Eram duas da manhã. Estava sem sono. Observei Cristina dormindo. Nossa, como eu amava esta mulher. Achava que depois da minha história com a Cláudia eu não fosse me apaixonar por mais ninguém. Cheguei a namorar algumas meninas, mas nenhuma conseguiu me “abalar as entranhas”. Ri sozinha desse pensamento. Cláudia foi, antes de Cristina aparecer, a mulher que eu amei. Às vezes me flagrava pensando nela. Tinha curiosidade de saber como ela estava. Será que estava feliz? Bom, com certeza devia estar com alguém, mas isso não era mais assunto que eu devesse ficar pensando. Voltei a olhar Cristina. Ela apareceu em minha vida há cinco anos. Eu estava fazendo uma pós-graduação em Gestão Financeira. Estávamos na mesma turma. Lembro-me que de início eu não gostei muito dela. Só sei que ela conseguiu me pegar de jeito. Cristina era um ano mais velha que eu e mais alta também, fazer o quê... eu era baixinha mesmo, não podia mudar isso. A vi pela primeira vez na aula de apresentação do curso e ela chegou atrasada, pedindo licença. Parou na frente e olhou a sala toda e resolveu vir na minha direção. Não tinha ninguém do meu lado e foi justamente aí que ela se sentou. Olhou-me e deu um sorriso maravilhoso. Ela era muito bonita, olhos castanhos e cabelos castanhos e compridos. Eu estava meio emburrada e dei um meio sorriso para ela. Naquela época eu andava emburrada com tudo, nada me animava. Fazia um ano que tinha terminado a minha faculdade, continuava no banco só que em outro departamento, no financeiro. Por isso a necessidade de fazer a pós-graduação. Assim que deu o intervalo ela se virou e veio falar comigo.
- Olá. Eu sou a Cristina, e você?
- Oi. Eu me chamo Roberta. Falei sem muito ânimo.
- Prazer em conhecê-la, Roberta. É um lindo nome. Falou sorrindo para mim.
- Prazer em conhecê-la também, Cristina. Disse e retribuí o sorriso. Não tinha motivos para ser antipática com a garota.
- Posso saber por que resolver fazer esta pós? Cristina perguntou com um olhar doce e fixo em mim.
- Pode sim. É que eu mudei de área no meu trabalho e preciso me especializar na área financeira.
- Hummm... Legal! E você trabalha em quê?
- Trabalho num banco. Disse isso e falei o nome do banco para ela.
- Ah, que legal. Eu também trabalho num banco, mas trabalho junto ao público mesmo, na agência para ser mais exata. Disse e me falou qual era o banco.
E assim começamos nossa amizade. Ela sempre ficava comigo. E como eu não conhecia mais ninguém no curso, ficava com ela. A cada dia nossa amizade consolidava-se mais. Sentia da parte dela alguns olhares carregados de interesse, mas eu ficava na minha. Não queria começar nenhum relacionamento. Os poucos que tive depois de Cláudia, foram rápidos. Mas com o tempo passando, começamos a sair juntas e diria que foi natural querer estarmos sempre pertinho uma da outra, até que um dia, surgiu uma oportunidade e demos nosso primeiro beijo. Foi maravilhoso e começamos a namorar. A cada dia eu me apaixonava mais por ela até que resolvemos morar juntas e estamos uma ao lado da outra até hoje. Não saberia mais viver sem minha companheira. Nos damos super bem e temos uma sintonia incrível. Somos felizes. O cansaço me venceu e caí no sono.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
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