Enfim chegou o tão esperado enlace de Henrique e Rafael. A cerimônia seria realizada no apartamento deles mesmo. Ambos estavam vestidos de noivo. Ainda bem que Rafael não surtou e resolveu se vestir de noiva. Acho que se ele fizesse isso, Henrique não casava. Esse Rafael era uma figura. Tinham umas vinte pessoas presentes na cerimônia. Eu e Cristina éramos as madrinhas do Henrique, que estava todo nervoso. Já Rafael estava tranqüilo, sem sombra de nervosismo.
- Calma, Henrique. Relaxa meu amigo. Falei preocupada, parecia que ele ia enfartar.
- Ai, Betinha, estou todo nervoso. Acho que seu eu fosse uma noiva já tinha tido um treco. Henrique falou tentando rir.
- Nossa, imagine se fosse numa igreja. Acho que você enfartava. Falei e soltei uma gargalhada.
- Você diz isso porque não é com você, sua boba.
- Já passei por isso, lembra?
- Lembro sim. Vocês estavam lindas.
- E vocês dois estão lindos e maravilhosos. Agora, Rique... Relaxa, ok?
- Eu sei, Betinha, mas posso ficar nervoso, né?
- Pode sim, meu amigo. Aliás, deve, o momento pede isso. Falei e sorri para ele.
- O que está acontecendo aí? Cristina chegou perguntando.
- O Rique tá nervoso. Eu disse.
- Ah, Henrique, segura a onda rapaz. O noivo não vai fugir não. Cristina falou rindo.
Não resistimos e nós três caímos na gargalhada.
A cerimônia foi realizada e correu tudo maravilhosamente bem. Henrique parecia ter relaxado, estava mais solto, mais alegre. Rafael fazia trejeitos femininos arrancando gargalhadas de todo mundo. Fomos quase as últimas a irmos embora. Era um sábado à noite. Nos despedimos e fomos para casa. No domingo teríamos um almoço na casa de meus pais.
Quando me casei com Cristina, contei ao meu pai sobre minha condição sexual. Ele não aceitou no início. Ficou uns meses sem falar comigo, mas minha mãe conseguiu convencer o velho de que eu era feliz assim. Hoje tínhamos um relacionamento ótimo. Sentia que ele realmente aceitava-me da maneira como eu era. Era extremamente feliz em poder contar com o apoio de meus pais. Meus irmãos também sabiam e me aceitavam numa boa. Infelizmente não poderia dizer o mesmo sobre os pais de Cristina. Quando ela se revelou a eles, eles simplesmente cortaram a relação. Ignoravam a filha até hoje. Sabia que isso a fazia sofrer muito. Gostaria que fosse diferente, mas como mudar a cabeça de gente homofóbica? Como?
quinta-feira, 17 de abril de 2008
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