A hora do almoço chegou e logo vi Cláudia vindo em minha direção. Não a tinha mais visto depois do episódio do beijo no domingo. Só de vê-la meu coração se acelerou. Ela deu-me um sorriso lindo, envolvente.
- Olá, Roberta. Tudo bem? Aproximou-se e deu-me um beijo na bochecha. Seu perfume, sua proximidade deixavam-me de pernas bambas.
- O... Olá, Cláudia. Tu... tudo bem. E... e com você? Disse. Maldita mania de gaguejar na frente dela. Pensei.
- Tudo bem. Vamos?
- Sim. Disse e peguei minha bolsa. – Vamos.
Saímos do banco e parei. Olhei para ela e sorri.
- Qual restaurante desta vez? Perguntei.
Ela me deu um sorriso maroto.
- Sei que você é doida pela cozinha italiana. Que tal irmos a uma cantina em Santa Felicidade?
- Em Santa Felicidade? Respondi sorrindo com os olhos brilhando de alegria. – Mas, e o horário? Dá tempo?
- Acho que a sua chefa não vai lhe advertir se você se atrasar um pouquinho. Cláudia respondeu rindo.
- Hummm.... Será? Ouvi dizer que ela é exigente quanto a horários. Falei rindo também, entrando na brincadeira.
- Podexá. Falo com ela e tudo ficará resolvido. Ela disse sorrindo e encarando-me com aquele olhar verde que me encantava.
- Então... o que estamos esperando? Perguntei toda alegre.
Fomos ao estacionamento, pegamos seu carro e seguimos em direção à Santa Felicidade. No caminho conversamos amenidades. Chegamos e fomos a uma cantina muito simpática. Sentamos à mesa e logo fomos atendidas.
Estar na presença de Cláudia deixava-me feliz ao mesmo tempo em que me deixava nervosa. Olhava para ela e lembrava-me do beijo, das sensações que ele despertara em mim. Tinha reacendido o desejo que existia no passado. Não queria que isso tivesse acontecido, mas não conseguia controlar essa sensação. Era mais forte do que eu.
- Você vai na comemoração de fim de ano? Cláudia perguntou sorrindo e fitando-me.
Como era lindo o seu sorriso. Encantava-me com ele!
- Vou sim.
- E aceitaria ir comigo?
Olhei para ela arregalando os olhos. Eu estava surpresa pelo convite.
- Cla... claro que sim. Respondi. – Eu adoraria. Disse e sorri para ela demonstrando a minha alegria pelo convite. Ela convidou a mim e não a pegajosa da Milena. Pensei. Eu estava radiante.
Cláudia levou sua mão até a minha que estava sobre a mesa e fez um leve carinho. Olhei para ela e senti-me aprisionada em seu olhar.
- Você não sabe como fico feliz em você ter aceitado meu convite. Ela disse e sorriu.
- Eu adorei o seu convite. Falei feliz e sua mão ainda fazia um suave carinho na minha. Ela tirou a mão e pegou seu copo para tomar o suco que havia pedido. Sentia-me novamente fascinada por ela.
- Soube que você recebeu mais uma visita de seu admirador secreto. Ela falou sorrindo e olhando-me divertida.
- Ah... Não conseguiria esconder isso de você, não é?
- Com a Magali no banco? De maneira alguma.
Rimos. E cada vez que a olhava perdia-me em seu olhar.
- Mais uma vez recebi um imeeeeenso buquê de rosas. Tô me acostumando mal. Sorri. - Ah, acho que tem um padrão.
- Um padrão?
- É. Notei que toda terça e sexta eu recebo o buquê.
- Hummm... Interessante.
- É, mas isso não me diz nada. Não tenho nenhuma pista de quem seja. Até estava preocupada com isso...
- Preocupada? Por quê?
- É. Poxa, tem alguém que está apaixonado por mim, me manda flores e não se identifica, aí pensei, se o maluco não quer se identificar não é problema meu, e resolvi que não vou ficar preocupada com isso.
- É verdade. Qual a graça em mandar e não se identificar? Cláudia questionou.
- Pois é, não faço idéia. Se o maluco sente-se bem assim, não sou eu que vou perder o sono.
- Tá certa. Nem se preocupe. E convenhamos, é uma delícia receber flores, não é? Cláudia perguntou-me dando um sorriso lindo.
- Se é... É maravilhoso. Sorri para ela também. Eu não me cansava de admirar a beleza dela. Linda!
E nesse clima descontraído terminamos nosso almoço. Voltamos para o banco. Quando chegou a minha vez de sair do elevador, ela deu-me um beijo em meu rosto. Retribuí o beijo. Dei um sorriso e saí. Meu corpo todo tremia. Fui para minha mesa e passei a tarde tentando concentrar-me no trabalho que eu tinha por fazer.
A semana transcorreu normalmente. Na sexta-feira como era esperado, recebi mais um buquê de rosas e veio de novo com Nhá Benta. Esse admirador secreto estava deixando-me mal acostumada. Nada de pistas e a mesma frase: “Para uma linda mulher, com todo amor. Com beijos doces.” Claro que adorei ter recebido chocolates de novo. Ainda mais o meu preferido.
Segundo Magali, a tal bolsa de apostas corria solta. Eu não queria nem tomar partido desta idéia maluca dela. Claro que eu tinha curiosidade em saber quem era esse maluco, mas não permitia que isso me tirasse o sono.
Enfim o final de semana chegou. Não tinha nenhum passeio programado. Resolvi então, no domingo à tarde, fazer uma visita para meu grande amigo Henrique. Estava no seu apartamento e conversávamos e acabava de contar que tinha recebido mais uma “visita” do admirador secreto.
- Uau. Esse tá apaixonado mesmo, hein. Henrique comentou.
- Pois é, Rique. O cara não dá nenhuma pista de quem é. Acredita que cheguei a ligar para a floricultura e perguntei para saber quem era, mas a pessoa da floricultura disse-me que os pedidos são feitos por telefone e que foi pedido sigilo. Acredita nisso?
- Hummm... Será que esse cara é casado? Por isso faz assim?
- Sei lá, Rique. Mas tô pensando em recusar os próximos buquês.
- Recusar? Ficou maluca, é? Se o cara quer lhe dar rosas, deixe-o dar. Problema dele. Curta isso, pois não é sempre que temos alguém de quatro pela gente.
- É, mas não tô achando isso tão legal assim.
- Fica fria, Betinha. Relaxa. Pense nas Nhá Bentas que ainda estão por vir. Rique falou e caiu na gargalhada, não resisti e ri também.
Henrique olhou-me com o olhar curioso e perguntou-me: - E a Cláudia?
- O que tem ela? Perguntei assustada.
- Betinha! Não se faça de desentendida. Você sabe muito bem o que eu quero saber.
- Ah, Rique. Não tem nada do que você está pensando.
- Não tem nada? Sei... Não se viram mais?
- Nós almoçamos na terça.
- Um almoço?
- É, em Santa Felicidade.
- Hummm... Então não foi um “simples” almoço.
- Ai, Rique. Você não tem jeito, né?
- Betinha, a mulher leva você para almoçar em Santa Felicidade em dia de expediente normal e você acha que não tem nada?
- Eu não vejo nada demais, tá.
- Ai, meu Deus. Só cego não quer ver.
Nisso meu celular tocou. Vi um número desconhecido e atendi.
- Alô.
- Roberta? É você?
- Sim. Quem é?
- Sou eu, Cláudia. Tudo bem?
- Oi, Cláudia, tudo bem. Respondi com o coração aos pulos. Como ela tinha meu celular? Pensei.
Henrique olhou-me sorrindo de orelha a orelha.
- Gostaria de lhe convidar para passearmos no Parque Barigüi. O que acha? Cláudia perguntou.
- Um passeio? No Barigüi? Falei olhando para Rique, que fazia “sim” balançando a cabeça. Quase ri dele. – Cla... claro, Cláudia. É uma ótima idéia.
- Então passo aí para lhe pegar. Você está em casa?
- Na... Não. Eu tô aqui no Henrique.
- Legal. Tô indo aí então. Até mais. Beijos.
- Até, Beijos.
- Uau... Maravilha. Viu? E você acha que não tem nada. Rique falou sorrindo.
- É só um passeio no parque, Rique.
- É só um passeio no parque, Rique. Ele falou me remedando.
- Para, Rique. Deixe de ser bobo. Falei meio brava com ele.
- Betinha, a mulher convida-lhe para almoçar em Santa Felicidade, convida-lhe para passear no parque e você acha que não tem nada? Acho que ela está a fim de você! Henrique falou convicto.
- Ai, chega. Não vou discutir isso com você. O que eu e Cláudia temos é o início de uma amizade ou o reinício dela, sei lá. Nada mais.
- Uh-hum... Nada mais. Tá certo, meu anjo. Rique falou com um sorriso maroto.
Conversamos mais e logo depois Cláudia chegou. Cumprimentou-me com um abraço gostoso e beijos no rosto. Ela estava tão cheirosa. Estava uma delícia de ver. Linda. E eu quase babando. O que era isso, Roberta? Controle-se! Nos despedimos de Henrique e fomos ao parque. Nos divertimos e conversamos muito e novamente não tocamos no assunto do nosso passado em comum. Comemos algodão doce. Foi uma farra! Rimos muito também. Foi um passeio agradabilíssimo. Eu só tinha que controlar a vontade que teimava em aparecer de querer beijá-la, ansiava por sentir seu beijo de novo. Mas mesmo com essa vontade, tinha firme o pensamento de não querer mais nada com ela. A nossa história era passado.
Terminado o passeio, ela me levou para casa. Como ela sabia onde eu morava? Não agüentei a curiosidade e perguntei. Ela disse-me que tinha o endereço e telefone de todos os gerentes e chefes de departamento. Então era assim que ela tinha o número do meu celular! Convidei-a para subir e disse-me que não, que da próxima vez subiria. Despedimos-nos e o beijo pegou na trave. Não precisava nem dizer que meu corpo reagiu a isso. Subi para o meu apartamento. Estava feliz e cantarolando. Tomei um banho, fiz um lanche rápido e fui ver um pouco de televisão. Logo depois fui dormir. Feliz da vida.
sábado, 3 de maio de 2008
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