sábado, 19 de abril de 2008

17 - Por que coisas horríveis acontecem?

- Eu não quero que você vá. Eu falava triste, abraçada a ela.

- Eu preciso, meu amor. Serão só quatro dias, passa rápido. Cristina me dizia olhando docemente em meus olhos.

- Passa nada. Disse tristinha por ficar sem ela por esses dias.

- Passa sim e deixe de ser chorona, Roberta. Na sexta-feira à noitinha estarei de volta e teremos o fim de semana inteirinho só para nós duas. E, além disso, nos falaremos ao telefone todos os dias, então deixe de drama, meu anjo.

Olhei para ela com minha carinha triste e disse: - Tá bom. Uma boa viagem pra você. Estarei aqui lhe esperando ansiosamente.

- Obrigada. Deixe-me ir que já estou atrasada. Deu-me um beijo apaixonado e foi embora para Paranaguá.

Fiquei ali triste, não queria que ela tivesse que ir trabalhar estes dias fora. Às vezes acontecia isso. Ela era solicitada para trabalhar nas agências da regional. Mas eu não gostava disso e pronto. Preferia ela aqui, sempre do meu ladinho.

Arrumei-me e fui para o meu trabalho. O dia custou a passar. Engraçado isso. Quando ela ficava fora o dia parecia ter trinta e seis horas. Sobrava tempo demais. Eu não gostava disso.

Enfim a sexta-feira chegou. Estava ansiosa, o dia custava a passar. Liguei várias vezes para ela na agência, ao ponto de receber uma bronca dela porque eu estava ligando demais. Mas era saudades, fazer o quê?

Terminou o expediente e fui para casa. Resolvi novamente fazer um jantar romântico para nós duas. Estava toda feliz preparando o tal jantar. O jantar enfim ficou pronto, logo ela estaria chegando.

Uma hora de atraso. Estava preocupadíssima. Liguei para seu celular e dava somente fora de área ou desligado. Devia estar na estrada ainda. Mais uma hora se passou, já estava desesperada e seu celular continuava dando fora da área de serviço. Meu Deus, o que estava acontecendo? Fiquei insistentemente ligando até que chamou. Alguém atendeu o celular dela. Era voz de homem. Senti meu corpo gelar.

- Alô. Disse a voz.

- Que.. quero falar com Cristina. Falei com a voz tremendo.

- Quem é?

- É... é... uma amiga dela.

- Moça, aqui quem está falando é o Capitão Tavares do corpo de bombeiros.

- Quê....

- Olha, desculpe-me por ter que dar-lhe esta notícia, mas infelizmente sua amiga teve um acidente de carro...

- Quê... Eu não conseguia falar, sentia uma mão pesada apertando minha garganta e lágrimas copiosas corriam pelo meu rosto.

- Ela foi encaminhada para um hospital em Curitiba. Ela falou e me passou o nome do hospital.

- Como ela está? Perguntei desesperada.

- No hospital poderão lhe dar maiores detalhes. Vá para lá.

- Ok. Tô indo.

Peguei minha bolsa e saí com o carro em disparada para o hospital. Chegando lá, fui direto à recepção e perguntei por ela. Disseram-me que os médicos a estavam operando. Eu estava em completo desespero. Liguei para Henrique, que veio rápido. Quando ele chegou abraçou-me e eu caí em prantos. Rafael veio junto também. Ficamos horas ali esperando alguma notícia. Já era alta madrugada e nada. Até que apareceu um homem vestido de branco, que devia ser o médico. Veio falar com a gente.

- Vocês são parentes da Cristina?

- Somos amigos. Henrique falou. - Já avisamos a família dela. Eles não são daqui da cidade.

- Ótimo que os tenha avisado. O estado de saúde dela é delicadíssimo. Acabamos de operá-la. Ela teve perfuração no abdômen e uma pancada muito forte na cabeça. Está em coma e na UTI. Como eu disse, seu estado é grave.

- E o que podemos fazer? Henrique perguntou.

- Apenas rezar por ela. O que nós podíamos fazer já estamos fazendo.

- O que de fato aconteceu? Como foi o acidente? Henrique perguntou, já que eu estava completamente muda, paralisada. Eu estava petrificada com as informações que nos foram dadas.

- Não sei detalhes, mas parece-me que um carro entrou na estrada direto e que ela tentou desviar e perdeu o controle do carro, capotando-o várias vezes. O pessoal do Corpo de Bombeiros poderá dar-lhes maiores detalhes do ocorrido.

- Obrigado, doutor. Henrique disse.

- Ok. Vocês poderão vê-la nos horários de visita, se informem na recepção. Uma boa noite para vocês. Disse isso e voltou por onde veio antes.

Eu estive o tempo todo abraçada ao Henrique. Eu estava chorando copiosamente. Nada fazia com que eu parasse. Cristina, meu amor... não me deixe, por favor. Eu pensava desesperada.

- Rafael, vou levar Betinha para a casa dela e vou ficar por lá até voltar amanhã para visitar Cristina. Ok?

- Ok. Rique. Ligue que eu também venho para cá.

- Combinado. Tchau.

Um comentário:

Anônimo disse...

O.o por essa eu n esperava. Agora n sei se acho legal a Cláudia aparecer.
Por um lado eu to louca p saber a hist da Cláudia, oq aconteceu? pq n ligou? e tal.
mas por outro fico com pena da Cristina, já q Roberta ainda ama Cláudia( é o qeu acho)