sábado, 5 de abril de 2008

3 - Vontades

Entrei na sala e o professor já estava dando matéria nova. Sentei-me na carteira ao lado de Henrique e o cumprimentei. Ele era o meu grande amigo na faculdade. Sempre fazíamos nossos trabalhos juntos e também estudávamos para as provas. Tinha gente que achava que éramos namorados, pois estávamos sempre juntos. Bom, mesmo que eu quisesse namorar com Henrique, ele jamais me daria bola. Um dia ele confessou-me que era gay. Mas era super discretíssimo, tanto que para mim foi uma surpresa saber que ele era gay. Jamais desconfiaria. Antes de ele me contar isso, por algumas vezes, cheguei a pensar que ele tivesse interesse em mim, digo, querer me namorar. Posso dizer que ele era o irmão mais velho que eu não tinha.

A aula de hoje foi puxada. Era estatística. Ainda bem que eu gostava de cálculos, de lógica, senão acabaria me ferrando nessa matéria. Hora do intervalo. Henrique virou-se para mim sorrindo.

- E aí, moça bonita, como foi seu debu? Perguntou-me rindo.

- Rique, nem te falo, fui tão nervosa para o banco, que eu não sei como não tive um treco. Falei rindo.

- Mas gostou do trabalho?

- Sim, gostei. Vou trabalhar na área de RH. Nossa, o pessoal do banco foi tão legal comigo, que meu nervosismo foi embora como que por encanto. Disse. Claro que não iria dizer do meu outro nervosismo, que atende pelo nome de Cláudia. Só de pensar nela já me arrepio toda.

- Fico feliz por você, Roberta. E a melhor parte é o din-din no final do mês.

- Poxa, nem me fale. É a melhor parte mesmo, porque ficar dependendo dos meus pais até para comprar um chiclete é barra, viu.

- Aí, agora vai ficar toda poderosa! Ó, quando receber o primeiro din-din pode me pagar uma coca-cola. Falou rindo e olhando-me com seus olhos azuis encantadores. Rique tinha os cabelos negros e era alto e bem magro.

- Seu explorador! Falei rindo. – Negócio fechado, pago com o maior prazer.

Saímos um pouco da sala e conversamos sobre outras coisas. Logo depois retornamos para a sala de aula. Eu estava cansada. Queria ir logo pra casa. Estava ansiosa pelo dia de amanhã. Trabalhar ao lado daquela deusa deixava-me nervosa ao mesmo tempo em que era um prazer imenso.

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Já estava trabalhando há um mês. Estava me saindo bem. Cláudia elogiou-me algumas vezes e nessas ocasiões eu ficava vermelha igual a uma pimenta. Ela ria de mim. Acho que ela gostava de me ver corada porque tentava me fazer ficar constantemente.

Eu esperava loucamente ansiosa por cada dia de estágio. Sentia necessidade de vê-la, de estar perto dela. Adorava sentir seu cheiro, seu perfume. Deixava-me tonta... de prazer, de desejo. Eu sempre me flagrava olhando para sua boca. Uma boca carnuda, linda. Tinha a secreta vontade de beijá-la, mas jamais teria a coragem de fazer isso. Adorava estar ao lado dela. Ela, só em me olhar, provocava-me sensações que eu desconhecia. Sentia deliciosos arrepios de prazer percorrerem meu corpo todo. Tinha receio de que ela percebesse esse meu interesse por ela. Tentava controlar essa minha vontade de ficar admirando ela ao máximo. Não sei qual seria a sua reação se percebesse o meu interesse por ela. Tinha medo.

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