Cláudia estava linda atrás de um imenso buquê de rosas vermelhas, igual ao que eu recebia do tal admirador. E tinha mais um embrulho em suas mãos.
- Boa noite, Roberta. Cláudia falou presenteando-me com um sorriso lindo.
- Boa noite, Cláudia. Falei encantada pelo seu sorriso.
- Para você. Disse-me estendendo o buquê.
- Obrigada. São lindas. Falei pegando o buquê. – Desculpe... Entre, por favor. Falei dando passagem para ela entrar.
Entramos e fui pegar um vaso para colocá-las.
- Não vai ler o cartão? Cláudia perguntou-me.
- Claro. Peguei-o e abri. Fiquei de boca aberta. Estava escrito: “Minha princesinha, você é uma linda mulher. Com todo o meu amor. Acompanhados com doces beijos de chocolate. Cláudia.”
Olhei para ela sem acreditar. As iniciais “MP” significavam “minha princesinha”. Pensei. Nunca tinha pensado nessa hipótese.
- Sempre foi você. Afirmei sorrindo.
- Sim, sempre. Respondeu sorrindo de forma cativante. – Ah, este também é para você. Disse-me estendendo o embrulho que estava em suas mãos.
Só de olhar já desconfiava o que seria. Peguei e o desembrulhei. Era o que eu imaginava. Nhá Benta. Minha perdição em chocolate. Olhei para ela e não resisti, atirei-me em seus braços. Nos abraçamos. Eu estava com uma vontade imensa de beijá-la. Resolvi conter-me, pois primeiro eu precisava saber o que tinha acontecido em São Paulo.
- Obrigada, Cláudia.
- Se você não fosse tão cabeça dura teria descoberto ontem mesmo. Ela falou-me sorrindo.
- Ontem? O que eu recusei? Perguntei arregalando os olhos.
- Sim.
- Poxa, como eu ia saber. Lamentei dando-lhe um sorriso. – Mas pelo menos acabou com a curiosidade insaciável da Magali. Eu acho. Não resistimos e caímos numa gargalhada gostosa.
- Já imaginou você tendo que dizer para ela quem é o “seu” admirador secreto.
- Vixe, Cláudia. Acho que Magali iria cair dura ao saber disso. Rimos mais ainda.
Eu estava com a caixa de Nhá Benta em minhas mãos. Abri-a.
- Aceita uma? Ofereci a ela.
- Hummm... Antes do jantar? Perguntou-me sorrindo.
- É mais gostoso comermos a sobremesa antes. Falei fazendo cara de sapeca.
- Assim fica irresistível. Hummm... Aceito. Cláudia disse e pegou uma. Peguei uma também.
Observei-a fazendo o furinho com os dentes. Tinha ensinado-a no passado a degustar o chocolate dessa forma. Sorri comigo mesma.
- Por que você está sorrindo? Ela perguntou olhando-me.
- É que você nunca esqueceu o jeito que eu lhe ensinei a comer Nhá Benta.
- Ah, mas com uma professora desta como eu esqueceria? Falou sorrindo e me olhou firmemente.
Perdi-me em seu olhar. Sentia-me hipnotizada por ele. Sorrimos cúmplices. Voltei a minha atenção para o chocolate. Parecíamos duas crianças devorando o doce preferido. Depois de saborearmos essa delícia de pecado, fomos ao restaurante jantar. Cláudia tinha feito as reservas. Sentamo-nos à mesa e fomos prontamente atendidas. Conversávamos sobre diversas coisas. Tinha curiosidade sobre o que aconteceu em São Paulo e o porquê dela ter ido para lá, mas não queria perguntar. Queria que ela falasse por vontade dela. Nosso pedido chegou e fomos servidas. Cláudia demonstrava estar feliz. Falava quase sem parar e ria muito. Estava divertindo-me muito na companhia dela.
Tão jovem apaixonei-me por ela, mas não foi possível ficarmos juntas. Não era para ser naquela época. Depois conheci Cristina, que foi uma companheira formidável em minha vida, um período maravilhoso que vivemos juntas. Era alguém que eu amei e que sempre lembrarei com todo amor e carinho. Se não fosse o destino ser cruel, estaríamos juntas até hoje. Mas esse mesmo destino, que é cruel às vezes, colocou-me novamente Cláudia em minha vida, dando-me a oportunidade de tentarmos construir algo, quem sabe uma vida em conjunto, compartilhando nossos sonhos, nossas alegrias, nossas tristezas também. Estarmos sempre lado a lado. Juntas, para o que der e vier. Era isso o que eu queria viver com Cláudia. E era o que eu esperava que ela quisesse também. Ela era a mulher que eu amava.
- Ainda bem que consegui fazer com que Antonia entendesse que não tínhamos mais nada. Cláudia falou sorrindo para mim.
- Que bom que tudo se resolveu. Mas por que você precisou ir para São Paulo? A curiosidade por essa resposta me deixava agoniada.
- Bom, eu tinha que retornar para lá mesmo, tinha um assunto do banco que demandava a minha presença e eu iria provavelmente nesta semana ou no máximo semana que vem. Daí resolvi unir o útil ao não tão agradável, ou seja, a companhia de Antonia. Eu queria ter a certeza de que ela fosse embora daqui e que não ficasse azucrinando a minha vida, por isso fui com ela. Foi melhor, resolvi o assunto do banco e resolvi de vez minha situação com ela. Tivemos uma longa conversa e desta vez ela entendeu que não temos mais nada.
Ela terminou de falar e eu estava encarando-a com um sorriso imenso.
- Então agora você está disponível? Perguntei brincando.
- Epa! Eu sempre estive disponível. Cláudia falou rindo.
- Folgo em saber, dona Cláudia. Disse e encarei-a com um olhar apaixonado. Ficamos presas uma no olhar da outra. Cláudia deu-me um sorriso lindo.
Continuamos conversando sobre várias coisas, mas nossos olhares não se desgrudavam e promessas de amor silenciosas passeavam neles. Meu coração estava plenamente feliz. Sentia-me como há muito não me sentia. Leve e feliz.
Acertamos a conta, Cláudia queria pagar toda ela e não deixei. Eita mulher cabeça dura, achava que tinha que pagar tudo. Saímos do restaurante igual a duas crianças felizes, rindo à toa.
Chegamos ao meu prédio e Cláudia deu a entender que já iria embora. Ah, mas de jeito nenhum!
- Vamos subir, Cláudia. Convidei-a.
- Não, Roberta. Fica para a próxima.
- Ah, não! Você vai subir sim, nem que seja só para tomar uma bebidinha. Você disse na última vez que na próxima subiria. Tá me devendo uma visita.
- Tá bom. Eu aceito a bebida. Cláudia disse sorrindo.
- Oba! Então vamos.
Saímos do carro e subimos ao meu apartamento. Abri a porta e pedi que Cláudia entrasse primeiro. Ela entrou, entrei também e fechei a porta. No instante seguinte virei-me e a prensei na parede.
- Roberta? Cláudia falou surpresa.
- É sim. Falei encarando-a com meus olhos famintos de amor.
- Sim? O quê?
- SIM. É a minha resposta. Falei aproximando-se de seu pescoço, cheirando-o e beijando-o em seguida. Ouvi Cláudia soltar um gemido.
- Resposta? Cláudia perguntou ofegante.
Parei de beijar seu pescoço e encarei-a. Dei um imenso sorriso.
- Você não perguntou se eu queria namorar com você? Vai fugir da raia agora? Perguntei, minhas mãos passeavam pelo seu corpo delicioso, provocando-a.
- Fugir da raia? Nunca! Quem eu mais quero nessa vida é você. Cláudia disse e abraçou-me. Tomou minha boca num beijo ardente, cheio de paixão. Nossas línguas se enroscavam, assim como nossos corpos queriam ser um só.
Desvencilhamo-nos das nossas roupas. Ansiávamos pelo contato de nossas peles. Nossas respirações se misturavam. Nossos gemidos ecoavam pela sala. Deitamos no sofá. Cláudia deitou por cima de mim. Cobriu com sua boca cada pedacinho do meu corpo, provocando-me ao extremo. Beijava-me, lambia-me, às vezes, mordiscava-me. Eu estava encharcada, meu sexo estava intumescido e pulsava forte. Nossos olhos se encontravam e estavam inflamados de desejo, de amor. Então ela penetrou-me com seus dedos, movimentando-os deliciosamente em mim. Nossos corpos entrelaçados e suados queriam se fundir num só. Nossas respirações misturadas. Nossos olhares presos um no outro, se desgrudavam somente para nos beijarmos. Gemidos. A sala foi tomada por uma sucessão de gemidos. Meus e dela. Eles se confundiam. O movimento de sua mão tornou-se mais intenso, meu corpo começou a contorcer-se cada vez mais e mais eu rebolava, até sentir-me explodir num gozo pleno, completo e intenso. Senti-me ser transportada para outra dimensão. Fui recobrando minhas forças. Saí do sofá e a puxei para o quarto. Empurrei Cláudia na cama e deitei sobre ela. Eu queria amá-la por inteiro, sentir cada milímetro de sua pele cheirosa e macia. Sentir seu gosto novamente, pois precisava alimentar meu vício. Tomei posse de seu corpo, provoquei-a com minha boca, com minha língua, com minhas mãos, até o momento em que a senti tremer toda, oferecendo-me seu gozo para bebê-lo. Amamo-nos noite adentro, até que saciadas adormecêssemos.
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Acordei satisfeita e feliz. Muito feliz. Estava namorando Roberta de novo. Com o episódio do aparecimento repentino de Antonia achei que Roberta nunca mais quisesse falar comigo. Resolvi de última hora ir para São Paulo, precisava despachar Antonia logo. Entrei em parafuso quando ligava para Roberta e seu celular estava desligado, cheguei a imaginar que ela tivesse feito de propósito. E quando liguei para sua casa e não atendeu, nesse momento tive certeza de que ela não me queira mais em sua vida. Eu não podia entregar os pontos assim, eu precisava ouvir da sua boca que ela não queria mais nada comigo. Liguei para o trabalho e disseram-me que ela não estava. Fiquei extremamente triste e pedi que dissessem a ela que eu ligaria à noite para sua casa. Tive medo de que ela não atendesse. O desespero tomava conta de mim. Ter Roberta tão perto de mim para logo em seguida perdê-la dessa maneira tão boba sangrava meu coração. Doía demais. Resolvi por fim ao mistério das rosas. Assumi a autoria do envio dos buquês, cuja idéia tive depois da minha primeira conversa com Henrique, quando soube que ela não queria mais amar ninguém. Queria com essa atitude semear a vontade dela em se interessar por alguém de novo. Amolecer seu coração para um novo amor. Gostava de ver a reação dela ao recebê-las. Fazia questão de perguntar como estava se sentindo ao ser cobiçada por alguém. Quando liguei para sua casa e ela atendeu, senti renascer a minha esperança. Convidei-a para jantar e ela aceitou, fiquei extremamente feliz. No jantar sentia uma energia nova cada vez que nossos olhares se prendiam um no outro. Eu sentia amor, pois era o mesmo olhar que ela dava-me quando namoramos da primeira vez. Ao chegar em seu apartamento, não quis subir para não pressioná-la a nada, pois ela tinha pedido-me um tempo para pensar e eu estava respeitando este tempo. Não queria forçá-la a nada, mas conseguiu convencer-me a subir. Quando ela colocou-me contra a parede e disse “sim”, meu coração parecia ter parado de bater, tamanha emoção que eu estava sentindo. Não queria acreditar que era a resposta ao meu pedido. Delirei quando ela confirmou que era. Era tudo o que eu queria nessa vida. Tê-la de novo ao meu lado. Eu amava essa pequena.
Fiquei observando-a dormir. Meu Deus, ela era insaciável. Era uma delícia de mulher. Eu a amava. Muito. Não queria só passar uma estação com ela. Queria passar a vida toda. Ela completava-me. Senti meu estômago roncar. Fome. Eu estava com muita fome. Ri. Levantei-me e fui nua mesmo para a cozinha e preparei um belo desjejum. Até que não foi difícil encontrar tudo o que eu precisava. Preparei a mesa e voltei ao quarto para acordar minha princesinha. Ela ainda dormia. A minha menina linda de belos olhos azuis estava de volta em minha vida. Aproximei-me dela, ela estava de bruços. Fui beijando suas costas expostas, sua pele macia e cheirosa.
- Acorde, minha princesa.
- Hummm...
- Acorde, vamos tomar café. Vamos.
Roberta se virou e abraçou-me.
- Bom dia, meu amor. Fitou meus olhos e falou. – Eu te amo! Deu um lindo sorriso.
Meu coração se aqueceu ao ouvir a sua declaração.
- Eu também te amo, Roberta. Te amo tanto.
Beijamos-nos e senti meu corpo se acender.
- Calma, minha princesa. Dei uma gargalhada. – Vamos comer primeiro que eu estou com uma fome de leão.
Roberta insinuou-se embaixo de mim.
- Roberta! Disse e levantei-me rapidamente. – Vamos comer, vamos. Chamei e estendi-lhe a mão.
- Ai, Cláudia. Tanta coisa mais interessante para fazer.
- Ah, dona Roberta. Temos que reabastecer nossas energias, certo?
- Ok, ok. Vamos comer, mas com uma condição.
- Hummm... Qual condição?
- Depois tomarmos um banho juntas e... Roberta fez suspense e riu.
- E o quê?
- E voltarmos para essa cama.
- Uauuu... Você quer acabar comigo, hein. Falei rindo.
E assim fizemos. Passamos o dia na cama nos amando, matando as saudades que tínhamos uma da outra, sem pressa, saboreando cada segundo que estávamos uma ao lado da outra.
As festas de final de ano chegaram e passamos juntas tanto o natal quanto o ano novo. Os primeiros de muitos que estavam por vir.
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Anos depois...
Só conseguimos ficar duas semanas morando separadas. Resolvemos morar juntas o quanto antes. Decidimos morar no apartamento de Cláudia e o meu deixamos para alugar. Já estávamos juntas há seis anos vivendo nossa vida de casadas. Eu estava super feliz. Não sei quanto tempo nos seria dado para ficarmos juntas, mas não me preocupava com isso. O que aprendi era que só importava o presente. O momento que “aqui e agora” vivemos. E este momento deveria ser vivido com toda a intensidade que ele merecia. Só assim poderíamos ser plenamente felizes. Só assim poderíamos fazer o outro e a nós mesmo felizes. Eu e Cláudia nos amávamos. Só isso importava. Só o amor importava.
FIM.
domingo, 11 de maio de 2008
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5 comentários:
o quêeeeeeeeeeeeee FIMMMMMM???!?!?!?
ai eu não acreditoooooooo
putzzzz Gatafield eu tava brincando, eu não aceito esse fim poxa TIROU O DOCE da nossa boca, buááááááááááá´
mas antes de mais nada Gatafield, PARABÉNS que conto lindooooooooooooooooo lindoooooooo lindoooooooo
ai ai vai deixar saudades pra caramba
hummmm acho que vou reler seu conto
um jeito de matar as saudades das suas e de seus contos...
beijos Gatafield...
Parabéns Gatafield ... um lindo conto .. adorei .... bjus .. e espero q não pare por aqui ;)
Fim? Já? Buáááá...
rsrsrs
lindo lindo lindo demais..
ameiiiiiiiiii...quando começa o prox? rsrsrs
adoro seus contos moça...
ai ai...vou sentir falta... dos F5 nesse site...rsrs..
anh..e quando estou na aula ou na rua...vai no cel mesmo..10:00 da manha..ja começava a acessar pra ver se tinha algo...rsrs até q é útil o danadinho do Oi Wap Fast...hihi ja ta la..gravadinho o endereço do marcasdopassado. :D
Parabéns linda..
ameiiiii e amo todos os seus contos.
vou sentir muita falta da Claudia e da Roberta..
beijos
Parabéns,
Muito legal, o conto todo esteve ótimo.
Sentirei falta de tuas postagens diarias.
Beijos,
Rê
Linda PARABENSSSSSSSSSS!!!!!. Ja estou com saudades...please comece outro, assim nao preciso sentir saudades...
Tbem sou mae de 3 lindas gatinhas..rsss
Bjus
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