segunda-feira, 5 de maio de 2008

34 - Constatação

Céus, parecia que minha cabeça iria explodir. Tentei abrir os olhos, mas senti dificuldade. Estava com minha garganta seca. Precisava beber água. Parecia que tinha um tambor batendo dentro da minha cabeça, que doía muito. Que mal-estar horrível! Abri os olhos lentamente e vi que eu estava em meu quarto. Como eu vim parar aqui? Mexi-me na cama e senti o corpo de alguém ao meu lado. Virei-me assustada para olhar. Cláudia?! Ela dormia serenamente. O que ela estava fazendo aqui? Será que a gente...? Meu Deus, que vergonha! Eu fiquei completamente bêbada. Lembrei-me que a vi beijando Milena. Por que Cláudia não estava com ela? Que merda! Eu tinha ido com ela, viu-me bêbada e trouxe-me para cá. Acho que sem querer empatei o romance dela. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Enxuguei-a com a mão. Gostaria que ela estivesse aqui comigo porque queria estar e não por obrigação por ter me levado à festa. Sentiu-se responsável por mim. Senti-me péssima com este pensamento.

Levantei-me da cama com certa dificuldade. Percebi que estava só de calcinha e sutiã. Perdi o equilíbrio e só não caí porque a parede me amparou. Bati o braço na cabeceira da cama e fez barulho acordando Cláudia. Ela levantou num pulo só e veio abraçar-me. Senti-me protegida em seu abraço. Céus, ela também estava só de calcinha e sutiã. O contato de nossas peles nuas deixava-me em brasa. Eu a queria tanto, mas era Milena quem ela preferia.

- Roberta, você está bem?

Agarrei-me nela e comecei a chorar. Não queria chorar na frente dela, mas não consegui controlar-me.

- O que você tem? Cláudia perguntou e passou mão carinhosamente pelo meu rosto. – Você está com saudades da Cristina, não é?

Quando ela perguntou isso, chorei copiosamente. Sentia meu coração moído. Por tudo. Parecia que não me era dado o direito de ser feliz no amor. Cristina era meu amado passado que nunca mais retornaria. Nunca mais era muito forte. Cláudia era também meu passado. Descobri o que sentia por ela tinha renascido, mas ela não me queria, sua escolha era Milena. Sentia-me um caco.

- Henrique me falou dela. Contou-me sua história. Ela disse acariciando meus cabelos. – Sinto muito por ter acontecido isto com você. É que você falou no nome dela ontem à noite, por isso estou falando dela.

Não disse nada. Permaneci abraçada a ela, chorando silenciosamente. Sentia o calor de seu corpo junto ao meu, sua pele tocando a minha. Eu queria esta mulher de novo. Não queria o sentimento de pena, queria amor.

De repente senti uma bola em meu estômago e num impulso saí correndo para o banheiro. Nem sei como consegui chegar lá. Estava aí o resultado de ter bebido de forma irresponsável: dor de cabeça, tonturas e vômitos, isso sem contar que me sentia totalmente péssima.

Apareci na porta do banheiro com a mão na minha testa. Ela olhou-me e sorriu.

- Tome um banho. Você vai sentir-se melhor. Disse-me sorrindo.

- Tá, vou tomar.

- Vou fazer um café forte pra gente.

- Eu não quero nada. Só de pensar em comer...

- Ah, mas o café você vai tomar, pois vai lhe fazer bem.

Balancei a cabeça afirmativamente. Ela se aproximou de mim e me abraçou.

- Você vai ficar bem, tá. Tome seu banho agora. Ela disse isso e me deu um beijo na testa. Pegou suas roupas, vestiu-se e olhou-me.

- Vai tomar seu banho. Disse-me carinhosamente. – Vou fazer o café. E saiu em direção à cozinha.

Entrei no banheiro, liguei o chuveiro e fiquei embaixo dele, sentindo-me a última das criaturas. Banho completo, da cabeça aos pés. Sentia-me melhor depois dele. Escolhi uma roupa confortável, uma camiseta e uma bermuda, e vesti-me. Fui para a cozinha e ao chegar senti o delicioso cheiro de café recém feito. Ela me viu e sorriu.

- Está melhor?

- Sim, mas minha cabeça parece que vai explodir.

- Tome um analgésico que melhora.

- Vou tomar. Fui até onde guardava os medicamentos, na cozinha mesmo, peguei um copo com água e tomei. Ela ficou me observando.

- Fiz muito papelão na festa de ontem? Perguntei ficando enrubescida. Ela sorriu.

- Acho que não, achei você sozinha sentada num banco meio retirado do agito. Saímos sem levantar suspeitas.

- Eu quero lhe pedir desculpas, se eu não tivesse bebido você estaria com sua namorada e não comigo. Não queria lhe atrapalhar. Eu disse isso e ela arregalou os olhos.

- Minha namorada? Mas eu não tenho namorada.

- Milena não é a sua namorada? Perguntei esperando que o “não” fosse a resposta.

- Claro que não. Por que você acha isso? Cláudia perguntou entregando-me uma xícara de café fumegante.

- É que... É que... eu... eu vi vocês duas se beijando no banheiro ontem. Falei ficando totalmente vermelha.

- Ah, o que você viu foi Milena tentando me beijar. Você acredita que ela simplesmente me agarrou e me beijou?

- É? Perguntei sentindo uma certa felicidade me contagiar.

- Sim, ela estava meio bêbada. Dei-lhe uma bronca e pedi que nunca mais fizesse isso, por que não me interesso em namorá-la. Cláudia disse-me encarando, senti uma vontade imensa de beijá-la. – Vamos comer alguma coisa? Perguntou-me.

- Hummm... acho que agora não. Só de pensar em comer... arghhhh.... meu estômago embrulha.

- Tá bom, mas depois você vai comer alguma coisa, porque não pode ficar assim.

- Uh-hum... Comerei. Disse sorrindo. Eu estava sentindo uma felicidade imensa.

- Eu vou comer, que estou faminta. Disse e sentou-se à mesa.

Sentei-me também. Ficava olhando ela com um sorriso permanente nos lábios. Estava adorando tê-la em minha casa. Era como se ela fizesse parte do lugar. Eu sorvia lentamente meu café. Ela conversava sobre a festa de ontem, de algumas passagens engraçadas. Ela ria e eu também. Observava-a de forma apaixonada. Logo eu, que não queria me envolver com ninguém, estava novamente apaixonada por quem foi meu primeiro amor. Tinha medo. Acho que o medo sempre existiria, mas precisava aprender a contorná-lo. Não poderia deixar ele tomar conta de mim. Eu era mais forte que ele.

- Sua cabeça ainda dói? Ela perguntou-me.

- Um pouco. Diminuiu, mas ainda incomoda.

- Estava pensando de sairmos para almoçarmos. Que tal? Perguntou-me sorrindo. Seu sorriso era lindo, apaixonante.

- Adoraria. Respondi sorrindo e sentindo-me hipnotizada pelo seu olhar.

- Se importa de passarmos antes na minha casa para que eu possa tomar um banho e trocar de roupa?

- Claro que não. Bem que eu tô sentindo um cheirinho no ar. Falei gargalhando.

- Sua boba. Ela riu também.

E assim fizemos. Troquei de roupa e fomos para o seu apartamento. Ao entrar nele senti como se o passado vivido ali tivesse acontecido ontem. Lembrei-me de nosso amor. Opa, do meu amor, pois Cláudia nunca dissera que me amava.

- Fique à vontade, Roberta. Vou tomar meu banho.

- Tá, ficarei. Não se preocupe.

Resolvi colocar uma música. Fui ver seus CD’s. Escolhi uma música romântica. Sentei-me no sofá. Fechei meus olhos e senti a música invadir meu corpo. Estava de novo apaixonada por Cláudia, mas o que ela sentia por mim? Só amizade? Ou sentia algo mais, como eu? Lembrei-me do beijo na casa de Henrique. Ela que me beijara. Ela não teria me beijado se não sentisse nada por mim. Esse pensamento deixou-me confiante. Levantei-me do sofá e fui até a porta da sacada. Fiquei olhando a cidade lá fora. Pensava no passado, no presente e tentava imaginar um futuro repleto de felicidade. Cabia a nós construirmos nosso futuro. Tentar fazer sempre o melhor para que fosse sempre maravilhoso.

Senti Cláudia se aproximar de mim. Não me virei. Fiquei como estava, de costas para ela. Senti que ela se aproximou mais. Nada era dito. Só a música ecoava no ambiente. Senti a sua mão em minha cintura. Fechei meus olhos. Peguei sua mão e a puxei de encontro ao meu corpo. Seu outro braço abraçou-me completamente. Ela mergulhou seu rosto em meus cabelos. Senti um suave beijo em minha nuca. Meu corpo estremeceu todo. Meu coração batia loucamente no peito. Ouvi-a sussurrar meu nome, sua voz rouca excitava-me. Lentamente me virei. Continuamos abraçadas. Levantei meus olhos e vi seu olhar carregado de paixão. Sua mão subiu até meu rosto e com os dedos suavemente o contornou. Ela foi aproximando-se lentamente. Nossas respirações se confundiam. Meu coração pulava no peito. Ansiava por seu beijo. Nossos lábios se tocaram suavemente, mas no instante seguinte o beijo se transformou em apaixonado, faminto, voraz. Minhas mãos percorriam suas costas. Seu perfume me enlouquecia. Seu beijo me enlouquecia. Seu corpo me enlouquecia. A razão desapareceu. Interrompi o beijo, a encarei.

- Quero fazer amor com você! Sussurrei com a voz rouca de paixão.

3 comentários:

Anônimo disse...

Sempre assim, na melhor parte .. para rsss .. posta logo o outro capítulo vai . q tortura rsss .. Estou adorando viu .. bjus

Anônimo disse...

Que hora pra acabar o capítulo...Que sofrimento!

disse...

Teu conto tá muito bom, mas acabar os cap desta maneira é pra matar a gente, só pode ser.
BJS,