sexta-feira, 2 de maio de 2008

31 - Reflexões

Ao sair do apartamento de Henrique, dirigi-me ao Parque Barigüi. Precisava caminhar para refletir o que aconteceu. Eu tinha beijado Roberta! Foi tão mágico. Não resisti e a beijei. Estava feliz e mais ainda ao ver que ela correspondeu de forma ardente ao beijo. Senti-me no paraíso ao provar novamente aqueles lábios macios, sentir o calor de seu corpo junto ao meu. Quando a beijei tive medo de ser rejeitada ou levar um tapa na cara. Sei lá, pois Roberta estava tão arredia. E eu não queria pressionar nada, até porque precisava ganhar a confiança dela antes de qualquer tentativa, mas o momento surgiu e quando percebi a tinha a poucos centímetros de mim. A vontade de beijá-la foi maior que a minha razão.

Meu desejo era de amá-la por inteiro. Acho que se Henrique não tivesse aparecido e interrompido nosso beijo isso teria acontecido, pelo menos da minha parte. A atitude de Roberta em sair assustada da cozinha deixou-me preocupada. O que ela estaria pensando agora? Não queria criar uma situação embaraçosa ou que ela pensasse que eu só queria aproveitar-me dela. Longe disso! Com ela tinha a melhor das intenções. Achava que o mais sensato a fazer era ver como ela iria tratar-me a partir de agora, não tocar no assunto. Fazer de conta que nada aconteceu e deixá-la dar o primeiro passo quanto a isso.

O parque estava cheio de gente. Crianças corriam para lá e para cá. Casais enamorados caminhavam de mãos dadas. Continuei caminhando, perdida em meus pensamentos. A melhor coisa que eu fiz foi voltar à Curitiba. Além de estar na cidade que eu amava, tinha reencontrado o meu grande amor. Foi uma surpresa maravilhosa reencontrá-la. Queria viver esse amor com ela, ter uma vida em comum. Compartilhar sonhos e decepções. Tive essa oportunidade no passado, mas eu era tão ambiciosa que não soube reconhecer meu amor por Roberta. Quis crescer profissionalmente e sacrifiquei meu amor. Agora o que mais queria era reconquistá-lo. Foi uma surpresa para mim a forma ardente com que Roberta correspondera ao beijo. Agora tinha esperanças de continuar desejando que isso realmente acontecesse.

Decidi ir embora para o meu apartamento. Tomaria um banho relaxante e leria um bom livro, isso se eu conseguisse me concentrar. Sorri. Ah, Roberta, eu a amo tanto, minha princesinha. Na hora de dormir quase não preguei o olho. Imaginava-me sempre com Roberta. Era o meu sonho.

A segunda-feira chegou e seguiu seu ritmo normal. Tive vontade de convidar Roberta para almoçar comigo, mas preferi não fazê-lo. Não queria impor minha presença tão cedo. Mas eu não resistiria ficar longe dela. Talvez amanhã eu a convidasse. Será que ela aceitaria? Eu estava hiper feliz.

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Toda hora olhava para porta. Tinha a impressão de que veria Cláudia entrando por ela a qualquer momento. Ainda estava abalada com o beijo. Não esperava que eu fosse corresponder com tanta vontade. Só em imaginar beijando ela, meu corpo reagia instantaneamente. Sentia-me molhada. Viva. Quase não dormi à noite. Fiquei relembrando nosso passado, em como eu era loucamente apaixonada por ela. Como eu a amava! Não entendia porque ela me beijou. Será que ela sentia algo por mim de novo? Ou foi só para matar a saudade? Gostaria de saber.

A segunda-feira fluiu normal para mim. Expediente encerrado, fui para casa. Li um livro e depois tentei dormir. Amanhã seria um novo dia.

Terça-feira de manhã. Estava em minha mesa com um monte de coisas para resolver e vi o entregador vindo em minha direção com um imenso buquê de rosas vermelhas nos braços. De novo? Quem seria esse maluco? Ele entregou-me as rosas e eu assinei a entrega.

- Você sabe quem me manda estas rosas? Perguntei para ele.

- Não, eu não sei. A única coisa que eu sei é que esses pedidos são feitos por telefone, mas não é comigo que é feito. Eu só faço as entregas.

- Hummm... Tá bom.

O rapaz saiu e lá vinha Magali toda esbaforida, e claro, curiosa.

- Bom dia, Roberta. Dessa vez diz quem é? Magali já foi logo perguntando.

- Bom dia, Magali. Bom, se você me der tempo de ver o cartão eu saberei se diz quem é ou se ficaremos ainda curiosas.

- Ah, claro.

- Vamos ver. Disse e peguei o cartão e o abri. Li. Nada de novo, apenas aquela frase: “Para uma linda mulher, com todo amor.” Humm... não entendia, quem fazia isso logo se anunciava, mas este estava gostando de fazer suspense e me deixar curiosa. Pensei.

- E aí? Magali perguntou.

Olhei para Magali, meu semblante estava sério.

- Nada, Magali. A mesma frase. Nada de pistas. Ei... Falei como se descobrisse algo realmente importante.

- O que foi, Roberta?

- Existe um padrão.

- Um padrão? Como assim?

- Já notou que eu recebo as rosas todas terças e sextas?

- Não, não tinha notado.

- Vamos ver se sexta-feira eu recebo de novo. Se receber esse padrão fica confirmado.

- É, Roberta, mas... isso não nos diz quem é o admirador.

Torci o nariz.

- É, você tem razão. Não nos diz nada. Ai, Magali, já tô nervosa com isso.

- Nervosa? Eu estou é curiosa.

- Bom, se um maluco apaixonado gosta de gastar o seu dinheiro me mandando flores e nem se importa de dizer quem é, não sou eu que vou ficar preocupada com isso, não é?

- Com certeza, Roberta. E receber flores é maravilhoso. Ah, você vai na comemoração de fim de ano?

- O famoso “quem ama não mata”? Falei rindo.

- Não sei por que você fala assim, Roberta?

- Oras, Magali. Tem um monte de gente que quer puxar o tapete do outro ou que você só vê uma vez por ano e nessa festa se vira para você e diz com a cara mais lavada do mundo: “Tudo de bom para você. Que você realize todos os seus sonhos. Você merece.” Ah, poupe-me, mas vou sim. Você vai?

- Vou. Nossa, já é semana que vem. Nem dá para acreditar que mais um ano está se acabando.

- É, Magali. A vida passa rápido. Não acha?

- Acho.

Meu telefone tocou, atendi-o e Magali se retirou.

- Roberta?

- Sim. Sou eu.

- Oi, é a Cláudia.

Meu coração se acelerou na mesma hora.

- O... Olá, Cláudia. Disse. Droga, eu tinha que gaguejar? Pensei.

- Tô ligando para lhe convidar para almoçarmos juntas. O que acha?

- Humm... Cla... claro, Cláudia. Acho ótimo.

- Beleza. Então passo aí na hora de irmos, pode ser?

- Sim, estarei lhe esperando.

- Até mais, Roberta.

- Até, Cláudia.

Ai, meu Deus, um almoço com ela. Fiquei com o corpo tremendo. Pronto, bastou para que eu não conseguisse mais concentrar-me no trabalho.

2 comentários:

Anônimo disse...

Ai ai ai ai...
fico ansiosa demais... rsrs
torcendo pra que chegue logo amanha :D

Anônimo disse...

poxa vida..nao teve post aki hoje =(