a subir. Quando ela colocou-me contra a parede e disse “sim”, meu coração parecia ter parado de bater, tamanha emoção que eu estava sentindo. Não queria acreditar que era a resposta ao meu pedido. Delirei quando ela confirmou que era. Era tudo o que eu queria nessa vida. Tê-la de novo ao meu lado. Eu amava essa pequena.
Fiquei observando-a dormir. Meu Deus, ela era insaciável. Era uma delícia de mulher. Eu a amava. Muito. Não queria só passar uma estação com ela. Queria passar a vida toda. Ela completava-me. Senti meu estômago roncar. Fome. Eu estava com muita fome. Ri. Levantei-me e fui nua mesmo para a cozinha e preparei um belo desjejum. Até que não foi difícil encontrar tudo o que eu precisava. Preparei a mesa e voltei ao quarto para acordar minha princesinha. Ela ainda dormia. A minha menina linda de belos olhos azuis estava de volta em minha vida. Aproximei-me dela, ela estava de bruços. Fui beijando suas costas expostas, sua pele macia e cheirosa.
- Acorde, minha princesa.
- Hummm...
- Acorde, vamos tomar café. Vamos.
Roberta se virou e abraçou-me.
- Bom dia, meu amor. Fitou meus olhos e falou. – Eu te amo! Deu um lindo sorriso.
Meu coração se aqueceu ao ouvir a sua declaração.
- Eu também te amo, Roberta. Te amo tanto.
Beijamos-nos e senti meu corpo se acender.
- Calma, minha princesa. Dei uma gargalhada. – Vamos comer primeiro que eu estou com uma fome de leão.
Roberta insinuou-se embaixo de mim.
- Roberta! Disse e levantei-me rapidamente. – Vamos comer, vamos. Chamei e estendi-lhe a mão.
- Ai, Cláudia. Tanta coisa mais interessante para fazer.
- Ah, dona Roberta. Temos que reabastecer nossas energias, certo?
- Ok, ok. Vamos comer, mas com uma condição.
- Hummm... Qual condição?
- Depois tomarmos um banho juntas e... Roberta fez suspense e riu.
- E o quê?
- E voltarmos para essa cama.
- Uauuu... Você quer acabar comigo, hein. Falei rindo.
E assim fizemos. Passamos o dia na cama nos amando, matando as saudades que tínhamos uma da outra, sem pressa, saboreando cada segundo que estávamos uma ao lado da outra.
As festas de final de ano chegaram e passamos juntas tanto o natal quanto o ano novo. Os primeiros de muitos que estavam por vir.
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Anos depois...
Só conseguimos ficar duas semanas morando separadas. Resolvemos morar juntas o quanto antes. Decidimos morar no apartamento de Cláudia e o meu deixamos para alugar. Já estávamos juntas há seis anos vivendo nossa vida de casadas. Eu estava super feliz. Não sei quanto tempo nos seria dado para ficarmos juntas, mas não me preocupava com isso. O que aprendi era que só importava o presente. O momento que “aqui e agora” vivemos. E este momento deveria ser vivido com toda a intensidade que ele merecia. Só assim poderíamos ser plenamente felizes. Só assim poderíamos fazer o outro e a nós mesmo felizes. Eu e Cláudia nos amávamos. Só isso importava. Só o amor importava.
FIM.
sábado, 10 de maio de 2008
39 - Ansiedade
Estava em meu apartamento. Eu estava nervosa. Andava de um lado ao outro em círculos. E olhava constantemente para o telefone. Minha ansiedade era tamanha que tentei ligar para o celular dela, mas ou estava desligado ou fora de área. O jeito era ter paciência e esperar ela ligar-me. E se fosse para dizer-me que tinha voltado para Antonia? Senti-me triste ao pensar isto. Mas ela disse que me amava. Sentia-me feliz quando pensava nisso. Meu humor estava oscilando muito, parecia montanha-russa, daqui a pouco eu iria ter um treco.
O telefone tocou e meu coração deu um pulo imenso dentro do peito. Tocou mais uma vez e corri para atendê-lo.
- Alô. Falei tentando não parecer ansiosa.
- Roberta? Era a voz dela.
- Sou eu.
- Meu Deus, que dificuldade para falar com você. Tentei ontem, tanto no celular quanto na sua casa, e hoje no trabalho e no celular.
- É... meu celular estava com a bateria descarregada e... ontem eu não pude atender o telefone.
- Você está bem?
- Sim, estou e você?
- Estaria mentindo se dissesse que estou bem. Tive que vir a São Paulo trazer Antonia de volta, ter uma conversa séria com ela e resolver uns assuntos do banco.
- E... deu tudo certo? Perguntei sentindo o medo percorrer minha espinha.
- Sim. Tivemos uma longa e estressante conversa, mas acho que agora ela entendeu que tudo estava terminado. Mas não foi fácil. Sempre tive receio de que ela aparecesse aí em Curitiba. Agora está tudo resolvido. Amanhã vou embora.
- Que horas você chega?
- No final do dia. Aceita jantar comigo amanhã?
- Ace... Aceito. Respondi e meu coração transbordava de alegria. Estava com vontade de sair pulando igual uma criança feliz. Não esperava tal convite.
- Que bom. E recebeu as rosas hoje?
- Elas vieram, mas recusei-as.
- Recusou? Mas... por quê?
- Porque não acho certo alimentar a paixão de alguém ao ficar aceitando este presente. Espero que assim o tal admirador pare de mandá-las.
- Bom... tá certo. Se é a sua decisão. Roberta, preciso desligar. Estou morta de cansada, meu dia foi extremamente desgastante. Nos falamos amanhã. Ok?
- Ok. Uma boa noite pra você.
- Obrigada. Beijos pra você. Tchau.
- Beijos. Tchau.
Coloquei o telefone no gancho. Eu estava mais tranqüila. Cláudia não estava com Antonia, mas nem eu estava com ela. Tinha pedido um tempo para pensar no pedido de namoro. Compreendi que esse tempo tinha se esgotado. Compreendi com a dor destes últimos dois dias que eu estava perdidamente apaixonada por Cláudia. A queria de volta definitivamente em minha vida. Não iria mais lutar contra este sentimento que me consumia inteira. Controlamos um monte de coisas, mas não conseguimos controlar nosso coração. Ele acabava regendo nossas emoções, dava um “chega pra lá” na nossa razão e tomava conta da gente. Como fugir disso? Difícil, não era?
Fui tomar meu banho, não o tomei antes porque vai que o telefone tocava no momento que estava nele. Aí eu teria que sair molhando o apartamento todo. Ri. Eu estava feliz. Entrei debaixo do chuveiro e deixei a água levar embora todo o medo que eu sentia. Era como se eu estivesse lavando a alma de qualquer resquício de medo. Estava me sentindo outra. Renovada. Pronta para encarar mais um amor em minha vida. Saí do banho, sequei e vesti-me. Fui para a cozinha preparar um pequeno lanche para mim. Não estava com muita fome. Peguei meu lanche e fui para a sala. Liguei a televisão e assisti um pouco. Nada interessante passando. Resolvi ler um livro e depois fui dormir. Deitei-me e fiquei olhando para o teto, pensando em Cláudia, em como esta mulher conseguiu reconquistar meu coração tão rápido. Lembrei da gente se amando. Meu corpo reagia só em pensar. Ficava toda excitada. Ai, como a queria aqui comigo agora. Sentia meu corpo arder de desejo. Meu tesão era tanto que acabei me tocando gostoso, imaginando ela em mim. Mesmo assim não foi fácil conciliar o sono.
A quarta-feira se arrastou. Por que quando queríamos que o dia passasse rápido ele se arrastava? Parecia que o dia tinha quarenta e oito horas. Estava ansiosa para rever meu amor, para rever a mulher linda que mexia intensamente comigo.
Enfim o fim do expediente chegou. Corri pra casa. Tomei um banho demorado. Vesti-me e perfumei-me toda. Estava pronta para receber meu amor. O tempo se arrastava, até que a campainha tocou e meu coração parecia que iria explodir no peito. Meu corpo vibrava de felicidade. Corri para atender a porta. Abri a porta e... levei a minha mão à boca. Eu estava surpresa. Não acreditava no que estava vendo.
O telefone tocou e meu coração deu um pulo imenso dentro do peito. Tocou mais uma vez e corri para atendê-lo.
- Alô. Falei tentando não parecer ansiosa.
- Roberta? Era a voz dela.
- Sou eu.
- Meu Deus, que dificuldade para falar com você. Tentei ontem, tanto no celular quanto na sua casa, e hoje no trabalho e no celular.
- É... meu celular estava com a bateria descarregada e... ontem eu não pude atender o telefone.
- Você está bem?
- Sim, estou e você?
- Estaria mentindo se dissesse que estou bem. Tive que vir a São Paulo trazer Antonia de volta, ter uma conversa séria com ela e resolver uns assuntos do banco.
- E... deu tudo certo? Perguntei sentindo o medo percorrer minha espinha.
- Sim. Tivemos uma longa e estressante conversa, mas acho que agora ela entendeu que tudo estava terminado. Mas não foi fácil. Sempre tive receio de que ela aparecesse aí em Curitiba. Agora está tudo resolvido. Amanhã vou embora.
- Que horas você chega?
- No final do dia. Aceita jantar comigo amanhã?
- Ace... Aceito. Respondi e meu coração transbordava de alegria. Estava com vontade de sair pulando igual uma criança feliz. Não esperava tal convite.
- Que bom. E recebeu as rosas hoje?
- Elas vieram, mas recusei-as.
- Recusou? Mas... por quê?
- Porque não acho certo alimentar a paixão de alguém ao ficar aceitando este presente. Espero que assim o tal admirador pare de mandá-las.
- Bom... tá certo. Se é a sua decisão. Roberta, preciso desligar. Estou morta de cansada, meu dia foi extremamente desgastante. Nos falamos amanhã. Ok?
- Ok. Uma boa noite pra você.
- Obrigada. Beijos pra você. Tchau.
- Beijos. Tchau.
Coloquei o telefone no gancho. Eu estava mais tranqüila. Cláudia não estava com Antonia, mas nem eu estava com ela. Tinha pedido um tempo para pensar no pedido de namoro. Compreendi que esse tempo tinha se esgotado. Compreendi com a dor destes últimos dois dias que eu estava perdidamente apaixonada por Cláudia. A queria de volta definitivamente em minha vida. Não iria mais lutar contra este sentimento que me consumia inteira. Controlamos um monte de coisas, mas não conseguimos controlar nosso coração. Ele acabava regendo nossas emoções, dava um “chega pra lá” na nossa razão e tomava conta da gente. Como fugir disso? Difícil, não era?
Fui tomar meu banho, não o tomei antes porque vai que o telefone tocava no momento que estava nele. Aí eu teria que sair molhando o apartamento todo. Ri. Eu estava feliz. Entrei debaixo do chuveiro e deixei a água levar embora todo o medo que eu sentia. Era como se eu estivesse lavando a alma de qualquer resquício de medo. Estava me sentindo outra. Renovada. Pronta para encarar mais um amor em minha vida. Saí do banho, sequei e vesti-me. Fui para a cozinha preparar um pequeno lanche para mim. Não estava com muita fome. Peguei meu lanche e fui para a sala. Liguei a televisão e assisti um pouco. Nada interessante passando. Resolvi ler um livro e depois fui dormir. Deitei-me e fiquei olhando para o teto, pensando em Cláudia, em como esta mulher conseguiu reconquistar meu coração tão rápido. Lembrei da gente se amando. Meu corpo reagia só em pensar. Ficava toda excitada. Ai, como a queria aqui comigo agora. Sentia meu corpo arder de desejo. Meu tesão era tanto que acabei me tocando gostoso, imaginando ela em mim. Mesmo assim não foi fácil conciliar o sono.
A quarta-feira se arrastou. Por que quando queríamos que o dia passasse rápido ele se arrastava? Parecia que o dia tinha quarenta e oito horas. Estava ansiosa para rever meu amor, para rever a mulher linda que mexia intensamente comigo.
Enfim o fim do expediente chegou. Corri pra casa. Tomei um banho demorado. Vesti-me e perfumei-me toda. Estava pronta para receber meu amor. O tempo se arrastava, até que a campainha tocou e meu coração parecia que iria explodir no peito. Meu corpo vibrava de felicidade. Corri para atender a porta. Abri a porta e... levei a minha mão à boca. Eu estava surpresa. Não acreditava no que estava vendo.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
38 - Nem tudo é o que parece
A segunda-feira amanheceu nublada. Havia chovido de madrugada. Meu humor estava como o tempo, totalmente cinza. Fui trabalhar no automático. Cheguei, cumprimentei meus colegas, sentei-me a minha mesa e tratei de me “afundar” no trabalho. Não vi Cláudia. Quase no final do dia Magali veio conversar comigo.
- E aí, Roberta. Foi na comemoração de final de ano? Perguntou-me Magali.
- Fui sim. Disse sem muito entusiasmo.
- Procurei você por lá e não lhe vi. O que achou dela?
- Estava boa. Era mais do mesmo, né.
- É verdade, mas eu gosto. É um momento em que todos se revêem. Nossa fiquei sabendo de tanta coisa. Disse isso e riu.
Tentei sorrir, mas meu ânimo estava um pouco apagado.
- Ah, sabia que a Cláudia viajou?
- Viajou? Perguntei com o coração gelando.
- Sim, soube pela Rebeca que ela foi para São Paulo hoje, parece-me que para resolver algumas coisas. Disse-me que ela deve voltar na quarta.
- Não... eu não sabia. Falei com meu coração sangrando de dor. Ela tinha ido para São Paulo com a mulher dela! Pensei quase entrando em desespero.
Essa informação acabou com o meu dia. Poxa, nem me avisou, mas avisar por quê? É, acho que eu não era tão importante assim para ela. Pelo visto não era mesmo. Acho que nunca fui. Queria ir embora para casa. Sumir, essa era a minha vontade. Olhei para o relógio, ainda faltavam alguns minutos.
- Roberta, vou embora que está na hora. Até amanhã. Magali disse despedindo-se de mim.
- Até amanhã, Magali.
Fiquei ali, olhando para o vazio. Lágrimas queriam sair, mas controlei. Arrumei minha mesa, peguei minha bolsa e fui para casa. Durante todo o trajeto para meu apartamento, a chuva caía fina e insistente. A minha sensação era de abandono. De total abandono. Por que ela não me ligou? Se dizia que me amava, por que não me ligou? Isso me matava de tristeza.
Cheguei em casa, joguei minha bolsa no sofá e sentei-me nele. As lágrimas, antes represadas, saíram copiosas. Encolhi-me. A vontade que eu tinha era sumir do mapa. O telefone tocou e apenas olhei para ele. Não atendi. Não queria falar com ninguém. Imaginei que fosse o Rique e nem com ele eu queria falar. Não agora. Tocou mais algumas vezes, mas eu o ignorei completamente.
Depois de um tempo levantei-me e tomei meu banho. Não estava com fome, mas mesmo assim resolvi tomar uma caneca de leite com chocolate e fui para cama. Meu coração doía. Estava dilacerado. Não queria isso de novo para mim, mas como evitar isso? Como evitar se apaixonar de novo? Não sabia a resposta. Custei para dormir. Em meus pensamentos uma linda mulher com olhos verdes teimava estar presente neles.
Acordei no dia seguinte com olheiras, tive que caprichar na maquiagem para disfarçá-las. Fui triste para o trabalho. Estava angustiada. Novamente acreditei na possibilidade de amar e mal começo a aceitar a idéia e já levo uma rasteira. Como ser feliz assim? É parece-me que não me era dado o direito de lutar por ele. Olhei para a caneta em minha mão. Meu olhar ficou preso nela, mas minha mente voltou para o passado. Com Cláudia não tive chance de lutar para que nosso amor continuasse, não foi a vontade dela na época. Com Cristina o destino me foi cruel demais. Como lutar com a morte? Impossível. E novamente com Cláudia, o sentia escapar pelas minhas mãos. Meu coração doía demais. Tudo o que eu queria era voltar a ser feliz. Era pedir demais?
Notei alguém na minha frente. Levantei meus olhos e vi o rapaz da floricultura sorrindo para mim com mais um imenso buquê de rosas vermelhas. Tentei sorrir para ele. Olhei para o buquê e voltei meu olhar para ele.
- Pode levá-lo de volta.
- Como? Mas.... O rapaz esta surpreso com minha recusa.
- Eu não os quero mais. E, por gentileza, avise esse tal admirador que pare de mandá-las, pois a partir de hoje não vou mais aceitá-las.
Ele ficou olhando-me de boca aberta. Acho que não esperava a minha recusa.
- Tem certeza? Ele perguntou-me.
- Tenho. Toda certeza do mundo. Não quero mais.
- Bom... tá... então... tchau.
- Tchau.
Ele se virou e voltou de onde veio. Por que ficar alimentando a paixão de alguém por mim? A cada vez que aceito receber o buquê alimento essa loucura. Já devia ter parado no início, mas era uma delícia recebê-los. A curiosidade de saber quem era nunca vai ser satisfeita mesmo. E que diferença isso faria para mim? Acho que nenhuma.
- Roberta, você está doente? Perguntou-me Magali, que apareceu de repente.
Olhei para ela e dei um sorriso. Acho que ela não iria gostar de saber que não descobriríamos quem era o tal admirador secreto.
- Não, Magali. Estou ótima. Por quê?
- É que... o buquê... Magali falou parecendo atordoada.
- Eu não o quis.
- Mas... você tá maluca de recusá-lo?
- Não quero mais Magali. Simples assim. E não estou maluca. Maluca eu estava em ficar recebendo eles.
- Mas... nem descobrimos quem é? Magali falou decepcionada.
- Não me interesso em saber isso.
- Como não? Não pode ficar assim.
- Magali, eu não posso ficar alimentando a paixão de alguém por mim. Isto não é correto. E pouco me importa se não sabemos quem seja. E, por favor, isso é assunto acabado, tá.
- Calma, Roberta. Tudo bem. Assunto morto e enterrado. Lá se foi a bolsa de apostas. Magali lamentou.
Olhei para Magali, se não fosse a minha boa educação a teria mandado pra... pra Bagdá! Jamais ficaria alimentando essa loucura de bolsa de apostas. Era o que me faltava, tinha coisas mais importantes para me preocupar.
A manhã passou e a tarde fluía no seu ritmo normal. Precisei dar uma saída para ir até outro departamento para resolver uma coisa. Demorei cerca de quarenta minutos. Assim que retornei, minha estagiária falou:
- Roberta, a dona Cláudia ligou para falar contigo.
- Cláudia? Me ligou? Perguntei com o coração batendo a mil.
- Sim e ela falou que vai lhe ligar à noite para a sua casa e que seu celular está sempre desligado.
- Tá, obrigada. Disse para ela. Meu celular? Desligado? Pensei e peguei minha bolsa e a abri. Peguei o celular e ele estava sem bateria. Não acreditava. Caraca, agora me lembro, ele estava com a bateria fraca no domingo e com os acontecimentos me esqueci totalmente dele. Comecei a rir. Claro! Ela tentou me ligar e o celular estava mortinho. Ei... será que foi ela que me ligou ontem à noite? Ah, vou tirar essa dúvida agora mesmo. Peguei o telefone e disquei um número. A minha família sempre falava comigo no final de semana. Estavam descartados.
- Alô.
- Henrique? Sou eu, Roberta.
- Olá, Betinha. Tudo bem?
- Tudo, e você?
- Tô bem também.
- Rique... é... você me ligou ontem? Pra minha casa.
- Não, Betinha. Não lhe liguei ontem. Por quê?
- É... eu... eu só precisava saber disso.
- Tá tudo bem?
- Sim e acho que fiz uma confusão imensa na minha cabeça.
- Vixe. Quer falar sobre isso?
- Você tá muito ocupado?
- Não, pra você estou sempre disponível. Viu que moral. Falou rindo.
Contei para ele sobre a viagem de Cláudia para São Paulo e em como reagi a essa notícia. Que meu celular tinha acabado a bateria e tinha esquecido de recarregar. E que não atendi as ligações ontem à noite. E que eu tinha quase certeza que fora ela quem me ligara. Ele disse que eu deveria estar em casa de plantão e não sair em hipótese nenhuma, porque só assim eu iria saber o que de fato estaria acontecendo e que eu parasse de ver chifre em cabeça de cavalo. Terminamos rindo. Só Rique para levantar meu astral dessa forma. Desligamos. Eu me sentia leve. Era como se eu visse uma luz no fim do túnel. Ela me ligara. Sim, foi ela! Agora estava super ansiosa para estar em casa. Agüenta coração.
- E aí, Roberta. Foi na comemoração de final de ano? Perguntou-me Magali.
- Fui sim. Disse sem muito entusiasmo.
- Procurei você por lá e não lhe vi. O que achou dela?
- Estava boa. Era mais do mesmo, né.
- É verdade, mas eu gosto. É um momento em que todos se revêem. Nossa fiquei sabendo de tanta coisa. Disse isso e riu.
Tentei sorrir, mas meu ânimo estava um pouco apagado.
- Ah, sabia que a Cláudia viajou?
- Viajou? Perguntei com o coração gelando.
- Sim, soube pela Rebeca que ela foi para São Paulo hoje, parece-me que para resolver algumas coisas. Disse-me que ela deve voltar na quarta.
- Não... eu não sabia. Falei com meu coração sangrando de dor. Ela tinha ido para São Paulo com a mulher dela! Pensei quase entrando em desespero.
Essa informação acabou com o meu dia. Poxa, nem me avisou, mas avisar por quê? É, acho que eu não era tão importante assim para ela. Pelo visto não era mesmo. Acho que nunca fui. Queria ir embora para casa. Sumir, essa era a minha vontade. Olhei para o relógio, ainda faltavam alguns minutos.
- Roberta, vou embora que está na hora. Até amanhã. Magali disse despedindo-se de mim.
- Até amanhã, Magali.
Fiquei ali, olhando para o vazio. Lágrimas queriam sair, mas controlei. Arrumei minha mesa, peguei minha bolsa e fui para casa. Durante todo o trajeto para meu apartamento, a chuva caía fina e insistente. A minha sensação era de abandono. De total abandono. Por que ela não me ligou? Se dizia que me amava, por que não me ligou? Isso me matava de tristeza.
Cheguei em casa, joguei minha bolsa no sofá e sentei-me nele. As lágrimas, antes represadas, saíram copiosas. Encolhi-me. A vontade que eu tinha era sumir do mapa. O telefone tocou e apenas olhei para ele. Não atendi. Não queria falar com ninguém. Imaginei que fosse o Rique e nem com ele eu queria falar. Não agora. Tocou mais algumas vezes, mas eu o ignorei completamente.
Depois de um tempo levantei-me e tomei meu banho. Não estava com fome, mas mesmo assim resolvi tomar uma caneca de leite com chocolate e fui para cama. Meu coração doía. Estava dilacerado. Não queria isso de novo para mim, mas como evitar isso? Como evitar se apaixonar de novo? Não sabia a resposta. Custei para dormir. Em meus pensamentos uma linda mulher com olhos verdes teimava estar presente neles.
Acordei no dia seguinte com olheiras, tive que caprichar na maquiagem para disfarçá-las. Fui triste para o trabalho. Estava angustiada. Novamente acreditei na possibilidade de amar e mal começo a aceitar a idéia e já levo uma rasteira. Como ser feliz assim? É parece-me que não me era dado o direito de lutar por ele. Olhei para a caneta em minha mão. Meu olhar ficou preso nela, mas minha mente voltou para o passado. Com Cláudia não tive chance de lutar para que nosso amor continuasse, não foi a vontade dela na época. Com Cristina o destino me foi cruel demais. Como lutar com a morte? Impossível. E novamente com Cláudia, o sentia escapar pelas minhas mãos. Meu coração doía demais. Tudo o que eu queria era voltar a ser feliz. Era pedir demais?
Notei alguém na minha frente. Levantei meus olhos e vi o rapaz da floricultura sorrindo para mim com mais um imenso buquê de rosas vermelhas. Tentei sorrir para ele. Olhei para o buquê e voltei meu olhar para ele.
- Pode levá-lo de volta.
- Como? Mas.... O rapaz esta surpreso com minha recusa.
- Eu não os quero mais. E, por gentileza, avise esse tal admirador que pare de mandá-las, pois a partir de hoje não vou mais aceitá-las.
Ele ficou olhando-me de boca aberta. Acho que não esperava a minha recusa.
- Tem certeza? Ele perguntou-me.
- Tenho. Toda certeza do mundo. Não quero mais.
- Bom... tá... então... tchau.
- Tchau.
Ele se virou e voltou de onde veio. Por que ficar alimentando a paixão de alguém por mim? A cada vez que aceito receber o buquê alimento essa loucura. Já devia ter parado no início, mas era uma delícia recebê-los. A curiosidade de saber quem era nunca vai ser satisfeita mesmo. E que diferença isso faria para mim? Acho que nenhuma.
- Roberta, você está doente? Perguntou-me Magali, que apareceu de repente.
Olhei para ela e dei um sorriso. Acho que ela não iria gostar de saber que não descobriríamos quem era o tal admirador secreto.
- Não, Magali. Estou ótima. Por quê?
- É que... o buquê... Magali falou parecendo atordoada.
- Eu não o quis.
- Mas... você tá maluca de recusá-lo?
- Não quero mais Magali. Simples assim. E não estou maluca. Maluca eu estava em ficar recebendo eles.
- Mas... nem descobrimos quem é? Magali falou decepcionada.
- Não me interesso em saber isso.
- Como não? Não pode ficar assim.
- Magali, eu não posso ficar alimentando a paixão de alguém por mim. Isto não é correto. E pouco me importa se não sabemos quem seja. E, por favor, isso é assunto acabado, tá.
- Calma, Roberta. Tudo bem. Assunto morto e enterrado. Lá se foi a bolsa de apostas. Magali lamentou.
Olhei para Magali, se não fosse a minha boa educação a teria mandado pra... pra Bagdá! Jamais ficaria alimentando essa loucura de bolsa de apostas. Era o que me faltava, tinha coisas mais importantes para me preocupar.
A manhã passou e a tarde fluía no seu ritmo normal. Precisei dar uma saída para ir até outro departamento para resolver uma coisa. Demorei cerca de quarenta minutos. Assim que retornei, minha estagiária falou:
- Roberta, a dona Cláudia ligou para falar contigo.
- Cláudia? Me ligou? Perguntei com o coração batendo a mil.
- Sim e ela falou que vai lhe ligar à noite para a sua casa e que seu celular está sempre desligado.
- Tá, obrigada. Disse para ela. Meu celular? Desligado? Pensei e peguei minha bolsa e a abri. Peguei o celular e ele estava sem bateria. Não acreditava. Caraca, agora me lembro, ele estava com a bateria fraca no domingo e com os acontecimentos me esqueci totalmente dele. Comecei a rir. Claro! Ela tentou me ligar e o celular estava mortinho. Ei... será que foi ela que me ligou ontem à noite? Ah, vou tirar essa dúvida agora mesmo. Peguei o telefone e disquei um número. A minha família sempre falava comigo no final de semana. Estavam descartados.
- Alô.
- Henrique? Sou eu, Roberta.
- Olá, Betinha. Tudo bem?
- Tudo, e você?
- Tô bem também.
- Rique... é... você me ligou ontem? Pra minha casa.
- Não, Betinha. Não lhe liguei ontem. Por quê?
- É... eu... eu só precisava saber disso.
- Tá tudo bem?
- Sim e acho que fiz uma confusão imensa na minha cabeça.
- Vixe. Quer falar sobre isso?
- Você tá muito ocupado?
- Não, pra você estou sempre disponível. Viu que moral. Falou rindo.
Contei para ele sobre a viagem de Cláudia para São Paulo e em como reagi a essa notícia. Que meu celular tinha acabado a bateria e tinha esquecido de recarregar. E que não atendi as ligações ontem à noite. E que eu tinha quase certeza que fora ela quem me ligara. Ele disse que eu deveria estar em casa de plantão e não sair em hipótese nenhuma, porque só assim eu iria saber o que de fato estaria acontecendo e que eu parasse de ver chifre em cabeça de cavalo. Terminamos rindo. Só Rique para levantar meu astral dessa forma. Desligamos. Eu me sentia leve. Era como se eu visse uma luz no fim do túnel. Ela me ligara. Sim, foi ela! Agora estava super ansiosa para estar em casa. Agüenta coração.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
37 - Fantasmas do passado
- O que você está fazendo aqui? Perguntei perplexa não acreditando que estava vendo Antonia na minha frente.
- Boa noite pra você também, Cláudia. Antonia falou. Não vai me convidar para entrar? Perguntou sorrindo insinuante.
Fiquei olhando para ela não acreditando que estava aqui. Como ela me achou? Como tem meu endereço? Como entrou no prédio? Senti um nó forte no estômago. Ela era a última pessoa que eu queria ver. Senti uma vertigem e escorei-me na porta, nisso Antonia entrou, aproveitando o espaço que surgiu.
- Ora, ora... Vejo que você não perdeu tempo, dona Cláudia. Antonia disse olhando para Roberta, que levantou-se do sofá e ficou olhando para Antonia. – Anda trazendo outras mulheres para o seu apartamento. Hummm.... vejo que continua com seu bom gosto.
- O que você está fazendo aqui, Antonia? Perguntei visivelmente alterada.
- Ora, meu amor. Eu vim tomar o meu lugar. Somos casadas, lembra?
- Não somos mais. Se esqueceu?
- Dei-lhe apenas um tempo para organizar as suas idéias. Agora vim para assumir o meu lugar ao seu lado. Antonia disse sorrindo cinicamente.
Roberta pegou sua bolsa e encaminhou-se para a porta.
- Roberta, espere! Eu disse quase desesperada.
Roberta se virou, me fitou com um olhar que não consegui decifrar.
- Não quero atrapalhar, Cláudia. Sua mulher está aí. Não tenho mais nada para fazer aqui.
- Ex-mulher. Eu disse enfática.
- Tchau, Cláudia.
- Não! Roberta... espere...
E Roberta saiu porta afora. Senti uma mão pesada apertando meu coração. Justo quando eu estava entendendo-me com Roberta, aparece-me Antonia. Virei-me para ela com ódio no olhar. Acho que ela nunca me vira assim antes, pois recuara dois passos.
- Agora você vai me ouvir, Antonia. Falei brava, fuzilando-a com o olhar.
--------------------------------------------------------
Saí do apartamento de Cláudia e fui para o elevador, saí dele quase chorando. Aquela era Antonia, a mulher com quem Cláudia disse que se casara, mas tinha dito que não estavam mais casadas. A mulher era linda. E pelo visto ainda estavam de rolo. A outra não viria até aqui se ainda não existisse algo entre elas. Droga, estava sem meu carro. Tinha vindo de carona com Cláudia. Pedi ao porteiro para chamar um táxi para mim. Logo o táxi apareceu e dei-lhe um endereço. Lágrimas teimavam em descer pelo meu rosto. Eu tentava em vão secá-las com a mão.
Cheguei ao apartamento de Henrique e joguei-me nos braços dele. Deixei toda decepção que estava sentindo transformar-se num choro copioso, dolorido. Ele abraçou-me com carinho. Nada me perguntou. Fiquei um tempo em seu abraço.
- O que aconteceu, Betinha? Você estava tão feliz hoje à tarde quando nos falamos.
Olhei triste para ele, com meus olhos avermelhados de tanto chorar.
- O amor... não é... para mim, Rique. Falei fungando e novamente lágrimas escorriam pelo meu rosto.
- Vem cá. Vamos sentar. Quero entender o que aconteceu. Vocês pareciam estar bem, meu anjo.
- Estávamos.
- O que aconteceu, Betinha? Vocês brigaram?
- Não, Rique. Estávamos bem, passamos um dia super agradável...
- Então o que aconteceu?
- A mulher dela apareceu. Falei sentindo o coração sangrar.
- Mulher? Da Cláudia? Rique perguntou perplexo.
- Sim.
- Mas, peraí... ela não tinha saído dessa relação? Disse que tinha se separado.
- Parece que não, porque a tal da Antonia apareceu lá como se ainda estivessem juntas.
- Ah, não. Cláudia não ia mentir. Lembra que ela falou que essa mulher era doida de pedra e que inclusive tinha receio de que ela aparecesse por aqui?
- Me lembro.
- Pois então, essa mulher é maluca. Me diz uma coisa, como foi a reação de Cláudia quando viu essa Antonia?
- Parece que não esperava vê-la.
- Recebeu ela bem... digo, com abraços e beijos?
- Não, isso não. Cláudia a recebeu muito seca, brava eu diria.
- Então, Betinha, se ainda rolasse algo entre elas a recepção seria outra.
- Sei lá, Rique. Eu agora estou tão confusa.
- Confusa? Por quê?
- Quando eu acho que as coisas estão começando a ir bem, quando eu acho que posso amar de novo, quando eu crio coragem para pensar nisso, em assumir um namoro... acontece isso.
- Que é isso, Betinha. Eu sei que a Cláudia lhe ama. Ela me disse isso, tá. Rique disse pegando em meu rosto fazendo-me olhar para ele. – Ela te ama, meu anjo. Acredite nisso. Ele me diz sorrindo.
- Ela me disse que me ama. Falei olhando para ele sorrindo e ficando com a face corada.
- Viu. E quando ela disse? Perguntou sorrindo.
- Seu bobo, não interessa, tá.
- Hummm... já sei... foi assim, entre beijos pra cá, beijos pra lá...
- Para, tá.
- E não foi? Rique perguntou rindo.
- Foi. Respondi rindo também.
- Olha, Betinha, Cláudia vai colocar essa mulher para correr. Ela não gosta mais dela. Você vai ver. Acho que amanhã isso já estará resolvido.
- Espero que sim. Eu falei e olhei para ele. – Ela me pediu em namoro.
- Uau... Tá vendo. Se ela não amasse você não iria fazer-lhe um pedido desses. E você respondeu o quê?
- Pedi um tempo para pensar.
- Quê? Não acredito! Por que não aceitou logo, você também gosta dela.
- Eu... ainda tenho medo de me entregar de novo, de me envolver e... acabar sofrendo de novo.
- Betinha, meu anjo, você já está envolvida com ela. Não foi maravilhoso estarem juntas de novo?
- Foi, Rique. Fiquei muito feliz.
- Então, Betinha. A vida é feita de momentos. Tem momentos bons e outros não tão bons, mas permita-se viver, permita-se ser feliz com quem hoje lhe faz feliz. Isso é o que importa. Nada nos dá garantia de que esses momentos bons vão durar para sempre, por isso temos que vivê-los intensamente... no presente! O passado, esse já foi, não volta, seja ele bom ou ruim. E o futuro... bom, esse ainda vai ser. Relaxe e deixe seu coração amar de novo. Você precisa disso, meu anjo.
Suspirei. Olhei para ele sorrindo. Sorriu-me também.
- Quer um cafezinho? Ele me perguntou.
- Hummm... Aceito. Seu café é uma delícia.
- Acompanhados de biscoitinhos?
- Hummm... Mais delícia ainda. Falei rindo.
Fomos para a cozinha e conversamos sobre outras coisas. Rafael não estava, tinha saído com o pai dele. Rique não quis sair, pois estava me esperando ir vê-lo. Embora a conversa que tive com Rique me acalmasse, eu ainda sentia meu coração apertado. Queria estar feliz, mas não estava. Meu medo estava aflorado. Medo de sofrer, de decepcionar-me de novo.
- Boa noite pra você também, Cláudia. Antonia falou. Não vai me convidar para entrar? Perguntou sorrindo insinuante.
Fiquei olhando para ela não acreditando que estava aqui. Como ela me achou? Como tem meu endereço? Como entrou no prédio? Senti um nó forte no estômago. Ela era a última pessoa que eu queria ver. Senti uma vertigem e escorei-me na porta, nisso Antonia entrou, aproveitando o espaço que surgiu.
- Ora, ora... Vejo que você não perdeu tempo, dona Cláudia. Antonia disse olhando para Roberta, que levantou-se do sofá e ficou olhando para Antonia. – Anda trazendo outras mulheres para o seu apartamento. Hummm.... vejo que continua com seu bom gosto.
- O que você está fazendo aqui, Antonia? Perguntei visivelmente alterada.
- Ora, meu amor. Eu vim tomar o meu lugar. Somos casadas, lembra?
- Não somos mais. Se esqueceu?
- Dei-lhe apenas um tempo para organizar as suas idéias. Agora vim para assumir o meu lugar ao seu lado. Antonia disse sorrindo cinicamente.
Roberta pegou sua bolsa e encaminhou-se para a porta.
- Roberta, espere! Eu disse quase desesperada.
Roberta se virou, me fitou com um olhar que não consegui decifrar.
- Não quero atrapalhar, Cláudia. Sua mulher está aí. Não tenho mais nada para fazer aqui.
- Ex-mulher. Eu disse enfática.
- Tchau, Cláudia.
- Não! Roberta... espere...
E Roberta saiu porta afora. Senti uma mão pesada apertando meu coração. Justo quando eu estava entendendo-me com Roberta, aparece-me Antonia. Virei-me para ela com ódio no olhar. Acho que ela nunca me vira assim antes, pois recuara dois passos.
- Agora você vai me ouvir, Antonia. Falei brava, fuzilando-a com o olhar.
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Saí do apartamento de Cláudia e fui para o elevador, saí dele quase chorando. Aquela era Antonia, a mulher com quem Cláudia disse que se casara, mas tinha dito que não estavam mais casadas. A mulher era linda. E pelo visto ainda estavam de rolo. A outra não viria até aqui se ainda não existisse algo entre elas. Droga, estava sem meu carro. Tinha vindo de carona com Cláudia. Pedi ao porteiro para chamar um táxi para mim. Logo o táxi apareceu e dei-lhe um endereço. Lágrimas teimavam em descer pelo meu rosto. Eu tentava em vão secá-las com a mão.
Cheguei ao apartamento de Henrique e joguei-me nos braços dele. Deixei toda decepção que estava sentindo transformar-se num choro copioso, dolorido. Ele abraçou-me com carinho. Nada me perguntou. Fiquei um tempo em seu abraço.
- O que aconteceu, Betinha? Você estava tão feliz hoje à tarde quando nos falamos.
Olhei triste para ele, com meus olhos avermelhados de tanto chorar.
- O amor... não é... para mim, Rique. Falei fungando e novamente lágrimas escorriam pelo meu rosto.
- Vem cá. Vamos sentar. Quero entender o que aconteceu. Vocês pareciam estar bem, meu anjo.
- Estávamos.
- O que aconteceu, Betinha? Vocês brigaram?
- Não, Rique. Estávamos bem, passamos um dia super agradável...
- Então o que aconteceu?
- A mulher dela apareceu. Falei sentindo o coração sangrar.
- Mulher? Da Cláudia? Rique perguntou perplexo.
- Sim.
- Mas, peraí... ela não tinha saído dessa relação? Disse que tinha se separado.
- Parece que não, porque a tal da Antonia apareceu lá como se ainda estivessem juntas.
- Ah, não. Cláudia não ia mentir. Lembra que ela falou que essa mulher era doida de pedra e que inclusive tinha receio de que ela aparecesse por aqui?
- Me lembro.
- Pois então, essa mulher é maluca. Me diz uma coisa, como foi a reação de Cláudia quando viu essa Antonia?
- Parece que não esperava vê-la.
- Recebeu ela bem... digo, com abraços e beijos?
- Não, isso não. Cláudia a recebeu muito seca, brava eu diria.
- Então, Betinha, se ainda rolasse algo entre elas a recepção seria outra.
- Sei lá, Rique. Eu agora estou tão confusa.
- Confusa? Por quê?
- Quando eu acho que as coisas estão começando a ir bem, quando eu acho que posso amar de novo, quando eu crio coragem para pensar nisso, em assumir um namoro... acontece isso.
- Que é isso, Betinha. Eu sei que a Cláudia lhe ama. Ela me disse isso, tá. Rique disse pegando em meu rosto fazendo-me olhar para ele. – Ela te ama, meu anjo. Acredite nisso. Ele me diz sorrindo.
- Ela me disse que me ama. Falei olhando para ele sorrindo e ficando com a face corada.
- Viu. E quando ela disse? Perguntou sorrindo.
- Seu bobo, não interessa, tá.
- Hummm... já sei... foi assim, entre beijos pra cá, beijos pra lá...
- Para, tá.
- E não foi? Rique perguntou rindo.
- Foi. Respondi rindo também.
- Olha, Betinha, Cláudia vai colocar essa mulher para correr. Ela não gosta mais dela. Você vai ver. Acho que amanhã isso já estará resolvido.
- Espero que sim. Eu falei e olhei para ele. – Ela me pediu em namoro.
- Uau... Tá vendo. Se ela não amasse você não iria fazer-lhe um pedido desses. E você respondeu o quê?
- Pedi um tempo para pensar.
- Quê? Não acredito! Por que não aceitou logo, você também gosta dela.
- Eu... ainda tenho medo de me entregar de novo, de me envolver e... acabar sofrendo de novo.
- Betinha, meu anjo, você já está envolvida com ela. Não foi maravilhoso estarem juntas de novo?
- Foi, Rique. Fiquei muito feliz.
- Então, Betinha. A vida é feita de momentos. Tem momentos bons e outros não tão bons, mas permita-se viver, permita-se ser feliz com quem hoje lhe faz feliz. Isso é o que importa. Nada nos dá garantia de que esses momentos bons vão durar para sempre, por isso temos que vivê-los intensamente... no presente! O passado, esse já foi, não volta, seja ele bom ou ruim. E o futuro... bom, esse ainda vai ser. Relaxe e deixe seu coração amar de novo. Você precisa disso, meu anjo.
Suspirei. Olhei para ele sorrindo. Sorriu-me também.
- Quer um cafezinho? Ele me perguntou.
- Hummm... Aceito. Seu café é uma delícia.
- Acompanhados de biscoitinhos?
- Hummm... Mais delícia ainda. Falei rindo.
Fomos para a cozinha e conversamos sobre outras coisas. Rafael não estava, tinha saído com o pai dele. Rique não quis sair, pois estava me esperando ir vê-lo. Embora a conversa que tive com Rique me acalmasse, eu ainda sentia meu coração apertado. Queria estar feliz, mas não estava. Meu medo estava aflorado. Medo de sofrer, de decepcionar-me de novo.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
36 - Nem tudo é perfeito
Com muito custo saímos atrasadas para almoçar. Eu estava feliz e morrendo de fome. Ainda tinha um certo receio e pairava uma sombra de medo em meu coração. Tinha medo de envolver-me novamente e de novo sofrer.
Estávamos em um restaurante japonês. Cláudia sempre gostou de comida japonesa. Eu não era tão apaixonada assim, mas apreciava. Cláudia contava-me sobre o período em que morou nas outras cidades. O papo estava muito agradável. De repente meu celular tocou. Pedi licença a ela e o atendi.
- Onde você está mulher? Poxa, deixou esse telefone desligado até agora. Falou um Henrique quase histérico do outro lado da linha.
- Oi, Rique. Um bom dia para você também. Falei divertida.
- Bom dia, Betinha. Desculpe-me, mas é que estou tentando falar contigo desde ontem à noite. Estava preocupado. Tá tudo bem?
- Sim, tudo bem.
- Onde você está? Passei na sua casa agora a pouco e você não estava.
- Eu... tô com a Cláudia.
- Hummm... Está com a Cláudia? Aí, tô gostando de ver. Falou rindo.
- Estamos almoçando.
- Uh-hum. E esse telefone desligado desde ontem? Aconteceu o que eu tô pensando?
- Rique, por favor, né.
- Ai, Betinha, é só dizer sim ou não.
- Você não tem jeito, né? É sim.
- O quê? Jura?
- Rique, depois a gente se fala, ok? Agora eu estou almoçando.
- Tá... tá. Tudo bem. Quero saber de t-u-d-o. Depois você me conta. Estou em cócegas aqui. Henrique falou rindo.
- Tá bom. Mais tarde eu passo aí. Beijos.
- Te espero. Beijos.
Desliguei. Olhei para Cláudia. Ela me observava com um sorriso lindo. Sorri para ela.
- Era o Rique. Falei.
- Eu percebi. Ela disse sorrindo.
Continuamos nosso almoço com o clima descontraído.
- O que você acha de darmos um pulo no Jardim Botânico? Cláudia me perguntou.
- Acho ótimo. Faz tempo que não o visito.
- Ah, mas não mais do que eu. Depois que saí daqui nunca mais o visitei, nem nas pouquíssimas vezes que vim à Curitiba.
- Não deve ter mudado muita coisa. Falei sorrindo.
Saímos do restaurante e fomos em direção ao Jardim Botânico. Ficamos um tempo ali conversando e apreciando a beleza das plantas. Não conversávamos sobre nós. Ela não tocava no assunto e nem eu. Eu que pedi e adorei ter feito amor com ela, mas ainda não sabia se queria assumir um novo relacionamento com ela. Nem sabia se ela queria isso! Ela dissera que me amava. Seria verdade? Ela nunca havia me dito isso, nem na época em que namorávamos. De repente foi apenas no calor do momento. Estava cheia de dúvidas, cheia de medos. Não queria me envolver de novo. Disse várias vezes para mim mesma que não queria me envolver com a Cláudia, e agora estava aqui, ao lado dela, feliz por estar em sua companhia, mas cheia de medos.
- Dez centavos pelos seus pensamentos. Cláudia falou rindo.
- Só dez centavos? É muito pouco. Ri também.
- Eu perguntei se poderíamos voltar para meu apartamento.
- Claro. Já vimos tudo o que tinha para ver. Vamos sim. Disse isso, mas no fundo estava um pouco nervosa. De certa forma estava com receio de ficar a sós com ela de novo.
Voltamos para o seu apartamento. A noite começava a cair. Entramos e ela ofereceu uma bebida. Aceitei um licor. Ela nos serviu. Sentamos no sofá e ela encarou-me. Olhou para suas mãos e voltou a encarar-me. Parecia querer me dizer algo.
- Roberta... eu... é... foi lindo, maravilhoso o que aconteceu entre nós. Eu... eu quero saber se você gostaria de... namorar comigo de novo? Falou e fitou-me com um olhar apreensivo.
Fui pega de surpresa, pois não esperava tal pedido. Meu coração estava acelerado.
- Eu... Cláudia... eu... Desculpe, tô nervosa. Sorri. – Depois do que me aconteceu... digo... o meu passado... eu não sei. Eu... preciso pensar.
- Entendo. Dou-lhe todo o tempo que você precisar. Ela disse e fitou-me com os olhos demonstrando tristeza.
- Eu... tenho medo de me machucar de novo.
- Eu sei que decepcionei-lhe no passado. Sei que lhe fiz mal. Eu a amo tanto, Roberta. Dê-nos essa chance. Cláudia falava com os olhos marejados. – Não quero jamais decepcioná-la novamente. Quero fazer você muito feliz.
- Eu sei, mas preciso... preciso desse tempo, por favor.
- Tá. Tudo bem. Ela disse-me fitando com o olhar triste.
Senti vontade de atirar-me em seus braços e aceitar o pedido de namoro dela, mas não podia agir impulsivamente. Já agi de impulso pedindo para fazermos amor.
- Vamos assistir um filme? Cláudia perguntou-me sorrindo.
- Vamos. Disse. Mais tarde daria uma passada rápida na casa de Henrique. Pensei.
Nisso a campainha toca. Uma vez. Duas vezes. Cláudia olhou-me surpresa.
- Quem será? Ela disse. – Deixe-me ir atender.
Ela levantou-se e foi até a porta. Fiquei sentada no sofá. De onde eu estava dava para ver a porta. Ela abriu e uma mulher muito bonita estava do lado de fora. Cláudia somente a ficou olhando e logo disse:
- Antonia!?
Estávamos em um restaurante japonês. Cláudia sempre gostou de comida japonesa. Eu não era tão apaixonada assim, mas apreciava. Cláudia contava-me sobre o período em que morou nas outras cidades. O papo estava muito agradável. De repente meu celular tocou. Pedi licença a ela e o atendi.
- Onde você está mulher? Poxa, deixou esse telefone desligado até agora. Falou um Henrique quase histérico do outro lado da linha.
- Oi, Rique. Um bom dia para você também. Falei divertida.
- Bom dia, Betinha. Desculpe-me, mas é que estou tentando falar contigo desde ontem à noite. Estava preocupado. Tá tudo bem?
- Sim, tudo bem.
- Onde você está? Passei na sua casa agora a pouco e você não estava.
- Eu... tô com a Cláudia.
- Hummm... Está com a Cláudia? Aí, tô gostando de ver. Falou rindo.
- Estamos almoçando.
- Uh-hum. E esse telefone desligado desde ontem? Aconteceu o que eu tô pensando?
- Rique, por favor, né.
- Ai, Betinha, é só dizer sim ou não.
- Você não tem jeito, né? É sim.
- O quê? Jura?
- Rique, depois a gente se fala, ok? Agora eu estou almoçando.
- Tá... tá. Tudo bem. Quero saber de t-u-d-o. Depois você me conta. Estou em cócegas aqui. Henrique falou rindo.
- Tá bom. Mais tarde eu passo aí. Beijos.
- Te espero. Beijos.
Desliguei. Olhei para Cláudia. Ela me observava com um sorriso lindo. Sorri para ela.
- Era o Rique. Falei.
- Eu percebi. Ela disse sorrindo.
Continuamos nosso almoço com o clima descontraído.
- O que você acha de darmos um pulo no Jardim Botânico? Cláudia me perguntou.
- Acho ótimo. Faz tempo que não o visito.
- Ah, mas não mais do que eu. Depois que saí daqui nunca mais o visitei, nem nas pouquíssimas vezes que vim à Curitiba.
- Não deve ter mudado muita coisa. Falei sorrindo.
Saímos do restaurante e fomos em direção ao Jardim Botânico. Ficamos um tempo ali conversando e apreciando a beleza das plantas. Não conversávamos sobre nós. Ela não tocava no assunto e nem eu. Eu que pedi e adorei ter feito amor com ela, mas ainda não sabia se queria assumir um novo relacionamento com ela. Nem sabia se ela queria isso! Ela dissera que me amava. Seria verdade? Ela nunca havia me dito isso, nem na época em que namorávamos. De repente foi apenas no calor do momento. Estava cheia de dúvidas, cheia de medos. Não queria me envolver de novo. Disse várias vezes para mim mesma que não queria me envolver com a Cláudia, e agora estava aqui, ao lado dela, feliz por estar em sua companhia, mas cheia de medos.
- Dez centavos pelos seus pensamentos. Cláudia falou rindo.
- Só dez centavos? É muito pouco. Ri também.
- Eu perguntei se poderíamos voltar para meu apartamento.
- Claro. Já vimos tudo o que tinha para ver. Vamos sim. Disse isso, mas no fundo estava um pouco nervosa. De certa forma estava com receio de ficar a sós com ela de novo.
Voltamos para o seu apartamento. A noite começava a cair. Entramos e ela ofereceu uma bebida. Aceitei um licor. Ela nos serviu. Sentamos no sofá e ela encarou-me. Olhou para suas mãos e voltou a encarar-me. Parecia querer me dizer algo.
- Roberta... eu... é... foi lindo, maravilhoso o que aconteceu entre nós. Eu... eu quero saber se você gostaria de... namorar comigo de novo? Falou e fitou-me com um olhar apreensivo.
Fui pega de surpresa, pois não esperava tal pedido. Meu coração estava acelerado.
- Eu... Cláudia... eu... Desculpe, tô nervosa. Sorri. – Depois do que me aconteceu... digo... o meu passado... eu não sei. Eu... preciso pensar.
- Entendo. Dou-lhe todo o tempo que você precisar. Ela disse e fitou-me com os olhos demonstrando tristeza.
- Eu... tenho medo de me machucar de novo.
- Eu sei que decepcionei-lhe no passado. Sei que lhe fiz mal. Eu a amo tanto, Roberta. Dê-nos essa chance. Cláudia falava com os olhos marejados. – Não quero jamais decepcioná-la novamente. Quero fazer você muito feliz.
- Eu sei, mas preciso... preciso desse tempo, por favor.
- Tá. Tudo bem. Ela disse-me fitando com o olhar triste.
Senti vontade de atirar-me em seus braços e aceitar o pedido de namoro dela, mas não podia agir impulsivamente. Já agi de impulso pedindo para fazermos amor.
- Vamos assistir um filme? Cláudia perguntou-me sorrindo.
- Vamos. Disse. Mais tarde daria uma passada rápida na casa de Henrique. Pensei.
Nisso a campainha toca. Uma vez. Duas vezes. Cláudia olhou-me surpresa.
- Quem será? Ela disse. – Deixe-me ir atender.
Ela levantou-se e foi até a porta. Fiquei sentada no sofá. De onde eu estava dava para ver a porta. Ela abriu e uma mulher muito bonita estava do lado de fora. Cláudia somente a ficou olhando e logo disse:
- Antonia!?
terça-feira, 6 de maio de 2008
35 - Amor no ar
Cláudia me olhou com o olhar carregado de paixão. Acariciou meu rosto com seus dedos, me encarando.
- Eu te amo, minha princesinha. Disse com a voz rouca.
Senti-me quase desfalecer ao ouvir isso.
- Repete. Pedi num sussurro. Não estava acreditando no que tinha ouvido. Sempre sonhei em ouvir isso.
- Eu te amo, Roberta. Sempre te amei. Disse e me beijou-me apaixonadamente.
Meu corpo vibrou loucamente com essa declaração. Eu queria senti-la por completo, queria amá-la.
- Quero que você me ame. Disse em seu ouvido, mordiscando sua orelha. Beijei seu pescoço. Cláudia gemeu e isso me enlouqueceu.
Estava faminta por sentir esta mulher de novo em meus braços. Enfiei minha mão sob sua blusa e a puxei para cima. Deleitei-me com a visão de seus seios sob o sutiã. Desci minha boca até um deles e beijei-o por cima da pequena peça. Queria sugar seu biquinho, deixá-lo durinho de tesão. Tirei seu sutiã. A visão de seus seios lindos enlouqueceu-me de prazer. Cláudia fez o mesmo comigo. Nos abraçamos, sentindo o contato de nossas peles nuas, quentes e macias, provocando-nos deliciosamente. Meu corpo clamava por mais. Tentei desabotoar sua calça e ela mesma a tirou, apressada. Tirei a minha. Ficamos somente de calcinhas. Nos abraçamos e nos beijamos, nossas coxas se esfregavam provocando nossos sexos já molhados de tanto tesão. Ela me olhou e sorriu, pegou minha mão e levou-me para o quarto. Deitou-me carinhosamente na cama e deitou-se ao meu lado, virada para mim. Olhávamos-nos, nossos olhares estavam carregados de paixão, nossos corpos ansiavam pelo prazer que estava por vir. Ela passou seu dedo contornado meu rosto, contornou meus lábios, desceu fazendo um suave carinho em meu pescoço, desceu para meus seios e contornou ambos os mamilos. Gemia a cada carinho que ela me fazia. Meu corpo ardia de desejo. Ela tomou minha boca num beijo demorado e molhado, depois desceu sua boca beijando cada milímetro da minha pele, provocando sensações maravilhosas em meu corpo. Meu sexo pulsava forte, implorando por um contato mais íntimo. Sua mão percorria meu corpo, sua boca acompanhava beijando cada pedacinho dele. Sentia sua língua me provocando. Beijou meus seios, minha barriga. Nossos gemidos misturavam-se. Sua coxa pressionou meu sexo fazendo-me delirar. Sua mão desceu até ele. Acariciou-o por cima da pequena peça de renda. Soltei um gemido de prazer.
- Ahhh... meu... amor, me come logo.... disse com certa dificuldade.
- Sim... eu lhe quero tanto. Cláudia disse e sua mão invadiu minha calcinha, seu dedo deslizou em meu sexo molhado.
Fiquei alucinada. Gemia muito. Tentei empurrá-la para meu sexo. Ela desceu beijando meu corpo em direção a ele. Beijou-o, mordiscou-o sob a calcinha. Eu queria senti-la dentro de mim. Ela tirou a pequena peça que impedia o livre contato e tirou a dela também. Beijou e lambeu minhas pernas, meus joelhos, minha virilha.
- Não me torture assim... Sussurrei totalmente entregue aos seus carinhos.
Senti sua boca tomar conta de meu sexo. Delícia. Sua língua percorreu-o, brincou com meu clitóris durinho de tanto tesão. Cláudia provocava em mim sensações deliciosas que tomavam conta de todo meu corpo. Sua língua deliciosa lambia-me com vontade. Implorei para que me penetrasse. Senti seu dedo invadir-me deliciosamente. Senti-me completa. Ela começou a movimentar sua mão no delicioso ritmo do vai e vem, senti meu líquido escorrer. Ela tomou minha boca num beijo gostoso e molhado e continuou movimentando sua mão em mim. Ela encaixou seu sexo totalmente molhado em minha coxa e começou a se esfregar deliciosamente em mim. Nos perdemos nessa dança maravilhosa por um tempo. Nossos gemidos se confundiam. Nossas respirações estavam quentes. Nossas bocas quase não se separavam. Comecei a sentir uma sensação deliciosa e forte tomar conta de meu corpo.
- Ahhh... vou gozar..... Disse totalmente perdida nas sensações que tomavam conta de meu corpo.
Movimentei-me, rebolando cada vez mais rápido. Senti que ela também estava para gozar. Nossos corpos explodiram num gozo forte, em completo êxtase. Senti-me transportada para outra dimensão. Uma paz imensa era o que eu estava sentindo. Cláudia beijou-me amorosamente. Era delicioso sentir nossos corpos suados e coladinhos. Senti-me novamente viva. Ela puxou-me e aconchegou-me em seus braços. Depositou beijos em meus cabelos. Ela levantou meu rosto e fez com que eu olhasse para ela.
- Eu sempre lhe amei, Roberta. Sempre. Você é a minha princesinha. Só me dei conta de que eu lhe amava quando eu fui embora.
A olhei com ternura. Dei-lhe um beijo em sua boca carnuda e deliciosa.
- Por que não quis levar-me com você?
- Eu não podia, minha princesa. Na época você era menor de idade, tinha a sua faculdade, sua família. Eu não poderia desestruturar a sua vida jamais. Eu tinha medo de que, se fizesse isso, você viesse a se arrepender.
- Poderíamos ter conversado. Teríamos arrumado uma solução.
- Você não me deixou falar nada. Não quis ouvir minha explicação. E com a reação que você teve, decidi que seria melhor não manter contato.
- Sofri tanto. Suspirei. – Mas isso é passado e o que importa é o presente. Disse e sorri para ela. Discutir por que foi feito de tal forma não resolveria nada, então não via porque continuar com o assunto. Entendi perfeitamente suas razões, do porque ela ter agido daquela forma comigo. – Eu tô com fome. Falei rindo.
- Ah, agora bateu a fome, né?
- É. Ri. – Aquele almoço ainda está de pé? Perguntei esfregando-me nela.
- Está, mas se você começar assim ele vai se transformar em jantar. Cláudia falou rindo.
- Hummm... Não me importo. Falei sugando seu mamilo.
- Roberta, você não está com fome?
- Estou com muita fome... de você!
Beijei-a e passei a explorar com imensa saudade seu corpo. Eu precisava senti-lo tremer em meus braços, precisava sentir seu gosto. Amá-la novamente como sempre a amei. Deliciei-me com seu corpo, arrancando gemidos fortes de Cláudia. Levei-a ao paraíso... e fui junto!
- Eu te amo, minha princesinha. Disse com a voz rouca.
Senti-me quase desfalecer ao ouvir isso.
- Repete. Pedi num sussurro. Não estava acreditando no que tinha ouvido. Sempre sonhei em ouvir isso.
- Eu te amo, Roberta. Sempre te amei. Disse e me beijou-me apaixonadamente.
Meu corpo vibrou loucamente com essa declaração. Eu queria senti-la por completo, queria amá-la.
- Quero que você me ame. Disse em seu ouvido, mordiscando sua orelha. Beijei seu pescoço. Cláudia gemeu e isso me enlouqueceu.
Estava faminta por sentir esta mulher de novo em meus braços. Enfiei minha mão sob sua blusa e a puxei para cima. Deleitei-me com a visão de seus seios sob o sutiã. Desci minha boca até um deles e beijei-o por cima da pequena peça. Queria sugar seu biquinho, deixá-lo durinho de tesão. Tirei seu sutiã. A visão de seus seios lindos enlouqueceu-me de prazer. Cláudia fez o mesmo comigo. Nos abraçamos, sentindo o contato de nossas peles nuas, quentes e macias, provocando-nos deliciosamente. Meu corpo clamava por mais. Tentei desabotoar sua calça e ela mesma a tirou, apressada. Tirei a minha. Ficamos somente de calcinhas. Nos abraçamos e nos beijamos, nossas coxas se esfregavam provocando nossos sexos já molhados de tanto tesão. Ela me olhou e sorriu, pegou minha mão e levou-me para o quarto. Deitou-me carinhosamente na cama e deitou-se ao meu lado, virada para mim. Olhávamos-nos, nossos olhares estavam carregados de paixão, nossos corpos ansiavam pelo prazer que estava por vir. Ela passou seu dedo contornado meu rosto, contornou meus lábios, desceu fazendo um suave carinho em meu pescoço, desceu para meus seios e contornou ambos os mamilos. Gemia a cada carinho que ela me fazia. Meu corpo ardia de desejo. Ela tomou minha boca num beijo demorado e molhado, depois desceu sua boca beijando cada milímetro da minha pele, provocando sensações maravilhosas em meu corpo. Meu sexo pulsava forte, implorando por um contato mais íntimo. Sua mão percorria meu corpo, sua boca acompanhava beijando cada pedacinho dele. Sentia sua língua me provocando. Beijou meus seios, minha barriga. Nossos gemidos misturavam-se. Sua coxa pressionou meu sexo fazendo-me delirar. Sua mão desceu até ele. Acariciou-o por cima da pequena peça de renda. Soltei um gemido de prazer.
- Ahhh... meu... amor, me come logo.... disse com certa dificuldade.
- Sim... eu lhe quero tanto. Cláudia disse e sua mão invadiu minha calcinha, seu dedo deslizou em meu sexo molhado.
Fiquei alucinada. Gemia muito. Tentei empurrá-la para meu sexo. Ela desceu beijando meu corpo em direção a ele. Beijou-o, mordiscou-o sob a calcinha. Eu queria senti-la dentro de mim. Ela tirou a pequena peça que impedia o livre contato e tirou a dela também. Beijou e lambeu minhas pernas, meus joelhos, minha virilha.
- Não me torture assim... Sussurrei totalmente entregue aos seus carinhos.
Senti sua boca tomar conta de meu sexo. Delícia. Sua língua percorreu-o, brincou com meu clitóris durinho de tanto tesão. Cláudia provocava em mim sensações deliciosas que tomavam conta de todo meu corpo. Sua língua deliciosa lambia-me com vontade. Implorei para que me penetrasse. Senti seu dedo invadir-me deliciosamente. Senti-me completa. Ela começou a movimentar sua mão no delicioso ritmo do vai e vem, senti meu líquido escorrer. Ela tomou minha boca num beijo gostoso e molhado e continuou movimentando sua mão em mim. Ela encaixou seu sexo totalmente molhado em minha coxa e começou a se esfregar deliciosamente em mim. Nos perdemos nessa dança maravilhosa por um tempo. Nossos gemidos se confundiam. Nossas respirações estavam quentes. Nossas bocas quase não se separavam. Comecei a sentir uma sensação deliciosa e forte tomar conta de meu corpo.
- Ahhh... vou gozar..... Disse totalmente perdida nas sensações que tomavam conta de meu corpo.
Movimentei-me, rebolando cada vez mais rápido. Senti que ela também estava para gozar. Nossos corpos explodiram num gozo forte, em completo êxtase. Senti-me transportada para outra dimensão. Uma paz imensa era o que eu estava sentindo. Cláudia beijou-me amorosamente. Era delicioso sentir nossos corpos suados e coladinhos. Senti-me novamente viva. Ela puxou-me e aconchegou-me em seus braços. Depositou beijos em meus cabelos. Ela levantou meu rosto e fez com que eu olhasse para ela.
- Eu sempre lhe amei, Roberta. Sempre. Você é a minha princesinha. Só me dei conta de que eu lhe amava quando eu fui embora.
A olhei com ternura. Dei-lhe um beijo em sua boca carnuda e deliciosa.
- Por que não quis levar-me com você?
- Eu não podia, minha princesa. Na época você era menor de idade, tinha a sua faculdade, sua família. Eu não poderia desestruturar a sua vida jamais. Eu tinha medo de que, se fizesse isso, você viesse a se arrepender.
- Poderíamos ter conversado. Teríamos arrumado uma solução.
- Você não me deixou falar nada. Não quis ouvir minha explicação. E com a reação que você teve, decidi que seria melhor não manter contato.
- Sofri tanto. Suspirei. – Mas isso é passado e o que importa é o presente. Disse e sorri para ela. Discutir por que foi feito de tal forma não resolveria nada, então não via porque continuar com o assunto. Entendi perfeitamente suas razões, do porque ela ter agido daquela forma comigo. – Eu tô com fome. Falei rindo.
- Ah, agora bateu a fome, né?
- É. Ri. – Aquele almoço ainda está de pé? Perguntei esfregando-me nela.
- Está, mas se você começar assim ele vai se transformar em jantar. Cláudia falou rindo.
- Hummm... Não me importo. Falei sugando seu mamilo.
- Roberta, você não está com fome?
- Estou com muita fome... de você!
Beijei-a e passei a explorar com imensa saudade seu corpo. Eu precisava senti-lo tremer em meus braços, precisava sentir seu gosto. Amá-la novamente como sempre a amei. Deliciei-me com seu corpo, arrancando gemidos fortes de Cláudia. Levei-a ao paraíso... e fui junto!
segunda-feira, 5 de maio de 2008
34 - Constatação
Céus, parecia que minha cabeça iria explodir. Tentei abrir os olhos, mas senti dificuldade. Estava com minha garganta seca. Precisava beber água. Parecia que tinha um tambor batendo dentro da minha cabeça, que doía muito. Que mal-estar horrível! Abri os olhos lentamente e vi que eu estava em meu quarto. Como eu vim parar aqui? Mexi-me na cama e senti o corpo de alguém ao meu lado. Virei-me assustada para olhar. Cláudia?! Ela dormia serenamente. O que ela estava fazendo aqui? Será que a gente...? Meu Deus, que vergonha! Eu fiquei completamente bêbada. Lembrei-me que a vi beijando Milena. Por que Cláudia não estava com ela? Que merda! Eu tinha ido com ela, viu-me bêbada e trouxe-me para cá. Acho que sem querer empatei o romance dela. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Enxuguei-a com a mão. Gostaria que ela estivesse aqui comigo porque queria estar e não por obrigação por ter me levado à festa. Sentiu-se responsável por mim. Senti-me péssima com este pensamento.
Levantei-me da cama com certa dificuldade. Percebi que estava só de calcinha e sutiã. Perdi o equilíbrio e só não caí porque a parede me amparou. Bati o braço na cabeceira da cama e fez barulho acordando Cláudia. Ela levantou num pulo só e veio abraçar-me. Senti-me protegida em seu abraço. Céus, ela também estava só de calcinha e sutiã. O contato de nossas peles nuas deixava-me em brasa. Eu a queria tanto, mas era Milena quem ela preferia.
- Roberta, você está bem?
Agarrei-me nela e comecei a chorar. Não queria chorar na frente dela, mas não consegui controlar-me.
- O que você tem? Cláudia perguntou e passou mão carinhosamente pelo meu rosto. – Você está com saudades da Cristina, não é?
Quando ela perguntou isso, chorei copiosamente. Sentia meu coração moído. Por tudo. Parecia que não me era dado o direito de ser feliz no amor. Cristina era meu amado passado que nunca mais retornaria. Nunca mais era muito forte. Cláudia era também meu passado. Descobri o que sentia por ela tinha renascido, mas ela não me queria, sua escolha era Milena. Sentia-me um caco.
- Henrique me falou dela. Contou-me sua história. Ela disse acariciando meus cabelos. – Sinto muito por ter acontecido isto com você. É que você falou no nome dela ontem à noite, por isso estou falando dela.
Não disse nada. Permaneci abraçada a ela, chorando silenciosamente. Sentia o calor de seu corpo junto ao meu, sua pele tocando a minha. Eu queria esta mulher de novo. Não queria o sentimento de pena, queria amor.
De repente senti uma bola em meu estômago e num impulso saí correndo para o banheiro. Nem sei como consegui chegar lá. Estava aí o resultado de ter bebido de forma irresponsável: dor de cabeça, tonturas e vômitos, isso sem contar que me sentia totalmente péssima.
Apareci na porta do banheiro com a mão na minha testa. Ela olhou-me e sorriu.
- Tome um banho. Você vai sentir-se melhor. Disse-me sorrindo.
- Tá, vou tomar.
- Vou fazer um café forte pra gente.
- Eu não quero nada. Só de pensar em comer...
- Ah, mas o café você vai tomar, pois vai lhe fazer bem.
Balancei a cabeça afirmativamente. Ela se aproximou de mim e me abraçou.
- Você vai ficar bem, tá. Tome seu banho agora. Ela disse isso e me deu um beijo na testa. Pegou suas roupas, vestiu-se e olhou-me.
- Vai tomar seu banho. Disse-me carinhosamente. – Vou fazer o café. E saiu em direção à cozinha.
Entrei no banheiro, liguei o chuveiro e fiquei embaixo dele, sentindo-me a última das criaturas. Banho completo, da cabeça aos pés. Sentia-me melhor depois dele. Escolhi uma roupa confortável, uma camiseta e uma bermuda, e vesti-me. Fui para a cozinha e ao chegar senti o delicioso cheiro de café recém feito. Ela me viu e sorriu.
- Está melhor?
- Sim, mas minha cabeça parece que vai explodir.
- Tome um analgésico que melhora.
- Vou tomar. Fui até onde guardava os medicamentos, na cozinha mesmo, peguei um copo com água e tomei. Ela ficou me observando.
- Fiz muito papelão na festa de ontem? Perguntei ficando enrubescida. Ela sorriu.
- Acho que não, achei você sozinha sentada num banco meio retirado do agito. Saímos sem levantar suspeitas.
- Eu quero lhe pedir desculpas, se eu não tivesse bebido você estaria com sua namorada e não comigo. Não queria lhe atrapalhar. Eu disse isso e ela arregalou os olhos.
- Minha namorada? Mas eu não tenho namorada.
- Milena não é a sua namorada? Perguntei esperando que o “não” fosse a resposta.
- Claro que não. Por que você acha isso? Cláudia perguntou entregando-me uma xícara de café fumegante.
- É que... É que... eu... eu vi vocês duas se beijando no banheiro ontem. Falei ficando totalmente vermelha.
- Ah, o que você viu foi Milena tentando me beijar. Você acredita que ela simplesmente me agarrou e me beijou?
- É? Perguntei sentindo uma certa felicidade me contagiar.
- Sim, ela estava meio bêbada. Dei-lhe uma bronca e pedi que nunca mais fizesse isso, por que não me interesso em namorá-la. Cláudia disse-me encarando, senti uma vontade imensa de beijá-la. – Vamos comer alguma coisa? Perguntou-me.
- Hummm... acho que agora não. Só de pensar em comer... arghhhh.... meu estômago embrulha.
- Tá bom, mas depois você vai comer alguma coisa, porque não pode ficar assim.
- Uh-hum... Comerei. Disse sorrindo. Eu estava sentindo uma felicidade imensa.
- Eu vou comer, que estou faminta. Disse e sentou-se à mesa.
Sentei-me também. Ficava olhando ela com um sorriso permanente nos lábios. Estava adorando tê-la em minha casa. Era como se ela fizesse parte do lugar. Eu sorvia lentamente meu café. Ela conversava sobre a festa de ontem, de algumas passagens engraçadas. Ela ria e eu também. Observava-a de forma apaixonada. Logo eu, que não queria me envolver com ninguém, estava novamente apaixonada por quem foi meu primeiro amor. Tinha medo. Acho que o medo sempre existiria, mas precisava aprender a contorná-lo. Não poderia deixar ele tomar conta de mim. Eu era mais forte que ele.
- Sua cabeça ainda dói? Ela perguntou-me.
- Um pouco. Diminuiu, mas ainda incomoda.
- Estava pensando de sairmos para almoçarmos. Que tal? Perguntou-me sorrindo. Seu sorriso era lindo, apaixonante.
- Adoraria. Respondi sorrindo e sentindo-me hipnotizada pelo seu olhar.
- Se importa de passarmos antes na minha casa para que eu possa tomar um banho e trocar de roupa?
- Claro que não. Bem que eu tô sentindo um cheirinho no ar. Falei gargalhando.
- Sua boba. Ela riu também.
E assim fizemos. Troquei de roupa e fomos para o seu apartamento. Ao entrar nele senti como se o passado vivido ali tivesse acontecido ontem. Lembrei-me de nosso amor. Opa, do meu amor, pois Cláudia nunca dissera que me amava.
- Fique à vontade, Roberta. Vou tomar meu banho.
- Tá, ficarei. Não se preocupe.
Resolvi colocar uma música. Fui ver seus CD’s. Escolhi uma música romântica. Sentei-me no sofá. Fechei meus olhos e senti a música invadir meu corpo. Estava de novo apaixonada por Cláudia, mas o que ela sentia por mim? Só amizade? Ou sentia algo mais, como eu? Lembrei-me do beijo na casa de Henrique. Ela que me beijara. Ela não teria me beijado se não sentisse nada por mim. Esse pensamento deixou-me confiante. Levantei-me do sofá e fui até a porta da sacada. Fiquei olhando a cidade lá fora. Pensava no passado, no presente e tentava imaginar um futuro repleto de felicidade. Cabia a nós construirmos nosso futuro. Tentar fazer sempre o melhor para que fosse sempre maravilhoso.
Senti Cláudia se aproximar de mim. Não me virei. Fiquei como estava, de costas para ela. Senti que ela se aproximou mais. Nada era dito. Só a música ecoava no ambiente. Senti a sua mão em minha cintura. Fechei meus olhos. Peguei sua mão e a puxei de encontro ao meu corpo. Seu outro braço abraçou-me completamente. Ela mergulhou seu rosto em meus cabelos. Senti um suave beijo em minha nuca. Meu corpo estremeceu todo. Meu coração batia loucamente no peito. Ouvi-a sussurrar meu nome, sua voz rouca excitava-me. Lentamente me virei. Continuamos abraçadas. Levantei meus olhos e vi seu olhar carregado de paixão. Sua mão subiu até meu rosto e com os dedos suavemente o contornou. Ela foi aproximando-se lentamente. Nossas respirações se confundiam. Meu coração pulava no peito. Ansiava por seu beijo. Nossos lábios se tocaram suavemente, mas no instante seguinte o beijo se transformou em apaixonado, faminto, voraz. Minhas mãos percorriam suas costas. Seu perfume me enlouquecia. Seu beijo me enlouquecia. Seu corpo me enlouquecia. A razão desapareceu. Interrompi o beijo, a encarei.
- Quero fazer amor com você! Sussurrei com a voz rouca de paixão.
Levantei-me da cama com certa dificuldade. Percebi que estava só de calcinha e sutiã. Perdi o equilíbrio e só não caí porque a parede me amparou. Bati o braço na cabeceira da cama e fez barulho acordando Cláudia. Ela levantou num pulo só e veio abraçar-me. Senti-me protegida em seu abraço. Céus, ela também estava só de calcinha e sutiã. O contato de nossas peles nuas deixava-me em brasa. Eu a queria tanto, mas era Milena quem ela preferia.
- Roberta, você está bem?
Agarrei-me nela e comecei a chorar. Não queria chorar na frente dela, mas não consegui controlar-me.
- O que você tem? Cláudia perguntou e passou mão carinhosamente pelo meu rosto. – Você está com saudades da Cristina, não é?
Quando ela perguntou isso, chorei copiosamente. Sentia meu coração moído. Por tudo. Parecia que não me era dado o direito de ser feliz no amor. Cristina era meu amado passado que nunca mais retornaria. Nunca mais era muito forte. Cláudia era também meu passado. Descobri o que sentia por ela tinha renascido, mas ela não me queria, sua escolha era Milena. Sentia-me um caco.
- Henrique me falou dela. Contou-me sua história. Ela disse acariciando meus cabelos. – Sinto muito por ter acontecido isto com você. É que você falou no nome dela ontem à noite, por isso estou falando dela.
Não disse nada. Permaneci abraçada a ela, chorando silenciosamente. Sentia o calor de seu corpo junto ao meu, sua pele tocando a minha. Eu queria esta mulher de novo. Não queria o sentimento de pena, queria amor.
De repente senti uma bola em meu estômago e num impulso saí correndo para o banheiro. Nem sei como consegui chegar lá. Estava aí o resultado de ter bebido de forma irresponsável: dor de cabeça, tonturas e vômitos, isso sem contar que me sentia totalmente péssima.
Apareci na porta do banheiro com a mão na minha testa. Ela olhou-me e sorriu.
- Tome um banho. Você vai sentir-se melhor. Disse-me sorrindo.
- Tá, vou tomar.
- Vou fazer um café forte pra gente.
- Eu não quero nada. Só de pensar em comer...
- Ah, mas o café você vai tomar, pois vai lhe fazer bem.
Balancei a cabeça afirmativamente. Ela se aproximou de mim e me abraçou.
- Você vai ficar bem, tá. Tome seu banho agora. Ela disse isso e me deu um beijo na testa. Pegou suas roupas, vestiu-se e olhou-me.
- Vai tomar seu banho. Disse-me carinhosamente. – Vou fazer o café. E saiu em direção à cozinha.
Entrei no banheiro, liguei o chuveiro e fiquei embaixo dele, sentindo-me a última das criaturas. Banho completo, da cabeça aos pés. Sentia-me melhor depois dele. Escolhi uma roupa confortável, uma camiseta e uma bermuda, e vesti-me. Fui para a cozinha e ao chegar senti o delicioso cheiro de café recém feito. Ela me viu e sorriu.
- Está melhor?
- Sim, mas minha cabeça parece que vai explodir.
- Tome um analgésico que melhora.
- Vou tomar. Fui até onde guardava os medicamentos, na cozinha mesmo, peguei um copo com água e tomei. Ela ficou me observando.
- Fiz muito papelão na festa de ontem? Perguntei ficando enrubescida. Ela sorriu.
- Acho que não, achei você sozinha sentada num banco meio retirado do agito. Saímos sem levantar suspeitas.
- Eu quero lhe pedir desculpas, se eu não tivesse bebido você estaria com sua namorada e não comigo. Não queria lhe atrapalhar. Eu disse isso e ela arregalou os olhos.
- Minha namorada? Mas eu não tenho namorada.
- Milena não é a sua namorada? Perguntei esperando que o “não” fosse a resposta.
- Claro que não. Por que você acha isso? Cláudia perguntou entregando-me uma xícara de café fumegante.
- É que... É que... eu... eu vi vocês duas se beijando no banheiro ontem. Falei ficando totalmente vermelha.
- Ah, o que você viu foi Milena tentando me beijar. Você acredita que ela simplesmente me agarrou e me beijou?
- É? Perguntei sentindo uma certa felicidade me contagiar.
- Sim, ela estava meio bêbada. Dei-lhe uma bronca e pedi que nunca mais fizesse isso, por que não me interesso em namorá-la. Cláudia disse-me encarando, senti uma vontade imensa de beijá-la. – Vamos comer alguma coisa? Perguntou-me.
- Hummm... acho que agora não. Só de pensar em comer... arghhhh.... meu estômago embrulha.
- Tá bom, mas depois você vai comer alguma coisa, porque não pode ficar assim.
- Uh-hum... Comerei. Disse sorrindo. Eu estava sentindo uma felicidade imensa.
- Eu vou comer, que estou faminta. Disse e sentou-se à mesa.
Sentei-me também. Ficava olhando ela com um sorriso permanente nos lábios. Estava adorando tê-la em minha casa. Era como se ela fizesse parte do lugar. Eu sorvia lentamente meu café. Ela conversava sobre a festa de ontem, de algumas passagens engraçadas. Ela ria e eu também. Observava-a de forma apaixonada. Logo eu, que não queria me envolver com ninguém, estava novamente apaixonada por quem foi meu primeiro amor. Tinha medo. Acho que o medo sempre existiria, mas precisava aprender a contorná-lo. Não poderia deixar ele tomar conta de mim. Eu era mais forte que ele.
- Sua cabeça ainda dói? Ela perguntou-me.
- Um pouco. Diminuiu, mas ainda incomoda.
- Estava pensando de sairmos para almoçarmos. Que tal? Perguntou-me sorrindo. Seu sorriso era lindo, apaixonante.
- Adoraria. Respondi sorrindo e sentindo-me hipnotizada pelo seu olhar.
- Se importa de passarmos antes na minha casa para que eu possa tomar um banho e trocar de roupa?
- Claro que não. Bem que eu tô sentindo um cheirinho no ar. Falei gargalhando.
- Sua boba. Ela riu também.
E assim fizemos. Troquei de roupa e fomos para o seu apartamento. Ao entrar nele senti como se o passado vivido ali tivesse acontecido ontem. Lembrei-me de nosso amor. Opa, do meu amor, pois Cláudia nunca dissera que me amava.
- Fique à vontade, Roberta. Vou tomar meu banho.
- Tá, ficarei. Não se preocupe.
Resolvi colocar uma música. Fui ver seus CD’s. Escolhi uma música romântica. Sentei-me no sofá. Fechei meus olhos e senti a música invadir meu corpo. Estava de novo apaixonada por Cláudia, mas o que ela sentia por mim? Só amizade? Ou sentia algo mais, como eu? Lembrei-me do beijo na casa de Henrique. Ela que me beijara. Ela não teria me beijado se não sentisse nada por mim. Esse pensamento deixou-me confiante. Levantei-me do sofá e fui até a porta da sacada. Fiquei olhando a cidade lá fora. Pensava no passado, no presente e tentava imaginar um futuro repleto de felicidade. Cabia a nós construirmos nosso futuro. Tentar fazer sempre o melhor para que fosse sempre maravilhoso.
Senti Cláudia se aproximar de mim. Não me virei. Fiquei como estava, de costas para ela. Senti que ela se aproximou mais. Nada era dito. Só a música ecoava no ambiente. Senti a sua mão em minha cintura. Fechei meus olhos. Peguei sua mão e a puxei de encontro ao meu corpo. Seu outro braço abraçou-me completamente. Ela mergulhou seu rosto em meus cabelos. Senti um suave beijo em minha nuca. Meu corpo estremeceu todo. Meu coração batia loucamente no peito. Ouvi-a sussurrar meu nome, sua voz rouca excitava-me. Lentamente me virei. Continuamos abraçadas. Levantei meus olhos e vi seu olhar carregado de paixão. Sua mão subiu até meu rosto e com os dedos suavemente o contornou. Ela foi aproximando-se lentamente. Nossas respirações se confundiam. Meu coração pulava no peito. Ansiava por seu beijo. Nossos lábios se tocaram suavemente, mas no instante seguinte o beijo se transformou em apaixonado, faminto, voraz. Minhas mãos percorriam suas costas. Seu perfume me enlouquecia. Seu beijo me enlouquecia. Seu corpo me enlouquecia. A razão desapareceu. Interrompi o beijo, a encarei.
- Quero fazer amor com você! Sussurrei com a voz rouca de paixão.
domingo, 4 de maio de 2008
33 - Comemoração de fim de ano
No último domingo não resisti e chamei Roberta para passear comigo no Parque Barigüi. Eu estava “viciada” na companhia dela. Como não ficar viciada em quem você ama? Como não querer sempre a companhia de seu amor? Foi delicioso. Nos divertimos bastante. Tive que controlar-me ao máximo para não abraçá-la e beijá-la. Cada vez que ela sorria mostrava suas lindas covinhas e eu sentia derreter-me por dentro. Como eu a amava! Seus lindos olhos azuis hipnotizavam-me, sua boca deliciosa convidava-me para um beijo. Ela era tentação demais. Queria enfiar as minhas mãos em seus cabelos, puxar seu corpo maravilhoso de encontro ao meu. Queria sentir seu gosto, seu cheiro, seu beijo, seu mel. Queria amá-la. Simplesmente amá-la.
Quando ela convidou-me para subir ao seu apartamento, quase fui, mas eu não iria conseguir resistir ter ela tão perto, sem ninguém ao redor e não tomá-la em meus braços e fazê-la minha mulher de novo. Recusei, mas com o coração apertado, pois estar ao seu lado era o que eu mais desejava.
Evitei procurá-la durante a semana. A vi somente uma vez. Ela estava linda. Nesse momento Milena estava comigo. Ela tinha acabado de convidar-me para ir com ela na comemoração de fim de ano, mas disse-lhe que já tinha sido convidada por outra pessoa. Parece que não gostou muito de saber disso, mas isso não me importava. Eu estava feliz, pois iria com o meu amor adorado.
----------------------------------------------------
A semana passou rápido. Como era esperado, recebi os buquês de rosas na terça e na sexta, este juntamente com Nhá Benta. A única coisa nova que apareceu no cartão foram as letras “MP”, que eu e Magali quebramos a cabeça para descobrir o que era. Será que eram as iniciais do nome do maluco? Bom, estávamos até agora sem saber. Já ri um monte com a Magali. Ela disse que essa nova pista ia dar um revertério na tal bolsa de apostas. Esse pessoal era louco em embarcar na maluquice da Magali.
Esta semana quase não vi Cláudia e a única vez que a vi, a pegajosa da Milena estava do lado dela. Essa mulher estava marcando muito em cima da minha Cláudia. Minha Cláudia? Peraí, a Cláudia não era “minha”, por que pensei assim? Oras, porque eu detesto essa Milena que fica dando em cima dela. Não gosto e pronto.
Enfim chegou o dia da comemoração de final de ano, era no dia 16 de dezembro. Era no sábado à noite. Haveria churrasco e outros comes e bebes à vontade. Cláudia foi me buscar. Vesti-me com um vestido e prendi meus cabelos, deixando cair algumas mechas. Cláudia estava linda, vestia uma calça que moldava suas curvas com perfeição e uma blusa que deixava seu lindo colo à mostra e seu perfume era maravilhoso.
Seguimos em seu carro para a tal festa. A nossa conversa fluía agradável e no carro tocavam músicas da rádio Ouro Verde FM, todas gostosas de ouvir. Chegamos e logo o pessoal “tomou” Cláudia de mim. Todos queriam a sua atenção. E o que eu ia fazer? Afinal ela era a “Grande Chefe” e todos queriam falar com ela. Natural. Conversei com vários colegas. Ri muito. Mas sempre procurava Cláudia com o olhar. Ela estava sempre falando com alguém diferente. Quando nossos olhares se encontravam, ela sempre me sorria e eu retribuía. E nesses momentos meu coração pulava no peito. Eu estava louca para poder ficar a sós na companhia dela.
A festa rolava solta, o pessoal se divertia pra valer. Até que num momento vi Cláudia indo em direção aos banheiros. Logo em seguida vi Milena indo também. Já fazia alguns minutos que elas estavam lá. Entro e o que vejo me deixa estupefata. Elas estavam se beijando! Saí tão rápido quanto entrei. Estava cega de raiva. Meu coração doía alucinadamente dentro do peito. Minha vontade era de sumir. Por que ela veio comigo então? Por que me convidou, se quem ela queria era Milena? Fiquei com ódio. Peguei um copo com uísque e tomei num gole só. Desceu queimando sem dó a minha garganta, mas o que eu sentia em meu peito era pior. Peguei outro copo e fiz o mesmo. Minha vontade era me anestesiar. Saí andando a esmo. Alguém parou para falar comigo e tive que fazer um esforço tremendo para participar da conversa. O álcool já tinha tomado conta de mim. Sentia-me tonta. Vi Cláudia andando apressada de volta para a festa. Não vi Milena. Por que não estavam juntas? Pedi licença para a pessoa e saí. Lágrimas começavam a escorrer pelo meu rosto, tentava em vão enxugá-las com as mãos, mas eram muitas. Com esforço, consegui parar de chorar. Fui ao bar e peguei outro copo. Não raciocinava mais. Nunca tinha tomado bebida assim. Tomei mais devagar desta vez, aos poucos.
Eu não tinha nada com Cláudia, mas sentia-me traída. Não compreendia esta dor alucinante em meu peito. Ela era livre para ficar com quem quisesse. Não queria admitir, mas a verdade era que eu a queria de novo em minha vida. Vê-la aos beijos com outra mulher fez-me ver isso. Droga! Na minha vida tudo dava errado. De repente senti uma saudade imensa de Cristina. Queria tanto que ela estivesse aqui comigo agora. Não estaria passando por isso. Sentia saudades de amar. Sentei-me num banco que era um pouco retirado do agito da festa. Continuei tomando a bebida. Minhas lágrimas voltaram e corriam soltas pelo meu rosto. Queria que minha vida fosse diferente, que Cristina ainda estivesse comigo, mas isso era impossível. Tomei o restante da bebida num gole só. Tentei levantar-me, mas não consegui, ia cair quando sinto braços me segurarem. Eu estava completamente bêbada. Meu pensamento estava embotado. Olhei para a pessoa que me segurou e vi que era Cláudia. Tentei fazê-la soltar-me, mas ela disse algo que não compreendi. Não coordenava mais meu corpo.
-----------------------------------------------------------------------
Logo que cheguei na festa me separaram de Roberta. Todo mundo queria falar comigo. Queria ter ficado ao lado dela o tempo todo, mas não foi possível. Sempre a procurava com o olhar e quando a encontrava ela estava me olhando, eu sorria para ela com o coração todo feliz. Queria estar com ela.
Precisei dar um pulo no banheiro e quando vi, Milena estava ali. Sem que eu esperasse, ela me agarrou e me deu um beijo. Fiquei sem ação por alguns segundos, surpresa, e logo a empurrei. Não queria isso. Ela disse que estava apaixonada por mim. Percebi que ela estava “alta”, tinha bebido. Disse-lhe que não gostei disso e que não acontecesse mais. Fiquei alguns minutos ali conversando com ela. Saí pisando duro do banheiro. Que raiva! Decidi que era hora de ficar com Roberta. Cansei de falar com todos. Resolvi procurá-la, mas não a encontrava. Demorou até vê-la sozinha sentada num banco, tomando num gole só a bebida que tinha no copo. Meu Deus, o que teria acontecido com ela? Ela não percebeu a minha aproximação. Ela se levantou e se eu não estivesse ao seu lado, ela teria caído no chão. Ela estava completamente bêbada. Agarrei-a e disse que a levaria para casa. Eu estava preocupadíssima com ela. Levei-a até o carro, coloquei-a dentro dele e fomos para o seu apartamento. Ela chorava o tempo todo. O que teria acontecido para que ela bebesse dessa forma?
Chegamos e subimos até o seu andar. Paramos em frente a porta de seu apartamento. Peguei sua bolsa e procurei as chaves. Abri a porta e entramos. Ela me olhou e sem que eu esperasse, tentou dar-me um tapa no rosto. Quase conseguiu. Por que isso? Tentei levá-la para o seu quarto. Ela estava tomada pela bebida. Falava coisas sem nexo. Falava de Cristina, de Milena. A coloquei ao lado da cama, segurando-a, tirei seu vestido, sua sandália e ia deitá-la na cama quando ela deu-me um inesperado beijo na boca. Senti o gosto da bebida. Encarou-me com seus olhos vermelhos de tanto chorar.
- Fa... Faça... faça... a... amor... comigo... Roberta disse toda grogue.
A olhei espantada. Céus, era o que eu mais queria, mas não com a bebida. Não com ela nesse estado.
- Não, Roberta. Você precisa dormir.
- Na... não! E... eu quero fa... fazer amor com você... Disse beijando meu pescoço, mordiscando minha orelha.
Como eu a queria! Meu corpo queimava de desejo. Mas não a queria dessa forma, bêbada. Fiz ela deitar na cama.
- Fi... fica comigo? Ela pediu começando a chorar de novo.
- Fico sim, minha princesinha. Disse e retirei minha roupa ficando só de calcinha e sutiã. Deitei e aconcheguei-a em meus braços.
Logo em seguida senti que ela adormeceu. Minha princesinha, o que lhe aconteceu para você beber dessa forma? Estava muito preocupada com ela. Custei a dormir. Sentir o calor de seu corpo junto ao meu, estava delicioso e ao mesmo tempo torturante. A saudade que eu sentia de tê-la junto a mim era imensa.
Quando ela convidou-me para subir ao seu apartamento, quase fui, mas eu não iria conseguir resistir ter ela tão perto, sem ninguém ao redor e não tomá-la em meus braços e fazê-la minha mulher de novo. Recusei, mas com o coração apertado, pois estar ao seu lado era o que eu mais desejava.
Evitei procurá-la durante a semana. A vi somente uma vez. Ela estava linda. Nesse momento Milena estava comigo. Ela tinha acabado de convidar-me para ir com ela na comemoração de fim de ano, mas disse-lhe que já tinha sido convidada por outra pessoa. Parece que não gostou muito de saber disso, mas isso não me importava. Eu estava feliz, pois iria com o meu amor adorado.
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A semana passou rápido. Como era esperado, recebi os buquês de rosas na terça e na sexta, este juntamente com Nhá Benta. A única coisa nova que apareceu no cartão foram as letras “MP”, que eu e Magali quebramos a cabeça para descobrir o que era. Será que eram as iniciais do nome do maluco? Bom, estávamos até agora sem saber. Já ri um monte com a Magali. Ela disse que essa nova pista ia dar um revertério na tal bolsa de apostas. Esse pessoal era louco em embarcar na maluquice da Magali.
Esta semana quase não vi Cláudia e a única vez que a vi, a pegajosa da Milena estava do lado dela. Essa mulher estava marcando muito em cima da minha Cláudia. Minha Cláudia? Peraí, a Cláudia não era “minha”, por que pensei assim? Oras, porque eu detesto essa Milena que fica dando em cima dela. Não gosto e pronto.
Enfim chegou o dia da comemoração de final de ano, era no dia 16 de dezembro. Era no sábado à noite. Haveria churrasco e outros comes e bebes à vontade. Cláudia foi me buscar. Vesti-me com um vestido e prendi meus cabelos, deixando cair algumas mechas. Cláudia estava linda, vestia uma calça que moldava suas curvas com perfeição e uma blusa que deixava seu lindo colo à mostra e seu perfume era maravilhoso.
Seguimos em seu carro para a tal festa. A nossa conversa fluía agradável e no carro tocavam músicas da rádio Ouro Verde FM, todas gostosas de ouvir. Chegamos e logo o pessoal “tomou” Cláudia de mim. Todos queriam a sua atenção. E o que eu ia fazer? Afinal ela era a “Grande Chefe” e todos queriam falar com ela. Natural. Conversei com vários colegas. Ri muito. Mas sempre procurava Cláudia com o olhar. Ela estava sempre falando com alguém diferente. Quando nossos olhares se encontravam, ela sempre me sorria e eu retribuía. E nesses momentos meu coração pulava no peito. Eu estava louca para poder ficar a sós na companhia dela.
A festa rolava solta, o pessoal se divertia pra valer. Até que num momento vi Cláudia indo em direção aos banheiros. Logo em seguida vi Milena indo também. Já fazia alguns minutos que elas estavam lá. Entro e o que vejo me deixa estupefata. Elas estavam se beijando! Saí tão rápido quanto entrei. Estava cega de raiva. Meu coração doía alucinadamente dentro do peito. Minha vontade era de sumir. Por que ela veio comigo então? Por que me convidou, se quem ela queria era Milena? Fiquei com ódio. Peguei um copo com uísque e tomei num gole só. Desceu queimando sem dó a minha garganta, mas o que eu sentia em meu peito era pior. Peguei outro copo e fiz o mesmo. Minha vontade era me anestesiar. Saí andando a esmo. Alguém parou para falar comigo e tive que fazer um esforço tremendo para participar da conversa. O álcool já tinha tomado conta de mim. Sentia-me tonta. Vi Cláudia andando apressada de volta para a festa. Não vi Milena. Por que não estavam juntas? Pedi licença para a pessoa e saí. Lágrimas começavam a escorrer pelo meu rosto, tentava em vão enxugá-las com as mãos, mas eram muitas. Com esforço, consegui parar de chorar. Fui ao bar e peguei outro copo. Não raciocinava mais. Nunca tinha tomado bebida assim. Tomei mais devagar desta vez, aos poucos.
Eu não tinha nada com Cláudia, mas sentia-me traída. Não compreendia esta dor alucinante em meu peito. Ela era livre para ficar com quem quisesse. Não queria admitir, mas a verdade era que eu a queria de novo em minha vida. Vê-la aos beijos com outra mulher fez-me ver isso. Droga! Na minha vida tudo dava errado. De repente senti uma saudade imensa de Cristina. Queria tanto que ela estivesse aqui comigo agora. Não estaria passando por isso. Sentia saudades de amar. Sentei-me num banco que era um pouco retirado do agito da festa. Continuei tomando a bebida. Minhas lágrimas voltaram e corriam soltas pelo meu rosto. Queria que minha vida fosse diferente, que Cristina ainda estivesse comigo, mas isso era impossível. Tomei o restante da bebida num gole só. Tentei levantar-me, mas não consegui, ia cair quando sinto braços me segurarem. Eu estava completamente bêbada. Meu pensamento estava embotado. Olhei para a pessoa que me segurou e vi que era Cláudia. Tentei fazê-la soltar-me, mas ela disse algo que não compreendi. Não coordenava mais meu corpo.
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Logo que cheguei na festa me separaram de Roberta. Todo mundo queria falar comigo. Queria ter ficado ao lado dela o tempo todo, mas não foi possível. Sempre a procurava com o olhar e quando a encontrava ela estava me olhando, eu sorria para ela com o coração todo feliz. Queria estar com ela.
Precisei dar um pulo no banheiro e quando vi, Milena estava ali. Sem que eu esperasse, ela me agarrou e me deu um beijo. Fiquei sem ação por alguns segundos, surpresa, e logo a empurrei. Não queria isso. Ela disse que estava apaixonada por mim. Percebi que ela estava “alta”, tinha bebido. Disse-lhe que não gostei disso e que não acontecesse mais. Fiquei alguns minutos ali conversando com ela. Saí pisando duro do banheiro. Que raiva! Decidi que era hora de ficar com Roberta. Cansei de falar com todos. Resolvi procurá-la, mas não a encontrava. Demorou até vê-la sozinha sentada num banco, tomando num gole só a bebida que tinha no copo. Meu Deus, o que teria acontecido com ela? Ela não percebeu a minha aproximação. Ela se levantou e se eu não estivesse ao seu lado, ela teria caído no chão. Ela estava completamente bêbada. Agarrei-a e disse que a levaria para casa. Eu estava preocupadíssima com ela. Levei-a até o carro, coloquei-a dentro dele e fomos para o seu apartamento. Ela chorava o tempo todo. O que teria acontecido para que ela bebesse dessa forma?
Chegamos e subimos até o seu andar. Paramos em frente a porta de seu apartamento. Peguei sua bolsa e procurei as chaves. Abri a porta e entramos. Ela me olhou e sem que eu esperasse, tentou dar-me um tapa no rosto. Quase conseguiu. Por que isso? Tentei levá-la para o seu quarto. Ela estava tomada pela bebida. Falava coisas sem nexo. Falava de Cristina, de Milena. A coloquei ao lado da cama, segurando-a, tirei seu vestido, sua sandália e ia deitá-la na cama quando ela deu-me um inesperado beijo na boca. Senti o gosto da bebida. Encarou-me com seus olhos vermelhos de tanto chorar.
- Fa... Faça... faça... a... amor... comigo... Roberta disse toda grogue.
A olhei espantada. Céus, era o que eu mais queria, mas não com a bebida. Não com ela nesse estado.
- Não, Roberta. Você precisa dormir.
- Na... não! E... eu quero fa... fazer amor com você... Disse beijando meu pescoço, mordiscando minha orelha.
Como eu a queria! Meu corpo queimava de desejo. Mas não a queria dessa forma, bêbada. Fiz ela deitar na cama.
- Fi... fica comigo? Ela pediu começando a chorar de novo.
- Fico sim, minha princesinha. Disse e retirei minha roupa ficando só de calcinha e sutiã. Deitei e aconcheguei-a em meus braços.
Logo em seguida senti que ela adormeceu. Minha princesinha, o que lhe aconteceu para você beber dessa forma? Estava muito preocupada com ela. Custei a dormir. Sentir o calor de seu corpo junto ao meu, estava delicioso e ao mesmo tempo torturante. A saudade que eu sentia de tê-la junto a mim era imensa.
sábado, 3 de maio de 2008
32 - Convites
A hora do almoço chegou e logo vi Cláudia vindo em minha direção. Não a tinha mais visto depois do episódio do beijo no domingo. Só de vê-la meu coração se acelerou. Ela deu-me um sorriso lindo, envolvente.
- Olá, Roberta. Tudo bem? Aproximou-se e deu-me um beijo na bochecha. Seu perfume, sua proximidade deixavam-me de pernas bambas.
- O... Olá, Cláudia. Tu... tudo bem. E... e com você? Disse. Maldita mania de gaguejar na frente dela. Pensei.
- Tudo bem. Vamos?
- Sim. Disse e peguei minha bolsa. – Vamos.
Saímos do banco e parei. Olhei para ela e sorri.
- Qual restaurante desta vez? Perguntei.
Ela me deu um sorriso maroto.
- Sei que você é doida pela cozinha italiana. Que tal irmos a uma cantina em Santa Felicidade?
- Em Santa Felicidade? Respondi sorrindo com os olhos brilhando de alegria. – Mas, e o horário? Dá tempo?
- Acho que a sua chefa não vai lhe advertir se você se atrasar um pouquinho. Cláudia respondeu rindo.
- Hummm.... Será? Ouvi dizer que ela é exigente quanto a horários. Falei rindo também, entrando na brincadeira.
- Podexá. Falo com ela e tudo ficará resolvido. Ela disse sorrindo e encarando-me com aquele olhar verde que me encantava.
- Então... o que estamos esperando? Perguntei toda alegre.
Fomos ao estacionamento, pegamos seu carro e seguimos em direção à Santa Felicidade. No caminho conversamos amenidades. Chegamos e fomos a uma cantina muito simpática. Sentamos à mesa e logo fomos atendidas.
Estar na presença de Cláudia deixava-me feliz ao mesmo tempo em que me deixava nervosa. Olhava para ela e lembrava-me do beijo, das sensações que ele despertara em mim. Tinha reacendido o desejo que existia no passado. Não queria que isso tivesse acontecido, mas não conseguia controlar essa sensação. Era mais forte do que eu.
- Você vai na comemoração de fim de ano? Cláudia perguntou sorrindo e fitando-me.
Como era lindo o seu sorriso. Encantava-me com ele!
- Vou sim.
- E aceitaria ir comigo?
Olhei para ela arregalando os olhos. Eu estava surpresa pelo convite.
- Cla... claro que sim. Respondi. – Eu adoraria. Disse e sorri para ela demonstrando a minha alegria pelo convite. Ela convidou a mim e não a pegajosa da Milena. Pensei. Eu estava radiante.
Cláudia levou sua mão até a minha que estava sobre a mesa e fez um leve carinho. Olhei para ela e senti-me aprisionada em seu olhar.
- Você não sabe como fico feliz em você ter aceitado meu convite. Ela disse e sorriu.
- Eu adorei o seu convite. Falei feliz e sua mão ainda fazia um suave carinho na minha. Ela tirou a mão e pegou seu copo para tomar o suco que havia pedido. Sentia-me novamente fascinada por ela.
- Soube que você recebeu mais uma visita de seu admirador secreto. Ela falou sorrindo e olhando-me divertida.
- Ah... Não conseguiria esconder isso de você, não é?
- Com a Magali no banco? De maneira alguma.
Rimos. E cada vez que a olhava perdia-me em seu olhar.
- Mais uma vez recebi um imeeeeenso buquê de rosas. Tô me acostumando mal. Sorri. - Ah, acho que tem um padrão.
- Um padrão?
- É. Notei que toda terça e sexta eu recebo o buquê.
- Hummm... Interessante.
- É, mas isso não me diz nada. Não tenho nenhuma pista de quem seja. Até estava preocupada com isso...
- Preocupada? Por quê?
- É. Poxa, tem alguém que está apaixonado por mim, me manda flores e não se identifica, aí pensei, se o maluco não quer se identificar não é problema meu, e resolvi que não vou ficar preocupada com isso.
- É verdade. Qual a graça em mandar e não se identificar? Cláudia questionou.
- Pois é, não faço idéia. Se o maluco sente-se bem assim, não sou eu que vou perder o sono.
- Tá certa. Nem se preocupe. E convenhamos, é uma delícia receber flores, não é? Cláudia perguntou-me dando um sorriso lindo.
- Se é... É maravilhoso. Sorri para ela também. Eu não me cansava de admirar a beleza dela. Linda!
E nesse clima descontraído terminamos nosso almoço. Voltamos para o banco. Quando chegou a minha vez de sair do elevador, ela deu-me um beijo em meu rosto. Retribuí o beijo. Dei um sorriso e saí. Meu corpo todo tremia. Fui para minha mesa e passei a tarde tentando concentrar-me no trabalho que eu tinha por fazer.
A semana transcorreu normalmente. Na sexta-feira como era esperado, recebi mais um buquê de rosas e veio de novo com Nhá Benta. Esse admirador secreto estava deixando-me mal acostumada. Nada de pistas e a mesma frase: “Para uma linda mulher, com todo amor. Com beijos doces.” Claro que adorei ter recebido chocolates de novo. Ainda mais o meu preferido.
Segundo Magali, a tal bolsa de apostas corria solta. Eu não queria nem tomar partido desta idéia maluca dela. Claro que eu tinha curiosidade em saber quem era esse maluco, mas não permitia que isso me tirasse o sono.
Enfim o final de semana chegou. Não tinha nenhum passeio programado. Resolvi então, no domingo à tarde, fazer uma visita para meu grande amigo Henrique. Estava no seu apartamento e conversávamos e acabava de contar que tinha recebido mais uma “visita” do admirador secreto.
- Uau. Esse tá apaixonado mesmo, hein. Henrique comentou.
- Pois é, Rique. O cara não dá nenhuma pista de quem é. Acredita que cheguei a ligar para a floricultura e perguntei para saber quem era, mas a pessoa da floricultura disse-me que os pedidos são feitos por telefone e que foi pedido sigilo. Acredita nisso?
- Hummm... Será que esse cara é casado? Por isso faz assim?
- Sei lá, Rique. Mas tô pensando em recusar os próximos buquês.
- Recusar? Ficou maluca, é? Se o cara quer lhe dar rosas, deixe-o dar. Problema dele. Curta isso, pois não é sempre que temos alguém de quatro pela gente.
- É, mas não tô achando isso tão legal assim.
- Fica fria, Betinha. Relaxa. Pense nas Nhá Bentas que ainda estão por vir. Rique falou e caiu na gargalhada, não resisti e ri também.
Henrique olhou-me com o olhar curioso e perguntou-me: - E a Cláudia?
- O que tem ela? Perguntei assustada.
- Betinha! Não se faça de desentendida. Você sabe muito bem o que eu quero saber.
- Ah, Rique. Não tem nada do que você está pensando.
- Não tem nada? Sei... Não se viram mais?
- Nós almoçamos na terça.
- Um almoço?
- É, em Santa Felicidade.
- Hummm... Então não foi um “simples” almoço.
- Ai, Rique. Você não tem jeito, né?
- Betinha, a mulher leva você para almoçar em Santa Felicidade em dia de expediente normal e você acha que não tem nada?
- Eu não vejo nada demais, tá.
- Ai, meu Deus. Só cego não quer ver.
Nisso meu celular tocou. Vi um número desconhecido e atendi.
- Alô.
- Roberta? É você?
- Sim. Quem é?
- Sou eu, Cláudia. Tudo bem?
- Oi, Cláudia, tudo bem. Respondi com o coração aos pulos. Como ela tinha meu celular? Pensei.
Henrique olhou-me sorrindo de orelha a orelha.
- Gostaria de lhe convidar para passearmos no Parque Barigüi. O que acha? Cláudia perguntou.
- Um passeio? No Barigüi? Falei olhando para Rique, que fazia “sim” balançando a cabeça. Quase ri dele. – Cla... claro, Cláudia. É uma ótima idéia.
- Então passo aí para lhe pegar. Você está em casa?
- Na... Não. Eu tô aqui no Henrique.
- Legal. Tô indo aí então. Até mais. Beijos.
- Até, Beijos.
- Uau... Maravilha. Viu? E você acha que não tem nada. Rique falou sorrindo.
- É só um passeio no parque, Rique.
- É só um passeio no parque, Rique. Ele falou me remedando.
- Para, Rique. Deixe de ser bobo. Falei meio brava com ele.
- Betinha, a mulher convida-lhe para almoçar em Santa Felicidade, convida-lhe para passear no parque e você acha que não tem nada? Acho que ela está a fim de você! Henrique falou convicto.
- Ai, chega. Não vou discutir isso com você. O que eu e Cláudia temos é o início de uma amizade ou o reinício dela, sei lá. Nada mais.
- Uh-hum... Nada mais. Tá certo, meu anjo. Rique falou com um sorriso maroto.
Conversamos mais e logo depois Cláudia chegou. Cumprimentou-me com um abraço gostoso e beijos no rosto. Ela estava tão cheirosa. Estava uma delícia de ver. Linda. E eu quase babando. O que era isso, Roberta? Controle-se! Nos despedimos de Henrique e fomos ao parque. Nos divertimos e conversamos muito e novamente não tocamos no assunto do nosso passado em comum. Comemos algodão doce. Foi uma farra! Rimos muito também. Foi um passeio agradabilíssimo. Eu só tinha que controlar a vontade que teimava em aparecer de querer beijá-la, ansiava por sentir seu beijo de novo. Mas mesmo com essa vontade, tinha firme o pensamento de não querer mais nada com ela. A nossa história era passado.
Terminado o passeio, ela me levou para casa. Como ela sabia onde eu morava? Não agüentei a curiosidade e perguntei. Ela disse-me que tinha o endereço e telefone de todos os gerentes e chefes de departamento. Então era assim que ela tinha o número do meu celular! Convidei-a para subir e disse-me que não, que da próxima vez subiria. Despedimos-nos e o beijo pegou na trave. Não precisava nem dizer que meu corpo reagiu a isso. Subi para o meu apartamento. Estava feliz e cantarolando. Tomei um banho, fiz um lanche rápido e fui ver um pouco de televisão. Logo depois fui dormir. Feliz da vida.
- Olá, Roberta. Tudo bem? Aproximou-se e deu-me um beijo na bochecha. Seu perfume, sua proximidade deixavam-me de pernas bambas.
- O... Olá, Cláudia. Tu... tudo bem. E... e com você? Disse. Maldita mania de gaguejar na frente dela. Pensei.
- Tudo bem. Vamos?
- Sim. Disse e peguei minha bolsa. – Vamos.
Saímos do banco e parei. Olhei para ela e sorri.
- Qual restaurante desta vez? Perguntei.
Ela me deu um sorriso maroto.
- Sei que você é doida pela cozinha italiana. Que tal irmos a uma cantina em Santa Felicidade?
- Em Santa Felicidade? Respondi sorrindo com os olhos brilhando de alegria. – Mas, e o horário? Dá tempo?
- Acho que a sua chefa não vai lhe advertir se você se atrasar um pouquinho. Cláudia respondeu rindo.
- Hummm.... Será? Ouvi dizer que ela é exigente quanto a horários. Falei rindo também, entrando na brincadeira.
- Podexá. Falo com ela e tudo ficará resolvido. Ela disse sorrindo e encarando-me com aquele olhar verde que me encantava.
- Então... o que estamos esperando? Perguntei toda alegre.
Fomos ao estacionamento, pegamos seu carro e seguimos em direção à Santa Felicidade. No caminho conversamos amenidades. Chegamos e fomos a uma cantina muito simpática. Sentamos à mesa e logo fomos atendidas.
Estar na presença de Cláudia deixava-me feliz ao mesmo tempo em que me deixava nervosa. Olhava para ela e lembrava-me do beijo, das sensações que ele despertara em mim. Tinha reacendido o desejo que existia no passado. Não queria que isso tivesse acontecido, mas não conseguia controlar essa sensação. Era mais forte do que eu.
- Você vai na comemoração de fim de ano? Cláudia perguntou sorrindo e fitando-me.
Como era lindo o seu sorriso. Encantava-me com ele!
- Vou sim.
- E aceitaria ir comigo?
Olhei para ela arregalando os olhos. Eu estava surpresa pelo convite.
- Cla... claro que sim. Respondi. – Eu adoraria. Disse e sorri para ela demonstrando a minha alegria pelo convite. Ela convidou a mim e não a pegajosa da Milena. Pensei. Eu estava radiante.
Cláudia levou sua mão até a minha que estava sobre a mesa e fez um leve carinho. Olhei para ela e senti-me aprisionada em seu olhar.
- Você não sabe como fico feliz em você ter aceitado meu convite. Ela disse e sorriu.
- Eu adorei o seu convite. Falei feliz e sua mão ainda fazia um suave carinho na minha. Ela tirou a mão e pegou seu copo para tomar o suco que havia pedido. Sentia-me novamente fascinada por ela.
- Soube que você recebeu mais uma visita de seu admirador secreto. Ela falou sorrindo e olhando-me divertida.
- Ah... Não conseguiria esconder isso de você, não é?
- Com a Magali no banco? De maneira alguma.
Rimos. E cada vez que a olhava perdia-me em seu olhar.
- Mais uma vez recebi um imeeeeenso buquê de rosas. Tô me acostumando mal. Sorri. - Ah, acho que tem um padrão.
- Um padrão?
- É. Notei que toda terça e sexta eu recebo o buquê.
- Hummm... Interessante.
- É, mas isso não me diz nada. Não tenho nenhuma pista de quem seja. Até estava preocupada com isso...
- Preocupada? Por quê?
- É. Poxa, tem alguém que está apaixonado por mim, me manda flores e não se identifica, aí pensei, se o maluco não quer se identificar não é problema meu, e resolvi que não vou ficar preocupada com isso.
- É verdade. Qual a graça em mandar e não se identificar? Cláudia questionou.
- Pois é, não faço idéia. Se o maluco sente-se bem assim, não sou eu que vou perder o sono.
- Tá certa. Nem se preocupe. E convenhamos, é uma delícia receber flores, não é? Cláudia perguntou-me dando um sorriso lindo.
- Se é... É maravilhoso. Sorri para ela também. Eu não me cansava de admirar a beleza dela. Linda!
E nesse clima descontraído terminamos nosso almoço. Voltamos para o banco. Quando chegou a minha vez de sair do elevador, ela deu-me um beijo em meu rosto. Retribuí o beijo. Dei um sorriso e saí. Meu corpo todo tremia. Fui para minha mesa e passei a tarde tentando concentrar-me no trabalho que eu tinha por fazer.
A semana transcorreu normalmente. Na sexta-feira como era esperado, recebi mais um buquê de rosas e veio de novo com Nhá Benta. Esse admirador secreto estava deixando-me mal acostumada. Nada de pistas e a mesma frase: “Para uma linda mulher, com todo amor. Com beijos doces.” Claro que adorei ter recebido chocolates de novo. Ainda mais o meu preferido.
Segundo Magali, a tal bolsa de apostas corria solta. Eu não queria nem tomar partido desta idéia maluca dela. Claro que eu tinha curiosidade em saber quem era esse maluco, mas não permitia que isso me tirasse o sono.
Enfim o final de semana chegou. Não tinha nenhum passeio programado. Resolvi então, no domingo à tarde, fazer uma visita para meu grande amigo Henrique. Estava no seu apartamento e conversávamos e acabava de contar que tinha recebido mais uma “visita” do admirador secreto.
- Uau. Esse tá apaixonado mesmo, hein. Henrique comentou.
- Pois é, Rique. O cara não dá nenhuma pista de quem é. Acredita que cheguei a ligar para a floricultura e perguntei para saber quem era, mas a pessoa da floricultura disse-me que os pedidos são feitos por telefone e que foi pedido sigilo. Acredita nisso?
- Hummm... Será que esse cara é casado? Por isso faz assim?
- Sei lá, Rique. Mas tô pensando em recusar os próximos buquês.
- Recusar? Ficou maluca, é? Se o cara quer lhe dar rosas, deixe-o dar. Problema dele. Curta isso, pois não é sempre que temos alguém de quatro pela gente.
- É, mas não tô achando isso tão legal assim.
- Fica fria, Betinha. Relaxa. Pense nas Nhá Bentas que ainda estão por vir. Rique falou e caiu na gargalhada, não resisti e ri também.
Henrique olhou-me com o olhar curioso e perguntou-me: - E a Cláudia?
- O que tem ela? Perguntei assustada.
- Betinha! Não se faça de desentendida. Você sabe muito bem o que eu quero saber.
- Ah, Rique. Não tem nada do que você está pensando.
- Não tem nada? Sei... Não se viram mais?
- Nós almoçamos na terça.
- Um almoço?
- É, em Santa Felicidade.
- Hummm... Então não foi um “simples” almoço.
- Ai, Rique. Você não tem jeito, né?
- Betinha, a mulher leva você para almoçar em Santa Felicidade em dia de expediente normal e você acha que não tem nada?
- Eu não vejo nada demais, tá.
- Ai, meu Deus. Só cego não quer ver.
Nisso meu celular tocou. Vi um número desconhecido e atendi.
- Alô.
- Roberta? É você?
- Sim. Quem é?
- Sou eu, Cláudia. Tudo bem?
- Oi, Cláudia, tudo bem. Respondi com o coração aos pulos. Como ela tinha meu celular? Pensei.
Henrique olhou-me sorrindo de orelha a orelha.
- Gostaria de lhe convidar para passearmos no Parque Barigüi. O que acha? Cláudia perguntou.
- Um passeio? No Barigüi? Falei olhando para Rique, que fazia “sim” balançando a cabeça. Quase ri dele. – Cla... claro, Cláudia. É uma ótima idéia.
- Então passo aí para lhe pegar. Você está em casa?
- Na... Não. Eu tô aqui no Henrique.
- Legal. Tô indo aí então. Até mais. Beijos.
- Até, Beijos.
- Uau... Maravilha. Viu? E você acha que não tem nada. Rique falou sorrindo.
- É só um passeio no parque, Rique.
- É só um passeio no parque, Rique. Ele falou me remedando.
- Para, Rique. Deixe de ser bobo. Falei meio brava com ele.
- Betinha, a mulher convida-lhe para almoçar em Santa Felicidade, convida-lhe para passear no parque e você acha que não tem nada? Acho que ela está a fim de você! Henrique falou convicto.
- Ai, chega. Não vou discutir isso com você. O que eu e Cláudia temos é o início de uma amizade ou o reinício dela, sei lá. Nada mais.
- Uh-hum... Nada mais. Tá certo, meu anjo. Rique falou com um sorriso maroto.
Conversamos mais e logo depois Cláudia chegou. Cumprimentou-me com um abraço gostoso e beijos no rosto. Ela estava tão cheirosa. Estava uma delícia de ver. Linda. E eu quase babando. O que era isso, Roberta? Controle-se! Nos despedimos de Henrique e fomos ao parque. Nos divertimos e conversamos muito e novamente não tocamos no assunto do nosso passado em comum. Comemos algodão doce. Foi uma farra! Rimos muito também. Foi um passeio agradabilíssimo. Eu só tinha que controlar a vontade que teimava em aparecer de querer beijá-la, ansiava por sentir seu beijo de novo. Mas mesmo com essa vontade, tinha firme o pensamento de não querer mais nada com ela. A nossa história era passado.
Terminado o passeio, ela me levou para casa. Como ela sabia onde eu morava? Não agüentei a curiosidade e perguntei. Ela disse-me que tinha o endereço e telefone de todos os gerentes e chefes de departamento. Então era assim que ela tinha o número do meu celular! Convidei-a para subir e disse-me que não, que da próxima vez subiria. Despedimos-nos e o beijo pegou na trave. Não precisava nem dizer que meu corpo reagiu a isso. Subi para o meu apartamento. Estava feliz e cantarolando. Tomei um banho, fiz um lanche rápido e fui ver um pouco de televisão. Logo depois fui dormir. Feliz da vida.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
31 - Reflexões
Ao sair do apartamento de Henrique, dirigi-me ao Parque Barigüi. Precisava caminhar para refletir o que aconteceu. Eu tinha beijado Roberta! Foi tão mágico. Não resisti e a beijei. Estava feliz e mais ainda ao ver que ela correspondeu de forma ardente ao beijo. Senti-me no paraíso ao provar novamente aqueles lábios macios, sentir o calor de seu corpo junto ao meu. Quando a beijei tive medo de ser rejeitada ou levar um tapa na cara. Sei lá, pois Roberta estava tão arredia. E eu não queria pressionar nada, até porque precisava ganhar a confiança dela antes de qualquer tentativa, mas o momento surgiu e quando percebi a tinha a poucos centímetros de mim. A vontade de beijá-la foi maior que a minha razão.
Meu desejo era de amá-la por inteiro. Acho que se Henrique não tivesse aparecido e interrompido nosso beijo isso teria acontecido, pelo menos da minha parte. A atitude de Roberta em sair assustada da cozinha deixou-me preocupada. O que ela estaria pensando agora? Não queria criar uma situação embaraçosa ou que ela pensasse que eu só queria aproveitar-me dela. Longe disso! Com ela tinha a melhor das intenções. Achava que o mais sensato a fazer era ver como ela iria tratar-me a partir de agora, não tocar no assunto. Fazer de conta que nada aconteceu e deixá-la dar o primeiro passo quanto a isso.
O parque estava cheio de gente. Crianças corriam para lá e para cá. Casais enamorados caminhavam de mãos dadas. Continuei caminhando, perdida em meus pensamentos. A melhor coisa que eu fiz foi voltar à Curitiba. Além de estar na cidade que eu amava, tinha reencontrado o meu grande amor. Foi uma surpresa maravilhosa reencontrá-la. Queria viver esse amor com ela, ter uma vida em comum. Compartilhar sonhos e decepções. Tive essa oportunidade no passado, mas eu era tão ambiciosa que não soube reconhecer meu amor por Roberta. Quis crescer profissionalmente e sacrifiquei meu amor. Agora o que mais queria era reconquistá-lo. Foi uma surpresa para mim a forma ardente com que Roberta correspondera ao beijo. Agora tinha esperanças de continuar desejando que isso realmente acontecesse.
Decidi ir embora para o meu apartamento. Tomaria um banho relaxante e leria um bom livro, isso se eu conseguisse me concentrar. Sorri. Ah, Roberta, eu a amo tanto, minha princesinha. Na hora de dormir quase não preguei o olho. Imaginava-me sempre com Roberta. Era o meu sonho.
A segunda-feira chegou e seguiu seu ritmo normal. Tive vontade de convidar Roberta para almoçar comigo, mas preferi não fazê-lo. Não queria impor minha presença tão cedo. Mas eu não resistiria ficar longe dela. Talvez amanhã eu a convidasse. Será que ela aceitaria? Eu estava hiper feliz.
---------------------------------------------------------
Toda hora olhava para porta. Tinha a impressão de que veria Cláudia entrando por ela a qualquer momento. Ainda estava abalada com o beijo. Não esperava que eu fosse corresponder com tanta vontade. Só em imaginar beijando ela, meu corpo reagia instantaneamente. Sentia-me molhada. Viva. Quase não dormi à noite. Fiquei relembrando nosso passado, em como eu era loucamente apaixonada por ela. Como eu a amava! Não entendia porque ela me beijou. Será que ela sentia algo por mim de novo? Ou foi só para matar a saudade? Gostaria de saber.
A segunda-feira fluiu normal para mim. Expediente encerrado, fui para casa. Li um livro e depois tentei dormir. Amanhã seria um novo dia.
Terça-feira de manhã. Estava em minha mesa com um monte de coisas para resolver e vi o entregador vindo em minha direção com um imenso buquê de rosas vermelhas nos braços. De novo? Quem seria esse maluco? Ele entregou-me as rosas e eu assinei a entrega.
- Você sabe quem me manda estas rosas? Perguntei para ele.
- Não, eu não sei. A única coisa que eu sei é que esses pedidos são feitos por telefone, mas não é comigo que é feito. Eu só faço as entregas.
- Hummm... Tá bom.
O rapaz saiu e lá vinha Magali toda esbaforida, e claro, curiosa.
- Bom dia, Roberta. Dessa vez diz quem é? Magali já foi logo perguntando.
- Bom dia, Magali. Bom, se você me der tempo de ver o cartão eu saberei se diz quem é ou se ficaremos ainda curiosas.
- Ah, claro.
- Vamos ver. Disse e peguei o cartão e o abri. Li. Nada de novo, apenas aquela frase: “Para uma linda mulher, com todo amor.” Humm... não entendia, quem fazia isso logo se anunciava, mas este estava gostando de fazer suspense e me deixar curiosa. Pensei.
- E aí? Magali perguntou.
Olhei para Magali, meu semblante estava sério.
- Nada, Magali. A mesma frase. Nada de pistas. Ei... Falei como se descobrisse algo realmente importante.
- O que foi, Roberta?
- Existe um padrão.
- Um padrão? Como assim?
- Já notou que eu recebo as rosas todas terças e sextas?
- Não, não tinha notado.
- Vamos ver se sexta-feira eu recebo de novo. Se receber esse padrão fica confirmado.
- É, Roberta, mas... isso não nos diz quem é o admirador.
Torci o nariz.
- É, você tem razão. Não nos diz nada. Ai, Magali, já tô nervosa com isso.
- Nervosa? Eu estou é curiosa.
- Bom, se um maluco apaixonado gosta de gastar o seu dinheiro me mandando flores e nem se importa de dizer quem é, não sou eu que vou ficar preocupada com isso, não é?
- Com certeza, Roberta. E receber flores é maravilhoso. Ah, você vai na comemoração de fim de ano?
- O famoso “quem ama não mata”? Falei rindo.
- Não sei por que você fala assim, Roberta?
- Oras, Magali. Tem um monte de gente que quer puxar o tapete do outro ou que você só vê uma vez por ano e nessa festa se vira para você e diz com a cara mais lavada do mundo: “Tudo de bom para você. Que você realize todos os seus sonhos. Você merece.” Ah, poupe-me, mas vou sim. Você vai?
- Vou. Nossa, já é semana que vem. Nem dá para acreditar que mais um ano está se acabando.
- É, Magali. A vida passa rápido. Não acha?
- Acho.
Meu telefone tocou, atendi-o e Magali se retirou.
- Roberta?
- Sim. Sou eu.
- Oi, é a Cláudia.
Meu coração se acelerou na mesma hora.
- O... Olá, Cláudia. Disse. Droga, eu tinha que gaguejar? Pensei.
- Tô ligando para lhe convidar para almoçarmos juntas. O que acha?
- Humm... Cla... claro, Cláudia. Acho ótimo.
- Beleza. Então passo aí na hora de irmos, pode ser?
- Sim, estarei lhe esperando.
- Até mais, Roberta.
- Até, Cláudia.
Ai, meu Deus, um almoço com ela. Fiquei com o corpo tremendo. Pronto, bastou para que eu não conseguisse mais concentrar-me no trabalho.
Meu desejo era de amá-la por inteiro. Acho que se Henrique não tivesse aparecido e interrompido nosso beijo isso teria acontecido, pelo menos da minha parte. A atitude de Roberta em sair assustada da cozinha deixou-me preocupada. O que ela estaria pensando agora? Não queria criar uma situação embaraçosa ou que ela pensasse que eu só queria aproveitar-me dela. Longe disso! Com ela tinha a melhor das intenções. Achava que o mais sensato a fazer era ver como ela iria tratar-me a partir de agora, não tocar no assunto. Fazer de conta que nada aconteceu e deixá-la dar o primeiro passo quanto a isso.
O parque estava cheio de gente. Crianças corriam para lá e para cá. Casais enamorados caminhavam de mãos dadas. Continuei caminhando, perdida em meus pensamentos. A melhor coisa que eu fiz foi voltar à Curitiba. Além de estar na cidade que eu amava, tinha reencontrado o meu grande amor. Foi uma surpresa maravilhosa reencontrá-la. Queria viver esse amor com ela, ter uma vida em comum. Compartilhar sonhos e decepções. Tive essa oportunidade no passado, mas eu era tão ambiciosa que não soube reconhecer meu amor por Roberta. Quis crescer profissionalmente e sacrifiquei meu amor. Agora o que mais queria era reconquistá-lo. Foi uma surpresa para mim a forma ardente com que Roberta correspondera ao beijo. Agora tinha esperanças de continuar desejando que isso realmente acontecesse.
Decidi ir embora para o meu apartamento. Tomaria um banho relaxante e leria um bom livro, isso se eu conseguisse me concentrar. Sorri. Ah, Roberta, eu a amo tanto, minha princesinha. Na hora de dormir quase não preguei o olho. Imaginava-me sempre com Roberta. Era o meu sonho.
A segunda-feira chegou e seguiu seu ritmo normal. Tive vontade de convidar Roberta para almoçar comigo, mas preferi não fazê-lo. Não queria impor minha presença tão cedo. Mas eu não resistiria ficar longe dela. Talvez amanhã eu a convidasse. Será que ela aceitaria? Eu estava hiper feliz.
---------------------------------------------------------
Toda hora olhava para porta. Tinha a impressão de que veria Cláudia entrando por ela a qualquer momento. Ainda estava abalada com o beijo. Não esperava que eu fosse corresponder com tanta vontade. Só em imaginar beijando ela, meu corpo reagia instantaneamente. Sentia-me molhada. Viva. Quase não dormi à noite. Fiquei relembrando nosso passado, em como eu era loucamente apaixonada por ela. Como eu a amava! Não entendia porque ela me beijou. Será que ela sentia algo por mim de novo? Ou foi só para matar a saudade? Gostaria de saber.
A segunda-feira fluiu normal para mim. Expediente encerrado, fui para casa. Li um livro e depois tentei dormir. Amanhã seria um novo dia.
Terça-feira de manhã. Estava em minha mesa com um monte de coisas para resolver e vi o entregador vindo em minha direção com um imenso buquê de rosas vermelhas nos braços. De novo? Quem seria esse maluco? Ele entregou-me as rosas e eu assinei a entrega.
- Você sabe quem me manda estas rosas? Perguntei para ele.
- Não, eu não sei. A única coisa que eu sei é que esses pedidos são feitos por telefone, mas não é comigo que é feito. Eu só faço as entregas.
- Hummm... Tá bom.
O rapaz saiu e lá vinha Magali toda esbaforida, e claro, curiosa.
- Bom dia, Roberta. Dessa vez diz quem é? Magali já foi logo perguntando.
- Bom dia, Magali. Bom, se você me der tempo de ver o cartão eu saberei se diz quem é ou se ficaremos ainda curiosas.
- Ah, claro.
- Vamos ver. Disse e peguei o cartão e o abri. Li. Nada de novo, apenas aquela frase: “Para uma linda mulher, com todo amor.” Humm... não entendia, quem fazia isso logo se anunciava, mas este estava gostando de fazer suspense e me deixar curiosa. Pensei.
- E aí? Magali perguntou.
Olhei para Magali, meu semblante estava sério.
- Nada, Magali. A mesma frase. Nada de pistas. Ei... Falei como se descobrisse algo realmente importante.
- O que foi, Roberta?
- Existe um padrão.
- Um padrão? Como assim?
- Já notou que eu recebo as rosas todas terças e sextas?
- Não, não tinha notado.
- Vamos ver se sexta-feira eu recebo de novo. Se receber esse padrão fica confirmado.
- É, Roberta, mas... isso não nos diz quem é o admirador.
Torci o nariz.
- É, você tem razão. Não nos diz nada. Ai, Magali, já tô nervosa com isso.
- Nervosa? Eu estou é curiosa.
- Bom, se um maluco apaixonado gosta de gastar o seu dinheiro me mandando flores e nem se importa de dizer quem é, não sou eu que vou ficar preocupada com isso, não é?
- Com certeza, Roberta. E receber flores é maravilhoso. Ah, você vai na comemoração de fim de ano?
- O famoso “quem ama não mata”? Falei rindo.
- Não sei por que você fala assim, Roberta?
- Oras, Magali. Tem um monte de gente que quer puxar o tapete do outro ou que você só vê uma vez por ano e nessa festa se vira para você e diz com a cara mais lavada do mundo: “Tudo de bom para você. Que você realize todos os seus sonhos. Você merece.” Ah, poupe-me, mas vou sim. Você vai?
- Vou. Nossa, já é semana que vem. Nem dá para acreditar que mais um ano está se acabando.
- É, Magali. A vida passa rápido. Não acha?
- Acho.
Meu telefone tocou, atendi-o e Magali se retirou.
- Roberta?
- Sim. Sou eu.
- Oi, é a Cláudia.
Meu coração se acelerou na mesma hora.
- O... Olá, Cláudia. Disse. Droga, eu tinha que gaguejar? Pensei.
- Tô ligando para lhe convidar para almoçarmos juntas. O que acha?
- Humm... Cla... claro, Cláudia. Acho ótimo.
- Beleza. Então passo aí na hora de irmos, pode ser?
- Sim, estarei lhe esperando.
- Até mais, Roberta.
- Até, Cláudia.
Ai, meu Deus, um almoço com ela. Fiquei com o corpo tremendo. Pronto, bastou para que eu não conseguisse mais concentrar-me no trabalho.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
30 - Enfim o almoço de domingo
O domingo chegou. Já estava na casa de Rique. Cláudia ainda não tinha chegado. Sentia-me ansiosa pela chegada dela. Estávamos na sala e Rafael estava nos contando mais uma de suas aventuras no trabalho. Ríamos do jeito que ele contava, que era cheio de trejeitos.
O interfone tocou e meu coração começou a pular de forma alucinada dentro do peito. Rafael foi atender e avisou que era Cláudia. Ela estava subindo. E eu a cada segundo que se passava tinha a impressão de que meu coração iria explodir de tanto que batia. Ela tocou a campainha e Rafael foi abrir. Ela entrou. Estava linda. Meu coração? Parecia que fazia parte da bateria de uma escola de samba.
Cumprimentou Henrique e Rafael com abraços e beijinhos. Na minha vez ela me olhou e deu um sorriso lindo. Tremi com a intensidade de seu olhar. Abraçou-me e aproximou seu rosto do meu. Tremi mais ainda. Senti seus lábios macios roçarem levemente minha bochecha num beijo suave e cálido. Seu perfume era inebriante. Minhas pernas estavam bambas. Será que ela ouviu meu coração batendo, porque era essa a impressão que eu tinha. Ela me olhava e me sorria. Céus, eu estava com uma vontade imensa de beijá-la. Essa minha carência estava querendo me por em maus lençóis, até porque se fosse para me envolver com alguém, não seria com ela. Definitivamente não seria ela!
Nos sentamos na sala e estávamos conversando. Até que num determinado momento Cláudia falou que eu tinha um admirador secreto.
- Não! E você não ia me contar sobre isso, sua ingrata! Rique falou fingindo estar bravo.
- É... Que não deu tempo. Falei e na realidade não queria contar porque sabia que ele iria me zoar com isso.
- Não deu tempo, né? Safada! Disse e se virou para Cláudia. – Cláudia, quantos buquês ela já recebeu? Rique perguntou.
- Pelo que eu sei já foram três. Falou rindo. – E segundo Magali...
- Essa Magali é muito boa. Rafael falou rindo.
- Pois é. Eu disse. Agora eu iria ouvir de tudo. Pensei.
- Então, segundo Magali foram dois buquês imensos e um outro menor acompanhado de uma caixa de maravilhosas e saborosas Nhá Bentas. Cláudia falou.
- O quê? Rique arregalou os olhos. – Até Nhá Benta você ganhou! Sua bandida e nem me trouxe umazinha para eu saborear. Sabe que eu adoro também. Falou indignado.
- Não deu tempo também. Falei gargalhando.
- Comeu tudo, né? Rique perguntou. – Vai te dar dor de barriga!
- É ruim, hein. Claro que comi, não ia deixar o calor derretê-las. Hummm.... estavam uma delícia.
- Derreter? Não deve nem ter dado tempo pra isso. Henrique falou rindo.
- Ei... Eu quero um admirador secreto também. Rafael falou.
- Rafael! Nada de admiradores anônimos. Você tem a mim, que sou seu admirador confesso. Henrique falou olhando apaixonado para Rafael.
- Mas você sabe quem é, Roberta? Rafael perguntou-me.
- Não tenho a mínima idéia de quem seja. Eu disse.
- Será que é homem ou mulher? Rique perguntou.
- Não sei, não tenho nenhuma pista. Falei e sorri. – Mas gostaria que fosse uma mulher.
- Hummm... Fico feliz de ver que está querendo que seja uma mulher. Sinal de que está ficando com o coraçãozinho aberto, né meu anjo. Rique falou.
- Não é bem assim, Rique. Falei séria. – Não quero ninguém por enquanto.
Henrique olhou para Cláudia e disse com o olhar: “Não lhe falei.”
- E você, Cláudia? O que fez da vida nesses anos todos? Se casou? Henrique perguntou, pois precisava fazer com que Roberta soubesse disso, já que não se sentia bem em ter segredos dela.
- Morei em várias cidades. Salvador, Belo Horizonte. Fortaleza e por último São Paulo. Mas decidi que não saio mais de Curitiba. Essa é a cidade que eu amo. E sim, me casei, mas já me descasei. Cláudia disse e olhou para mim.
- Casou e já se descasou? Rafael perguntou.
- Sim, Rafael. Meu casamento foi um erro desde o início. Antonia era muito manipuladora e acabou convencendo-me que o melhor era termos uma vida em comum, mas nossa convivência foi um horror desde o início. Ela era muito ciumenta e queria me controlar em tudo. Não me deixava respirar e sentia-me sufocada nesta relação. Resolvi que não dava mais.
- E ela aceitou o rompimento numa boa? Henrique perguntou.
- Não, até hoje ela não aceita.
- Pelo visto a mulher não é fácil, hein? Rafael comentou.
- Nem um pouco. Mas chega de falar de mim. Cláudia disse e me olhou. – E você, Roberta. Se casou também?
- Sim e estou há dois anos sozinha. Disse e olhei para Henrique que sabia ser aquele um assunto delicadíssimo. Se continuasse acabaria me desmanchando em choro.
- Aceita um vinho do porto, Cláudia? Henrique perguntou para desviar o assunto.
- Aceito sim.
- Vocês também querem? Henrique perguntou para mim e Rafael.
- Quero. Rafael disse.
- Eu também. Falei.
- Então vou providenciar. Disse e saiu para buscar o tal vinho.
- Cláudia, é bom morar em São Paulo? Rafael perguntou.
- Isso depende. Se você gosta de uma vida agitada, é ótimo. Se você gosta de uma vida calma, é insuportável.
- Então para mim seria ótimo, mas para Rique seria insuportável. É que recebi uma proposta da empresa para trabalhar lá algum tempo atrás e nós dois combinamos que seria melhor ficar em Curitiba mesmo. É que eu fiquei com isso na cabeça, sabe. Mas agora vejo que foi a melhor decisão.
- Olha, sou suspeita para falar de Curitiba. Eu amo essa cidade, então qualquer cidade que você queira comparar com ela vai ser covardia. Cláudia disse e riu. – Curitiba pra mim sempre vai ganhar todas.
- Acho que para mim também. Eu adoro morar aqui. Rafael falou.
- Pronto. Um cálice para cada um. Se vocês ficarem bêbados, comportem-se, hein. Rique falou rindo.
Cada um pegou um cálice e continuamos a conversar. Henrique, volta e meia, saía para ver como estava o almoço. Tudo pronto. Arrumou a mesa e iniciamos o tão esperado almoço de domingo. E a conversa fluía descontraída.
Assim que o almoço terminou ofereci-me para lavar a louça. Henrique não queria deixar, mas acabei convencendo-o. Disse que ele enxugaria então. Ele disse que não, que Cláudia enxugaria a louça porque ele iria namorar um pouquinho com Rafael. Falou rindo e nos deixou sozinhas na cozinha.
- Sobrou pra você. Olhei para Cláudia e falei rindo.
- Então vamos deixar essa louça brilhando. O que você prefere, lavar ou enxugar? Cláudia perguntou.
- Hummm... Você lava? Perguntei fazendo uma carinha levada.
- Claro. Mãos à obra.
Cláudia lavava a louça e eu enxugava, até que ela terminou de lavá-la. Conversávamos sobre nossa preferência sobre filmes. Estava enxugando um talher quando ele escorregou de minhas mãos e foi ao chão. Nos abaixamos simultaneamente para pegá-lo. Ficamos agachadas de frente para a outra. Nos encaramos. Cláudia pegou o talher e jogou-o na pia. Eu paralisei-me. Ela pegou em meus braços e fomos nos levantando. Aproximou-se de mim e ficamos frente a frente. Nossos olhares estavam presos um no outro. Eu estava sem ação. Meu coração pulava no peito. Sentia-me hipnotizada por seus olhos verdes. Meu coração pulava loucamente no peito. Sua mão subiu até meu rosto e ela deslizou-a suavemente nele. Fechei os olhos e senti que ela se aproximou mais. Abri-os e mergulhei no verde de seus olhos. Senti seu hálito quente. Estávamos a poucos centímetros uma da outra. Sua outra mão agarrou minha cintura e puxou-me suavemente ao seu encontro. Nossas bocas se encontraram, primeiro um leve contato, um suave roçar de lábios, que foi aprofundando e dando lugar a um beijo cheio de paixão. Senti sua língua invadindo-me, provocando-me arrepios intensos pelo corpo todo. Arrepiei-me. Senti-me viva, meu corpo todo vibrava de emoção. Correspondi de forma apaixonada ao beijo. Abracei-a e minhas mãos percorriam suas costas, subi uma mão até seus cabelos e enfiei a mão neles. O que eu sentia era uma saudade imensa daquela boca, daquele corpo. Meu desejo era fazer amor com ela. Meu sexo latejava de vontade por um contato mais íntimo. Foi um beijo demorado, apaixonado.
- Meninas, vocês... Putz, desculpa, não estou mais aqui. Henrique entrou e saiu no mesmo instante da cozinha.
Nos separamos rapidamente. Olhei para ela. Eu estava assustada com tudo que senti com o beijo. Ela sorriu-me de forma cativante. Virei-me rapidamente e saí da cozinha sem dizer nada. Não estava acreditando no que tinha acontecido. Isso não podia ter acontecido. Não podia. O que deu-me para deixar isso acontecer? Droga, e agora?
- Roberta, cadê a Cláudia? Henrique perguntou-me sorrindo.
Olhei para ele sentindo-me desnorteada.
- Ela... Ela... está na cozinha. Respondi.
- Você está legal? Henrique perguntou preocupado.
Olhei novamente para ele já me recompondo.
- Claro, eu estou bem. Tentei sorrir.
- Hummm... tá. Deixe-me ver Cláudia na cozinha. Disse e foi para lá.
Sentei-me no sofá. Rafael estava separando um filme para assistirmos. Logo Henrique e Cláudia apareceram. Não conseguia olhar para ela. O que ela estaria pensando? Droga, droga, mil vezes droga!
- Gente, vou fazer uma pipoca. Henrique falou e saiu para providenciar.
- Meninas, tenho aqui um romance e aqui um suspense ótimo. O que vocês preferem? Rafael perguntou segurando um filme em cada mão e ficava olhando ora para mim ora para Cláudia, esperando ansioso pela nossa resposta.
- Eu gosto dos dois gêneros. O que for tá valendo. Cláudia respondeu e senti que ela me olhou.
- Pra mim também. Respondi sem olhar para ela.
- Mas que indecisão, hein. Então vamos deixar Henrique escolher, já que para vocês duas tanto faz qualquer um. Rafael disse sorrindo. – Se preferirem tem um de terror também.
- Não de terror eu não gosto. Cláudia falou. – Mas adoro um suspense, romance ou drama.
Eu precisava sair dessa inércia em que me encontrava. Não podia deixar ela perceber que eu tinha ficado abalada com um simples beijo.
- Não gosta de um terror? Perguntei e encarei-a pela primeira vez desde que saí da cozinha. Céus, ela era muito linda.
Ela olhou-me e sorriu.
- Se a companhia for excelente até arrisco ver um. Cláudia disse. – Especialmente se puder agarrá-la.
- Gostei dessa. Rafael falou empolgado. – Vou assistir mais filmes de terror com Rique só pra ficar agarrando ele. Humm... vai ser ótimo.
- Olha a pipoca. Henrique voltou com uma vasilha bem grande lotada de pipocas.
- Nossa! Você não acha que é muita pipoca, Rique. Falei rindo.
- Ah, se for muita a gente faz uma guerrinha aqui. Henrique disse e soltou uma gargalhada.
- Amor, você escolhe o que vamos assistir. Um suspense ou um romance?
- Eu escolho? Então deixe eu ver... Hummm... Olhou para mim e depois para Cláudia. – Acho que um romance cai bem. Ai, e quem não gosta, não é? Henrique falou e botou a mão na boca. – Vamos ao filme.
Nos ajeitamos para ver o filme. Rique deitou-se no colo de Rafael para ver o filme. Eu e Cláudia nos sentamos no sofá de dois lugares. Ela parecia estar relaxada. Eu estava tensa. Tinha receio de encostar-me nela. Confesso que sentia vontade de aconchegar-me nela, mas imediatamente repreendia esta vontade. Sinceramente não estava reconhecendo minha reação ao estar perto dela. Ainda sentia o gosto de seu beijo em meus lábios. Eu queria mais, essa era a verdade. Tentava concentrar-me no filme, mas estava difícil.
O final do filme chegou e estávamos os quatro com lágrimas escorrendo pelo rosto. Nos olhamos e rimos à beça. Estávamos com cara de bobos. Conversamos mais um pouco.
- Agora eu preciso ir. Cláudia anunciou.
- Ah, não. Vamos jogar um carteado? Rique falou.
- Não posso, Henrique. Tenho algumas coisas para resolver, mas prometo que de uma próxima vez jogamos esse carteado. Pode ser?
- Fazer o quê, né. Preferia jogar agora.
- É sério. Não posso, Henrique. Preciso mesmo ir. Cláudia disse e levantou-se.
Levantamos-nos e ela despediu-se de Henrique.
- Obrigada pelo dia maravilhoso que você me deu. Cláudia disse e deu um beijo em seu rosto. Abraçou e beijou Rafael também. – Adorei o dia, meninos. Vou fazer um almoço também e todos estão convidados. Vamos combinar o dia depois.
- Tá certo, Cláudia. Combinado. Rique falou.
Ela se virou e me olhou. Aproximou-se de mim e abraçou-me. Deu-me um beijo na trave. Meu coração batia alucinado dentro do peito.
- Tchau, Roberta. Se cuide, tá.
- Tá. Tchau, Cláudia.
Assim que ela saiu do apartamento, Rique me olhou.
- Vai me contar tudinho. Rafael, você poderia nos deixar a sós um pouquinho, meu amor?
- Claro, vou para o quarto. Rafael disse e saiu da sala.
- Então, Betinha. Conte-me tudo e não me esconda nada.
Olhei para ele fuzilando-o.
– Contar o quê, Rique? Perguntei meio brava.
- O b-e-i-j-o. Eu vi, tá. Aliás, eu interrompi. Maldita hora que eu entrei na cozinha, se eu soubesse o que estava rolando lá não teria entrado.
- Foi um beijo que não deveria ter acontecido.
- Mas aconteceu. Diga-me, quem beijou? Você ou ela?
- Ela me beijou.
- Ai, me conta como foi, Betinha.
Olhei para ele e fiquei vermelha.
- Foi... Foi bom.
- Bom?! Só isso?
- Não, foi maravilhoso, tá. Agora tá satisfeito?
- Hummm... Agora estou. O que você está sentindo por ela? Henrique perguntou curioso.
- Não sei. Acho que é carência, sabe. Estou há tanto tempo sem ninguém e...
- Você está apaixonada por ela?
- Eu? Apaixonada? Pela Cláudia? Perguntei assustada.
- Calma. É só dizer sim ou não.
- Não. Eu não... não estou.
- Mesmo, Betinha? Rique insistiu.
- Eu só tô carente, é isso.
- Carência. Humm... sei. Teve vontade de beijar ela de novo?
- O que é isso, Rique? Um interrogatório?
- Responder não dói, Betinha.
Olhei pra ele e suspirei.
- Sim, tive vontade de beijar ela de novo sim, mas isso não quer dizer nada. Disse isso e ele ficou me olhando e sorrindo. – Vou embora também.
- Mas ainda é cedo, Betinha.
- Tô precisando ficar sozinha, meu amigo.
- Tá bom. Se precisar já sabe, é só me ligar, tá.
- Tá, eu sei.
Despedi-me dele e fui até o quarto despedir-me de Rafael. Ao invés de ir para casa, fui ao parque Bacacheri. Precisava caminhar um pouco para espairecer minhas idéias. Eu estava confusa. Muito confusa. O beijo abalou-me, pois não esperava sentir a avalanche de sensações que eu senti. Foi tão intenso que tive vontade de amá-la naquela cozinha mesmo. Acho que se Henrique não tivesse aparecido, eu teria me entregado a ela ali mesmo, pois eu estava alucinada de paixão. Como pude perder minha razão com apenas um beijo? Cláudia você passou a ser um perigo em minha vida. Um doce e delicioso perigo.
O interfone tocou e meu coração começou a pular de forma alucinada dentro do peito. Rafael foi atender e avisou que era Cláudia. Ela estava subindo. E eu a cada segundo que se passava tinha a impressão de que meu coração iria explodir de tanto que batia. Ela tocou a campainha e Rafael foi abrir. Ela entrou. Estava linda. Meu coração? Parecia que fazia parte da bateria de uma escola de samba.
Cumprimentou Henrique e Rafael com abraços e beijinhos. Na minha vez ela me olhou e deu um sorriso lindo. Tremi com a intensidade de seu olhar. Abraçou-me e aproximou seu rosto do meu. Tremi mais ainda. Senti seus lábios macios roçarem levemente minha bochecha num beijo suave e cálido. Seu perfume era inebriante. Minhas pernas estavam bambas. Será que ela ouviu meu coração batendo, porque era essa a impressão que eu tinha. Ela me olhava e me sorria. Céus, eu estava com uma vontade imensa de beijá-la. Essa minha carência estava querendo me por em maus lençóis, até porque se fosse para me envolver com alguém, não seria com ela. Definitivamente não seria ela!
Nos sentamos na sala e estávamos conversando. Até que num determinado momento Cláudia falou que eu tinha um admirador secreto.
- Não! E você não ia me contar sobre isso, sua ingrata! Rique falou fingindo estar bravo.
- É... Que não deu tempo. Falei e na realidade não queria contar porque sabia que ele iria me zoar com isso.
- Não deu tempo, né? Safada! Disse e se virou para Cláudia. – Cláudia, quantos buquês ela já recebeu? Rique perguntou.
- Pelo que eu sei já foram três. Falou rindo. – E segundo Magali...
- Essa Magali é muito boa. Rafael falou rindo.
- Pois é. Eu disse. Agora eu iria ouvir de tudo. Pensei.
- Então, segundo Magali foram dois buquês imensos e um outro menor acompanhado de uma caixa de maravilhosas e saborosas Nhá Bentas. Cláudia falou.
- O quê? Rique arregalou os olhos. – Até Nhá Benta você ganhou! Sua bandida e nem me trouxe umazinha para eu saborear. Sabe que eu adoro também. Falou indignado.
- Não deu tempo também. Falei gargalhando.
- Comeu tudo, né? Rique perguntou. – Vai te dar dor de barriga!
- É ruim, hein. Claro que comi, não ia deixar o calor derretê-las. Hummm.... estavam uma delícia.
- Derreter? Não deve nem ter dado tempo pra isso. Henrique falou rindo.
- Ei... Eu quero um admirador secreto também. Rafael falou.
- Rafael! Nada de admiradores anônimos. Você tem a mim, que sou seu admirador confesso. Henrique falou olhando apaixonado para Rafael.
- Mas você sabe quem é, Roberta? Rafael perguntou-me.
- Não tenho a mínima idéia de quem seja. Eu disse.
- Será que é homem ou mulher? Rique perguntou.
- Não sei, não tenho nenhuma pista. Falei e sorri. – Mas gostaria que fosse uma mulher.
- Hummm... Fico feliz de ver que está querendo que seja uma mulher. Sinal de que está ficando com o coraçãozinho aberto, né meu anjo. Rique falou.
- Não é bem assim, Rique. Falei séria. – Não quero ninguém por enquanto.
Henrique olhou para Cláudia e disse com o olhar: “Não lhe falei.”
- E você, Cláudia? O que fez da vida nesses anos todos? Se casou? Henrique perguntou, pois precisava fazer com que Roberta soubesse disso, já que não se sentia bem em ter segredos dela.
- Morei em várias cidades. Salvador, Belo Horizonte. Fortaleza e por último São Paulo. Mas decidi que não saio mais de Curitiba. Essa é a cidade que eu amo. E sim, me casei, mas já me descasei. Cláudia disse e olhou para mim.
- Casou e já se descasou? Rafael perguntou.
- Sim, Rafael. Meu casamento foi um erro desde o início. Antonia era muito manipuladora e acabou convencendo-me que o melhor era termos uma vida em comum, mas nossa convivência foi um horror desde o início. Ela era muito ciumenta e queria me controlar em tudo. Não me deixava respirar e sentia-me sufocada nesta relação. Resolvi que não dava mais.
- E ela aceitou o rompimento numa boa? Henrique perguntou.
- Não, até hoje ela não aceita.
- Pelo visto a mulher não é fácil, hein? Rafael comentou.
- Nem um pouco. Mas chega de falar de mim. Cláudia disse e me olhou. – E você, Roberta. Se casou também?
- Sim e estou há dois anos sozinha. Disse e olhei para Henrique que sabia ser aquele um assunto delicadíssimo. Se continuasse acabaria me desmanchando em choro.
- Aceita um vinho do porto, Cláudia? Henrique perguntou para desviar o assunto.
- Aceito sim.
- Vocês também querem? Henrique perguntou para mim e Rafael.
- Quero. Rafael disse.
- Eu também. Falei.
- Então vou providenciar. Disse e saiu para buscar o tal vinho.
- Cláudia, é bom morar em São Paulo? Rafael perguntou.
- Isso depende. Se você gosta de uma vida agitada, é ótimo. Se você gosta de uma vida calma, é insuportável.
- Então para mim seria ótimo, mas para Rique seria insuportável. É que recebi uma proposta da empresa para trabalhar lá algum tempo atrás e nós dois combinamos que seria melhor ficar em Curitiba mesmo. É que eu fiquei com isso na cabeça, sabe. Mas agora vejo que foi a melhor decisão.
- Olha, sou suspeita para falar de Curitiba. Eu amo essa cidade, então qualquer cidade que você queira comparar com ela vai ser covardia. Cláudia disse e riu. – Curitiba pra mim sempre vai ganhar todas.
- Acho que para mim também. Eu adoro morar aqui. Rafael falou.
- Pronto. Um cálice para cada um. Se vocês ficarem bêbados, comportem-se, hein. Rique falou rindo.
Cada um pegou um cálice e continuamos a conversar. Henrique, volta e meia, saía para ver como estava o almoço. Tudo pronto. Arrumou a mesa e iniciamos o tão esperado almoço de domingo. E a conversa fluía descontraída.
Assim que o almoço terminou ofereci-me para lavar a louça. Henrique não queria deixar, mas acabei convencendo-o. Disse que ele enxugaria então. Ele disse que não, que Cláudia enxugaria a louça porque ele iria namorar um pouquinho com Rafael. Falou rindo e nos deixou sozinhas na cozinha.
- Sobrou pra você. Olhei para Cláudia e falei rindo.
- Então vamos deixar essa louça brilhando. O que você prefere, lavar ou enxugar? Cláudia perguntou.
- Hummm... Você lava? Perguntei fazendo uma carinha levada.
- Claro. Mãos à obra.
Cláudia lavava a louça e eu enxugava, até que ela terminou de lavá-la. Conversávamos sobre nossa preferência sobre filmes. Estava enxugando um talher quando ele escorregou de minhas mãos e foi ao chão. Nos abaixamos simultaneamente para pegá-lo. Ficamos agachadas de frente para a outra. Nos encaramos. Cláudia pegou o talher e jogou-o na pia. Eu paralisei-me. Ela pegou em meus braços e fomos nos levantando. Aproximou-se de mim e ficamos frente a frente. Nossos olhares estavam presos um no outro. Eu estava sem ação. Meu coração pulava no peito. Sentia-me hipnotizada por seus olhos verdes. Meu coração pulava loucamente no peito. Sua mão subiu até meu rosto e ela deslizou-a suavemente nele. Fechei os olhos e senti que ela se aproximou mais. Abri-os e mergulhei no verde de seus olhos. Senti seu hálito quente. Estávamos a poucos centímetros uma da outra. Sua outra mão agarrou minha cintura e puxou-me suavemente ao seu encontro. Nossas bocas se encontraram, primeiro um leve contato, um suave roçar de lábios, que foi aprofundando e dando lugar a um beijo cheio de paixão. Senti sua língua invadindo-me, provocando-me arrepios intensos pelo corpo todo. Arrepiei-me. Senti-me viva, meu corpo todo vibrava de emoção. Correspondi de forma apaixonada ao beijo. Abracei-a e minhas mãos percorriam suas costas, subi uma mão até seus cabelos e enfiei a mão neles. O que eu sentia era uma saudade imensa daquela boca, daquele corpo. Meu desejo era fazer amor com ela. Meu sexo latejava de vontade por um contato mais íntimo. Foi um beijo demorado, apaixonado.
- Meninas, vocês... Putz, desculpa, não estou mais aqui. Henrique entrou e saiu no mesmo instante da cozinha.
Nos separamos rapidamente. Olhei para ela. Eu estava assustada com tudo que senti com o beijo. Ela sorriu-me de forma cativante. Virei-me rapidamente e saí da cozinha sem dizer nada. Não estava acreditando no que tinha acontecido. Isso não podia ter acontecido. Não podia. O que deu-me para deixar isso acontecer? Droga, e agora?
- Roberta, cadê a Cláudia? Henrique perguntou-me sorrindo.
Olhei para ele sentindo-me desnorteada.
- Ela... Ela... está na cozinha. Respondi.
- Você está legal? Henrique perguntou preocupado.
Olhei novamente para ele já me recompondo.
- Claro, eu estou bem. Tentei sorrir.
- Hummm... tá. Deixe-me ver Cláudia na cozinha. Disse e foi para lá.
Sentei-me no sofá. Rafael estava separando um filme para assistirmos. Logo Henrique e Cláudia apareceram. Não conseguia olhar para ela. O que ela estaria pensando? Droga, droga, mil vezes droga!
- Gente, vou fazer uma pipoca. Henrique falou e saiu para providenciar.
- Meninas, tenho aqui um romance e aqui um suspense ótimo. O que vocês preferem? Rafael perguntou segurando um filme em cada mão e ficava olhando ora para mim ora para Cláudia, esperando ansioso pela nossa resposta.
- Eu gosto dos dois gêneros. O que for tá valendo. Cláudia respondeu e senti que ela me olhou.
- Pra mim também. Respondi sem olhar para ela.
- Mas que indecisão, hein. Então vamos deixar Henrique escolher, já que para vocês duas tanto faz qualquer um. Rafael disse sorrindo. – Se preferirem tem um de terror também.
- Não de terror eu não gosto. Cláudia falou. – Mas adoro um suspense, romance ou drama.
Eu precisava sair dessa inércia em que me encontrava. Não podia deixar ela perceber que eu tinha ficado abalada com um simples beijo.
- Não gosta de um terror? Perguntei e encarei-a pela primeira vez desde que saí da cozinha. Céus, ela era muito linda.
Ela olhou-me e sorriu.
- Se a companhia for excelente até arrisco ver um. Cláudia disse. – Especialmente se puder agarrá-la.
- Gostei dessa. Rafael falou empolgado. – Vou assistir mais filmes de terror com Rique só pra ficar agarrando ele. Humm... vai ser ótimo.
- Olha a pipoca. Henrique voltou com uma vasilha bem grande lotada de pipocas.
- Nossa! Você não acha que é muita pipoca, Rique. Falei rindo.
- Ah, se for muita a gente faz uma guerrinha aqui. Henrique disse e soltou uma gargalhada.
- Amor, você escolhe o que vamos assistir. Um suspense ou um romance?
- Eu escolho? Então deixe eu ver... Hummm... Olhou para mim e depois para Cláudia. – Acho que um romance cai bem. Ai, e quem não gosta, não é? Henrique falou e botou a mão na boca. – Vamos ao filme.
Nos ajeitamos para ver o filme. Rique deitou-se no colo de Rafael para ver o filme. Eu e Cláudia nos sentamos no sofá de dois lugares. Ela parecia estar relaxada. Eu estava tensa. Tinha receio de encostar-me nela. Confesso que sentia vontade de aconchegar-me nela, mas imediatamente repreendia esta vontade. Sinceramente não estava reconhecendo minha reação ao estar perto dela. Ainda sentia o gosto de seu beijo em meus lábios. Eu queria mais, essa era a verdade. Tentava concentrar-me no filme, mas estava difícil.
O final do filme chegou e estávamos os quatro com lágrimas escorrendo pelo rosto. Nos olhamos e rimos à beça. Estávamos com cara de bobos. Conversamos mais um pouco.
- Agora eu preciso ir. Cláudia anunciou.
- Ah, não. Vamos jogar um carteado? Rique falou.
- Não posso, Henrique. Tenho algumas coisas para resolver, mas prometo que de uma próxima vez jogamos esse carteado. Pode ser?
- Fazer o quê, né. Preferia jogar agora.
- É sério. Não posso, Henrique. Preciso mesmo ir. Cláudia disse e levantou-se.
Levantamos-nos e ela despediu-se de Henrique.
- Obrigada pelo dia maravilhoso que você me deu. Cláudia disse e deu um beijo em seu rosto. Abraçou e beijou Rafael também. – Adorei o dia, meninos. Vou fazer um almoço também e todos estão convidados. Vamos combinar o dia depois.
- Tá certo, Cláudia. Combinado. Rique falou.
Ela se virou e me olhou. Aproximou-se de mim e abraçou-me. Deu-me um beijo na trave. Meu coração batia alucinado dentro do peito.
- Tchau, Roberta. Se cuide, tá.
- Tá. Tchau, Cláudia.
Assim que ela saiu do apartamento, Rique me olhou.
- Vai me contar tudinho. Rafael, você poderia nos deixar a sós um pouquinho, meu amor?
- Claro, vou para o quarto. Rafael disse e saiu da sala.
- Então, Betinha. Conte-me tudo e não me esconda nada.
Olhei para ele fuzilando-o.
– Contar o quê, Rique? Perguntei meio brava.
- O b-e-i-j-o. Eu vi, tá. Aliás, eu interrompi. Maldita hora que eu entrei na cozinha, se eu soubesse o que estava rolando lá não teria entrado.
- Foi um beijo que não deveria ter acontecido.
- Mas aconteceu. Diga-me, quem beijou? Você ou ela?
- Ela me beijou.
- Ai, me conta como foi, Betinha.
Olhei para ele e fiquei vermelha.
- Foi... Foi bom.
- Bom?! Só isso?
- Não, foi maravilhoso, tá. Agora tá satisfeito?
- Hummm... Agora estou. O que você está sentindo por ela? Henrique perguntou curioso.
- Não sei. Acho que é carência, sabe. Estou há tanto tempo sem ninguém e...
- Você está apaixonada por ela?
- Eu? Apaixonada? Pela Cláudia? Perguntei assustada.
- Calma. É só dizer sim ou não.
- Não. Eu não... não estou.
- Mesmo, Betinha? Rique insistiu.
- Eu só tô carente, é isso.
- Carência. Humm... sei. Teve vontade de beijar ela de novo?
- O que é isso, Rique? Um interrogatório?
- Responder não dói, Betinha.
Olhei pra ele e suspirei.
- Sim, tive vontade de beijar ela de novo sim, mas isso não quer dizer nada. Disse isso e ele ficou me olhando e sorrindo. – Vou embora também.
- Mas ainda é cedo, Betinha.
- Tô precisando ficar sozinha, meu amigo.
- Tá bom. Se precisar já sabe, é só me ligar, tá.
- Tá, eu sei.
Despedi-me dele e fui até o quarto despedir-me de Rafael. Ao invés de ir para casa, fui ao parque Bacacheri. Precisava caminhar um pouco para espairecer minhas idéias. Eu estava confusa. Muito confusa. O beijo abalou-me, pois não esperava sentir a avalanche de sensações que eu senti. Foi tão intenso que tive vontade de amá-la naquela cozinha mesmo. Acho que se Henrique não tivesse aparecido, eu teria me entregado a ela ali mesmo, pois eu estava alucinada de paixão. Como pude perder minha razão com apenas um beijo? Cláudia você passou a ser um perigo em minha vida. Um doce e delicioso perigo.
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