terça-feira, 22 de abril de 2008

20 - O destino gosta de brincar

Domingo à noite. Desde a morte de Cristina que eu não me interessava por ninguém. Eu tinha medo. Medo de entregar-me, de pular de cabeça dentro de uma nova relação e novamente sofrer. Nas duas vezes que amei, nas duas vezes sofri. Não queria mais isso para mim. Meu medo era maior que a alegria de viver um novo amor. Preferia ficar sozinha, mas não era nada fácil porque às vezes batia uma vontade imensa de estar com alguém, de fazer amor, de trocar carícias. Mas meu medo falava mais alto que essa vontade. Não sei se algum dia me apaixonaria de novo por outra mulher, não sei como agiria se isso me acontecesse. Viveria o amor ou fugiria dele? Não tinha a resposta. Até agora o que fiz da minha vida foi me esconder. Raramente saía de casa e isso quando Rique conseguia me tirar daqui. Ontem à noite foi divertido, fomos a um barzinho bem legal e ainda bem que desta vez o Rique não me “arrumou” ninguém. Nas vezes anteriores ele sempre me apresentava alguma mulher e eu tinha vontade de arrancar as orelhas dele quando ele fazia isso. Até olhei para algumas mulheres, mas nenhuma me interessou. Às vezes tinha a impressão de que meu coração morreu junto com Cristina. Sabia que era péssimo pensar assim, mas era o que eu achava. Pelo menos parecia ser isto. Se Rique não estivesse em minha vida, teria me sucumbido ao desespero. Teria enlouquecido. Ele era o meu grande irmão. Estava sempre ali para me ajudar, me proteger.

Estava com sede, levantei-me do sofá onde estava deitada. A TV estava ligada, mas não prestava atenção no que se passava nela. Eu estava perdida em meus pensamentos. Fui para a cozinha tomar água. De repente lembrei-me dela, de Cláudia. Às vezes pensava nela. Como será que ela estava? Onde estava? Sempre tive essa curiosidade de saber dela. Não devia ter, mas tinha. Na realidade ela nunca me saiu da minha cabeça, essa era a verdade. E se eu a visse agora, como eu reagiria? Como ela reagiria se me visse? Será que ela ainda se lembrava de mim? Acho que não, ela não me amava. Devia ter me esquecido completamente. Por incrível que pareça esse pensamento sangrava meu coração. Então melhor nem pensar. Vou dormir que amanhã começa mais uma semana de trabalho e iria conhecer a nova chefa. Esperava que fosse gente boa. E se fosse chata? Melhor nem pensar nisso.

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- Roberta, você não vai acreditar no que eu descobri. Magali se aproximou de Roberta toda afobada.

- Oi, Magali. O que foi desta vez? Perguntei já imaginando qual seria a nova fofoca. Lembram-se dela? Pois é, Magali continuava no banco também, mas sempre no mesmo departamento que não era mais o meu, mas era no mesmo andar e ela sempre fazia o “favor” de deixar-me a par das “novidades” que circulavam pelo banco. Às vezes perguntava-me quando era que ela realmente trabalhava.

- Sabe quem é a “Grande Chefe”? Ela perguntou-me.

O termo “Grande Chefe” era como chamávamos o chefe geral da regional.

- Não, não tenho a menor idéia de quem seja ela, Magali. Respondi sem curiosidade de saber.

- Que bom que você está sentada, Roberta.

- Por quê? Perguntei. Agora fiquei curiosa. Quem seria essa mulher, já que eu deveria estar sentada ao saber dela? Pensei.

- É a C-L-Á-U-D-I-A. Magali falou tão devagar como se soletrasse cada letra.

- Quê!? Perguntei não acreditando no nome que tinha ouvido. Será que era ela mesma? Cláudia estaria retornando à Curitiba? Mas a mulher que estava vindo não era de São Paulo? Ai, mas como sou idiota, ela poderia ter rodado pelo Brasil todo. Meu coração parecia querer sair pela boca, tamanha surpresa.

- Roberta, você está bem? Magali perguntou preocupada.

- Eu... Eu... estou sim, Magali.

- Você está branca, menina!

- Eu estou bem, Magali. É... Foi... só surpresa de saber que é a Cláudia. Mas tem certeza que é a Cláudia mesmo? Não poderia ser outra pessoa com o mesmo nome?

- É ela mesma, Roberta. Certeza absoluta. E deve estar chegando amanhã, inclusive vocês, chefes de departamento, vão ter uma reunião com ela à tarde.

- Não estou sabendo disso. Como...?

- Esqueceu que eu sei de tudo que acontece neste banco. Magali falou, sentindo-se importante.

- Não me esqueci. Falei tentando sorrir. Acho que meu sorriso saiu amarelo gema de tão forçado que foi. Eu estava nervosa com o que tinha acabado de saber.

- É que eu estava falando com a secretária da “Grande Chefe” e foi ela quem me falou. Vocês serão avisados ainda hoje.

- Poxa, a Cláudia. Quem diria, né?

- Lembro-me que vocês duas eram muito amigas. Isso pode contar pontos a seu favor.

- Pontos a meu favor? Como assim?

- Oras, vocês podem voltar a ser amigas como antes. Magali falou como se tivesse encontrado a solução para todos os meus problemas.

Quase gargalhei. Nós duas “amigas” como antes. Ah, Magali, se você soubesse. Isso era impossível de acontecer. Pensei.

- Não penso assim, Magali. Aquela amizade é passado e o que importa é o agora.

- Nossa, tem hora que você é muito razão pro meu gosto. Credo, Roberta. Pois eu estaria felicíssima.

- Magali, o passado é imutável. Agora eu preciso voltar a trabalhar.

- Ok, já tô indo. Até mais.

- Até, Magali.

Assim que Magali saiu, não consegui concentrar-me em mais nada. A lembrança do que vivi no passado com Cláudia não saía da minha cabeça. A sensação era de que tivesse acontecido ontem. Isso me assustou. Meu coração batia acelerado no peito só ao imaginar vê-la de novo. Teria que agir como se nada tivesse acontecido, até porque não esperava absolutamente nada da parte dela. Talvez nem se lembrasse mais de mim. Era isso, ficaria quieta em meu canto. A trataria como alguém que eu tinha acabado de conhecer. Seria melhor assim. Seria melhor para mim.

Um comentário:

Anônimo disse...

Uhuhu...
Sempre tive um pouco de esperança para a Claudia voltar... :D
elas se amam...
espero q tudo dê certo agora..
tadinha da Roberta..
Muito bom Gatafield..
beijos