sexta-feira, 9 de maio de 2008

38 - Nem tudo é o que parece

A segunda-feira amanheceu nublada. Havia chovido de madrugada. Meu humor estava como o tempo, totalmente cinza. Fui trabalhar no automático. Cheguei, cumprimentei meus colegas, sentei-me a minha mesa e tratei de me “afundar” no trabalho. Não vi Cláudia. Quase no final do dia Magali veio conversar comigo.

- E aí, Roberta. Foi na comemoração de final de ano? Perguntou-me Magali.

- Fui sim. Disse sem muito entusiasmo.

- Procurei você por lá e não lhe vi. O que achou dela?

- Estava boa. Era mais do mesmo, né.

- É verdade, mas eu gosto. É um momento em que todos se revêem. Nossa fiquei sabendo de tanta coisa. Disse isso e riu.

Tentei sorrir, mas meu ânimo estava um pouco apagado.

- Ah, sabia que a Cláudia viajou?

- Viajou? Perguntei com o coração gelando.

- Sim, soube pela Rebeca que ela foi para São Paulo hoje, parece-me que para resolver algumas coisas. Disse-me que ela deve voltar na quarta.

- Não... eu não sabia. Falei com meu coração sangrando de dor. Ela tinha ido para São Paulo com a mulher dela! Pensei quase entrando em desespero.

Essa informação acabou com o meu dia. Poxa, nem me avisou, mas avisar por quê? É, acho que eu não era tão importante assim para ela. Pelo visto não era mesmo. Acho que nunca fui. Queria ir embora para casa. Sumir, essa era a minha vontade. Olhei para o relógio, ainda faltavam alguns minutos.

- Roberta, vou embora que está na hora. Até amanhã. Magali disse despedindo-se de mim.

- Até amanhã, Magali.

Fiquei ali, olhando para o vazio. Lágrimas queriam sair, mas controlei. Arrumei minha mesa, peguei minha bolsa e fui para casa. Durante todo o trajeto para meu apartamento, a chuva caía fina e insistente. A minha sensação era de abandono. De total abandono. Por que ela não me ligou? Se dizia que me amava, por que não me ligou? Isso me matava de tristeza.

Cheguei em casa, joguei minha bolsa no sofá e sentei-me nele. As lágrimas, antes represadas, saíram copiosas. Encolhi-me. A vontade que eu tinha era sumir do mapa. O telefone tocou e apenas olhei para ele. Não atendi. Não queria falar com ninguém. Imaginei que fosse o Rique e nem com ele eu queria falar. Não agora. Tocou mais algumas vezes, mas eu o ignorei completamente.

Depois de um tempo levantei-me e tomei meu banho. Não estava com fome, mas mesmo assim resolvi tomar uma caneca de leite com chocolate e fui para cama. Meu coração doía. Estava dilacerado. Não queria isso de novo para mim, mas como evitar isso? Como evitar se apaixonar de novo? Não sabia a resposta. Custei para dormir. Em meus pensamentos uma linda mulher com olhos verdes teimava estar presente neles.

Acordei no dia seguinte com olheiras, tive que caprichar na maquiagem para disfarçá-las. Fui triste para o trabalho. Estava angustiada. Novamente acreditei na possibilidade de amar e mal começo a aceitar a idéia e já levo uma rasteira. Como ser feliz assim? É parece-me que não me era dado o direito de lutar por ele. Olhei para a caneta em minha mão. Meu olhar ficou preso nela, mas minha mente voltou para o passado. Com Cláudia não tive chance de lutar para que nosso amor continuasse, não foi a vontade dela na época. Com Cristina o destino me foi cruel demais. Como lutar com a morte? Impossível. E novamente com Cláudia, o sentia escapar pelas minhas mãos. Meu coração doía demais. Tudo o que eu queria era voltar a ser feliz. Era pedir demais?

Notei alguém na minha frente. Levantei meus olhos e vi o rapaz da floricultura sorrindo para mim com mais um imenso buquê de rosas vermelhas. Tentei sorrir para ele. Olhei para o buquê e voltei meu olhar para ele.

- Pode levá-lo de volta.

- Como? Mas.... O rapaz esta surpreso com minha recusa.

- Eu não os quero mais. E, por gentileza, avise esse tal admirador que pare de mandá-las, pois a partir de hoje não vou mais aceitá-las.

Ele ficou olhando-me de boca aberta. Acho que não esperava a minha recusa.

- Tem certeza? Ele perguntou-me.

- Tenho. Toda certeza do mundo. Não quero mais.

- Bom... tá... então... tchau.

- Tchau.

Ele se virou e voltou de onde veio. Por que ficar alimentando a paixão de alguém por mim? A cada vez que aceito receber o buquê alimento essa loucura. Já devia ter parado no início, mas era uma delícia recebê-los. A curiosidade de saber quem era nunca vai ser satisfeita mesmo. E que diferença isso faria para mim? Acho que nenhuma.

- Roberta, você está doente? Perguntou-me Magali, que apareceu de repente.

Olhei para ela e dei um sorriso. Acho que ela não iria gostar de saber que não descobriríamos quem era o tal admirador secreto.

- Não, Magali. Estou ótima. Por quê?

- É que... o buquê... Magali falou parecendo atordoada.

- Eu não o quis.

- Mas... você tá maluca de recusá-lo?

- Não quero mais Magali. Simples assim. E não estou maluca. Maluca eu estava em ficar recebendo eles.

- Mas... nem descobrimos quem é? Magali falou decepcionada.

- Não me interesso em saber isso.

- Como não? Não pode ficar assim.

- Magali, eu não posso ficar alimentando a paixão de alguém por mim. Isto não é correto. E pouco me importa se não sabemos quem seja. E, por favor, isso é assunto acabado, tá.

- Calma, Roberta. Tudo bem. Assunto morto e enterrado. Lá se foi a bolsa de apostas. Magali lamentou.

Olhei para Magali, se não fosse a minha boa educação a teria mandado pra... pra Bagdá! Jamais ficaria alimentando essa loucura de bolsa de apostas. Era o que me faltava, tinha coisas mais importantes para me preocupar.

A manhã passou e a tarde fluía no seu ritmo normal. Precisei dar uma saída para ir até outro departamento para resolver uma coisa. Demorei cerca de quarenta minutos. Assim que retornei, minha estagiária falou:

- Roberta, a dona Cláudia ligou para falar contigo.

- Cláudia? Me ligou? Perguntei com o coração batendo a mil.

- Sim e ela falou que vai lhe ligar à noite para a sua casa e que seu celular está sempre desligado.

- Tá, obrigada. Disse para ela. Meu celular? Desligado? Pensei e peguei minha bolsa e a abri. Peguei o celular e ele estava sem bateria. Não acreditava. Caraca, agora me lembro, ele estava com a bateria fraca no domingo e com os acontecimentos me esqueci totalmente dele. Comecei a rir. Claro! Ela tentou me ligar e o celular estava mortinho. Ei... será que foi ela que me ligou ontem à noite? Ah, vou tirar essa dúvida agora mesmo. Peguei o telefone e disquei um número. A minha família sempre falava comigo no final de semana. Estavam descartados.

- Alô.

- Henrique? Sou eu, Roberta.

- Olá, Betinha. Tudo bem?

- Tudo, e você?

- Tô bem também.

- Rique... é... você me ligou ontem? Pra minha casa.

- Não, Betinha. Não lhe liguei ontem. Por quê?

- É... eu... eu só precisava saber disso.

- Tá tudo bem?

- Sim e acho que fiz uma confusão imensa na minha cabeça.

- Vixe. Quer falar sobre isso?

- Você tá muito ocupado?

- Não, pra você estou sempre disponível. Viu que moral. Falou rindo.

Contei para ele sobre a viagem de Cláudia para São Paulo e em como reagi a essa notícia. Que meu celular tinha acabado a bateria e tinha esquecido de recarregar. E que não atendi as ligações ontem à noite. E que eu tinha quase certeza que fora ela quem me ligara. Ele disse que eu deveria estar em casa de plantão e não sair em hipótese nenhuma, porque só assim eu iria saber o que de fato estaria acontecendo e que eu parasse de ver chifre em cabeça de cavalo. Terminamos rindo. Só Rique para levantar meu astral dessa forma. Desligamos. Eu me sentia leve. Era como se eu visse uma luz no fim do túnel. Ela me ligara. Sim, foi ela! Agora estava super ansiosa para estar em casa. Agüenta coração.

4 comentários:

N@di@ Tetéia disse...

Atenda o telefone Roberta!!!
Não deixe escapar o amor da sua vida não, confie na Cláudia.
Ai aia aia ai... F5 F5 F5 F5 F5...

Sedutora disse...

Meu amor..assim vc esta me matando.postando capitulos tao curtinhos...rsss
bjus

Gi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gi disse...

Isso é pra fazer a gente infartar? O capítulo sempre para na melhor parte!

Ai ai ai....Esperando ansiosamente o proxímo capítulo.