sexta-feira, 25 de abril de 2008

24 - Reconhecendo o terreno

Eram dois ou três departamentos por andar. Resolvi ir pelas escadas mesmo. Ao passar pelo corredor que dava acesso aos elevadores, passei em frente aos banheiros e não pude deixar de sorrir ao lembrar que Roberta e eu sempre dávamos um jeitinho de namorarmos neles. Cheguei até a porta de acesso aos departamentos. Era toda de vidro e bem larga. Fiquei ali alguns segundos olhando, através da porta, para o meu antigo lugar de trabalho. De repente deu-me uma saudade imensa. Trabalhei anos ali. Suspirei.

- Bom dia, Grande Chefe.

Virei-me assustada para ver quem era. Magali. Não pude deixar de rir. Grande Chefe era o termo que usávamos naquela época para nomear o chefe geral da Regional.

- Magali! Que ótima surpresa lhe ver por aqui.

Demos um enorme abraço. Estava feliz por reencontrá-la. Não chegamos a ser amigas na época, mas éramos ótimas colegas de trabalho.

- Como você está? Perguntei para Magali.

- Estou bem. Pensei que não iria visitar os pobres mortais colegas de trabalho.

- É o que eu estou fazendo agora. E deixa de bobagem, que história é essa de pobres mortais? Eu estava aqui parada, olhando para o meu antigo departamento. Sabe que bateu uma certa saudade.

- É mesmo? Ah, mas você deve ter trabalhado em vários lugares e ficou com saudades justamente daqui?

- É porque foi aqui que tudo começou. É como se fosse um lugar mágico, sabe.

- Sei. Magali falou rindo.

Olhei para ela e ri também. Magali era muito divertida.

- E como estão as coisas por aqui?

- Bom, tirando o fato da minha chefa que gosta de pegar no meu pé porque diz que eu falo demais, posso dizer que tudo está ótimo.

Quando ela disse isso não pude deixar de rir muito. Pelo visto Magali continuava a mesma tagarela e curiosa de sempre. Tá aí, se você quiser saber o que acontece no prédio todo, pergunte à Magali. Ela saberá com certeza!

Conversamos mais algumas coisas até ela tocar no nome da Roberta e não deixei escapar a oportunidade de saber alguma coisa a mais dela.

- Me diga uma coisa, a Roberta se casou?

- Olha, que eu saiba não. Eu acho que ela está solteira, mas ela não é de falar da vida pessoal dela e por mais que eu tente saber ela não me diz nada. Não fala dos namorados, na realidade não fala de ninguém. Sempre vem um rapaz aqui e toma um cafezinho com ela ou saem para almoçar juntos, é um tal de Henrique, mas acho que não é namorado não, porque eles se cumprimentam com beijinhos no rosto.

- Henrique! Lembro-me dele. Ele era amigo dela na época da faculdade. Deve ser este. Falei e pensei: Humm... parece-me então que está sozinha. Bom, muito bom saber disto. Um belo sorriso teimava em despontar em meus lábios.

- É, deve. Mas há uns dois anos teve um lance estranho com ela...

- Lance estranho? Como assim? Perguntei extremamente curiosa. Será que tinha acontecido algo grave com Roberta? Pensei.

- Bom, de repente ela antecipou as férias dela na época e ficou muito abatida. A impressão que dava é que vivia chorando pelos cantos.

- É mesmo? Perguntei ainda mais curiosa. O que será que tinha acontecido com Roberta? Pensei.

- Sim e inclusive chegou a ficar com depressão. Foi o que eu fiquei sabendo. E esse amigo dela, o Henrique, vinha praticamente todos os dias ver como ela estava. Não sei o que aconteceu. Cheguei até a perguntar para ela, mas não quis me dizer, apenas falou que eram coisas dela e que só estava passando por uma fase difícil. Ela ficou assim, abatida, por alguns meses, até que voltou a ficar normal, mas eu percebi que ela ficou mais reservada. Realmente eu não sei o que aconteceu.

- Deve ter sido algo bem grave para ela ter ficado assim.

- É, deve, mas ela nunca quis dizer o que era. Até imagino que deve ter sido doença ou até mesmo morte na família, ou então algum fora de um namorado, sei lá.

- É, pode ter sido algo assim mesmo, já que, pelo que você me diz, ela chegou até a entrar em depressão. Magali, o papo tá bom, mas tenho que visitar os departamentos. Vou fazer uma visitinha para sua chefa. Disse e fui saindo.

- Cuidado com a Milena, hein. Magali falou.

- Por quê? Voltei e perguntei curiosa.

- Humm... não sei se devo falar.

- Você, Magali, achando que não deve falar alguma coisa. Deve estar doente. Falei rindo. – Ajoelhou agora tem que rezar. Falei brincando.

- Tá bom. Olha, ouvi um papo aí de que ela gosta de mulher, tá.

- Sério? Perguntei quase rindo. Já tinha sacado qual era a de Milena no dia da reunião.

- Sério, Cláudia. Se cuida, hein.

- Podexá... já sou grandinha. Falei rindo.

Milena era uma mulher muito atraente. Se meu coraçãozinho não tivesse uma moradora permanente até poderia tentar algo com ela, mas isso estava totalmente fora de cogitação, ainda mais com Roberta aqui, pertinho de mim. Nem pensar!

Saí e fui em direção à mesa de Milena, ela estava ao telefone e quando me viu abriu aquele sorriso maravilhoso que ela tinha. Logo ela encerrou a ligação e me cumprimentou.

- Bom dia, Cláudia. Que prazer a sua visita.

- Bom dia, Milena. Estou circulando para ver os departamentos.

- Bom, então deixe eu lhe mostrar o meu. Disse isso e agarrou meu braço e passou a me mostrar o lugar, mas esse eu já conhecia bem, pois era o que eu tinha trabalhado antes.

Eu sabia que no mesmo andar era o departamento de Roberta. Eram separados por divisórias e, volta e meia, eu olhava para a porta dele para ver se a via. Milena ainda estava agarrada ao meu braço, ou melhor, pendurada. Ela estava me dizendo algumas coisas quando senti aquela sensação estranha de alguém me olhando. Virei meu pescoço e vi Roberta passando, vindo do elevador e me olhando, aliás, vendo Milena quase me agarrando. Não sei por que, mas não gostei dela ter me visto assim. A sensação era como se eu estivesse fazendo algo errado, e ainda por cima o olhar que eu senti dela foi de reprovação. Mas, caraca, eu não estava fazendo nada de errado, só a outra que estava literalmente pendurada em meu braço. Mas não gostei.

Mais um tempinho passou, Milena apresentou-me várias pessoas, algumas conhecidas e depois fui ao departamento seguinte, o de Roberta.

Ela estava na sua mesa analisando alguns papéis. Fiquei observando-a por alguns segundos, admirando sua beleza, até que ela levantou seus olhos e me viu. Senti meu corpo tremer todo. Fui em sua direção, minhas pernas pareciam não querer me obedecer.

- Bom dia, Roberta. Falei presenteando-a com meu melhor sorriso.

- Bom dia, Cláudia. Falou séria, sem me sorrir.

Fiquei triste por não ganhar seu belo sorriso. Amava ver suas covinhas.

- Eu... Estou fazendo um “tour” pelos departamentos e gostaria que você me apresentasse o seu. Pode ser?

- Claro, Cláudia. Só me dê um minuto para eu terminar de resolver uma coisa e já te dou toda atenção.

- Ok. Eu lhe espero. Disse. Espero-lhe a vida inteira, minha princesinha. Mas como escalar essa muralha que você construiu, hein? Pensei um pouco triste.

Roberta conversou com algumas pessoas, deu algumas ordens e depois se voltou para mim.

- Vamos? Ela me disse encarando-me. Queria me perder no céu do seu olhar.

- Sim, vamos.

E assim, passou a apresentar-me o departamento financeiro, foi prática e objetiva e em momento algum me sorriu. Eu sentia-me triste por dentro. Não queria que ela me jogasse confetes, não era nada disso, mas desejava que ela estivesse sendo um pouco mais simpática comigo. Até um estranho ela trataria com mais simpatia. Estava sentindo-me péssima. Percebi que não seria nada fácil aproximar-me dela. Magali tinha razão, Roberta estava muito reservada e em nada parecia aquela menina alegre de riso fácil que um dia tive o prazer de conhecer.

Apresentou-me tudo, novos rostos e novamente alguns conhecidos. Estávamos perto da porta que dividia os departamentos. Olhei para o relógio e já era quase meio-dia. Eu já estava com fome. Tive uma idéia. Por que não tentar, não é?

- Roberta, gostaria de almoçar comigo hoje? Perguntei encarando-a e dando meu melhor sorriso e torcendo para que ela aceitasse o meu convite.

- Alm... Almoçar? Hoje? Perguntou-me parecendo assustada. Acho que ela não esperava por esse convite.

- Sim, aceita?

- Eu.. ah... não posso, hoje já... tenho compromisso. Disse-me dando um leve sorriso.

- E amanhã? Pode ser? Continuava sorrindo para ela. Se tinha uma coisa que eu era, era ser insistente. Uma hora ela teria que aceitar.

- Amanhã? Eu... é... tá bom. Amanhã eu posso.

Ufa! Achei que ela fosse dizer que tinha compromisso também. Eu estava pulando de alegria por dentro.

- Ótimo. Então amanhã almoçamos juntas.

- Humm... Almoço. Desculpe-me por ouvir a conversa de vocês, mas se quiser uma companhia para hoje estou disponível, Cláudia. Milena apareceu do nada se oferecendo para almoçar comigo.

- É.. Ok. Almoçamos juntas hoje, então.

Como era que a gente torcia o pescoço de pessoas chatas, hein? A última pessoa que eu queria como companhia era Milena. Droga!

Despedi-me de Roberta e Milena saiu em minha companhia. Fomos em direção a um dos restaurantes que tinha nas proximidades do banco. Milena era uma mulher simpática, mas senti que estava querendo marcar muito a presença dela comigo. Adoraria isso, se não estivesse de quatro por Roberta.

Um comentário:

Anônimo disse...

ISSO É MUITA MALDADE!!! APENAS UM CAPITULO??? ASSIM NÃO VALE, QUERO MAISSSSSSSSSSS...QUANDO MAIS INTERESSANTE FICA, VOCE TIRA A CHUPETA DA BOCA DA CRIANÇA??? QUERO MAISSSSS...ETA COISA BOA ESSA HISTORIA.UN BACCIO PER TE.