quarta-feira, 23 de abril de 2008

21 - Lar doce lar

Ah, como eu amava respirar o ar fresco de Curitiba, muito mais limpo. Mas também querer compará-lo com o de São Paulo era covardia, não era? Estava de volta na minha cidade amada. Nos últimos dias estive envolvida com minha mudança. Ainda bem que não vendi meu apartamento quando fui embora, apenas o aluguei. Agora voltava a morar nele. Tudo estava dando certo. Sentia que esta era uma nova etapa em minha vida e que seria muito melhor. Estava radiante, minha vontade era de cantar e dançar, tamanha felicidade estava sentindo.

O apartamento estava pronto. Tudo organizado. Uma etapa cumprida. Amanhã me apresentaria no banco. Iria somente na parte da tarde e já tinha solicitado para que Rebeca, minha secretária, providenciasse tudo para a reunião que eu teria com os chefes de departamento da Regional, e no dia seguinte a esse teria reunião com os gerentes da agências. Sempre gostei de desafios e voltar ao lugar onde comecei minha carreira era, não só um desafio para mim, como um imenso prazer. Iria rever muitos colegas, conhecer novos. Seria ótimo. Doze anos, esse foi o tempo que fiquei fora daqui. Nossa, muita coisa aconteceu. Algumas boas, outras nem tanto, mas acho que valeu a pena no final das contas. Exceto não estar com Roberta.


Recostei-me no sofá e fechei os olhos. Na realidade eu nunca vendi este apartamento porque ele tinha um imenso valor sentimental para mim. Nunca consegui desfazer-me dele. Foi aqui que vivi uma linda história de amor. Sei que parece loucura isso, mas quando entrei no apartamento parecia que tudo aquilo que eu tinha vivido com Roberta tivesse acontecido ontem. Senti-me como se fosse vê-la a qualquer momento, tamanha intensidade das sensações que me assolavam.

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Estava em casa, deitada no sofá e tentava prestar atenção ao que passava na televisão, mas não conseguia. Saber do retorno de Cláudia acabou com meu dia. Não consegui me concentrar mais em nada. Gostaria que não fosse ela, que a Magali estivesse enganada, mas era fato, ela estava voltando.

Queria que Cristina estivesse aqui comigo. Como ela me fazia falta. Adorava nossos papos, ela me fazia rir muito. Mas esse desejo era impossível. Olhei para o telefone e senti que precisava conversar com alguém. Peguei-o e fiz uma ligação.

- Alô.

- Henrique?

- Betinha? É você?

- Sou eu, Rique.

- Tudo bem contigo, menina?

- Na... não, Rique. Falei começando a chorar.

- Oh, minha querida. O que lhe aconteceu? Quer que eu vá aí?

- Quero. Você pode vir? Falei chorando.

- Posso sim, já tô chegando. Até mais.

- Até.

Desliguei o telefone e desabei num choro compulsivo. Sentia-me num completo abandono, como se estivesse sozinha no mundo. Sentia falta de aconchego, de carinho. Não queria admitir, mas eu sentia falta de um amor, de alguém para compartilhar minha vida, tornar meus dias mais felizes e outros dias um pouco chatos... já que a felicidade não era constante.

Em menos de vinte minutos Henrique chegou. Eu devia estar com uma cara horrível, com os olhos vermelhos de tanto chorar. Nos abraçamos e fiquei nesse aconchego um bom tempo. Um ombro amigo, era o que eu estava precisando neste momento.

- O que foi que aconteceu, Betinha? Quer me falar?

Olhei para ele e balancei a cabeça em sinal afirmativo. Fomos nos sentar no sofá. Desliguei a televisão, só estava incomodando mesmo. Ele olhou para mim e sorriu.

- Betinha, o que lhe aconteceu? Não, não me diga, posso imaginar. Disse e olhou-me rindo. – A sua chefa é um canhão. Acertei?

Não resisti e ri com ele. Só mesmo o Rique para me fazer rir nessa hora.

- Não, Rique, não é um canhão, mas posso lhe afirmar que é uma bomba.

- Peraí, agora eu que não estou entendendo nada. Bomba? Como assim?

- Depois lhe digo. Você não vai acreditar mesmo.

- É por isso que você está chorando?

- É por tudo.

- Tudo?

- Sinto-me sozinha, perdida. Sinto falta da Cristina. Às vezes tenho vontade de sumir, desaparecer do mapa.

- Betinha, sei que é difícil superar a perda de um amor, ainda mais como foi, mas você tem que ser forte.

- Eu sei, Rique, mas é tão difícil. Lágrimas escorriam pelo meu rosto.

- Sabe, quando eu pego no seu pé dizendo que você tem que amar de novo, é sério isso que eu falo. A Cristina sempre vai estar aí, dentro do seu coração, mas você tem que permitir a entrada de alguém que possa lhe fazer feliz também. Não se feche assim. Você tem uma vida inteira pela frente. Não se negue amar de novo, Roberta. O amor nos faz tão bem. Deixa-nos leves, deixa-nos bobos. Falou e riu.

Não resisti e ri também. Bobos. Fazia tempo que não me sentia assim.

- Você agora está melhor, Betinha?

- Estou, Rique. Obrigada por ter vindo. Eu te amo, sabia.

- Claro que sim. Sou irresistível!

- Bobo. Caímos na gargalhada. Rique era muito bobo mesmo.

- Agora me diz sobre a sua chefa bomba. Estou curioso.

- Rique, você não vai acreditar nessa. Sabe quem é a nova chefa?

- Não, e você continua me matando de curiosidade. Fala logo, Betinha!

- É a... Cláudia!

Ele ficou me encarando de queixo caído. Nem piscava.

- Você tá brincando? Falou por fim.

- Não estou.

- A Cláudia? A “sua” Cláudia?

- Ô, Rique... ela não é “minha”, ok.

- Uau... Inacreditável. E como foi?

- Como foi o quê?

- Oras, o reencontro de vocês duas.

- Não a vi ainda.

- Não?

- Não, só vou vê-la amanhã.

- Ihhh... Eu queria ser uma mosquinha pra ver isso. Henrique disse rindo.

Olhei para ele fuzilando-o.

- Calma, não precisa me olhar assim. Ele disse.

- Eu nem tenho idéia de como vai ser. Falei suspirando.

- Como você está se sentindo com a iminência desse reencontro?

- Eu estou muito nervosa, não devia, mas estou. Depois que eu soube disso não consegui concentrar-me mais em nada.

- Bom, acho que deve ser natural... ou não. Falou rindo.

Fuzilei-o de novo com o olhar. Tinha horas que me dava vontade de dar uns tapas no Henrique.

- Você ainda sente algo por ela? Rique quis saber.

Olhei para ele e suspirei. Eu estava suspirando muito ultimamente.

- Não sei, Rique. Sempre tive curiosidade de saber como ela estava, se estava com alguém, essas coisas. Mas nunca soube de nada. Quando ela foi embora, nunca me ligou, nunca manteve contato comigo.

- Poxa, ela sumiu do mapa, né?

- Foi. O que se passa na minha cabeça é que nunca fui importante para ela. Só fui mais uma mulher na vida dela. Falei sentindo uma tristeza imensa no coração.

- Pensa assim não. Ânimo, Betinha. Isso foi há anos. Hoje você é uma mulher feita. E olha, se eu gostasse da fruta casava com você, hein. Rique falou rindo.

- Seu bobo. Falei rindo também. – E como está o Rafael?

- Tá bem, mas está todo enrolado no trabalho dele. O chefe saiu de férias e “sobrou” para ele.

- Vixe, coitado. Diga a ele que mando um beijo.

Conversamos mais um pouco e logo depois Henrique foi embora. Desejou-me sorte no dia de amanhã. Fui para cama e tentei dormir, mas não consegui. Estava muito ansiosa com o fato de revê-la.

De manhã, levantei-me da cama, tomei um banho demorado para espantar o sono que agora teimava em aparecer. Vesti-me e passei o perfume que eu adoro. Estava pronta. Tomei um rápido café da manhã e saí para o trabalho, pronta para a bomba que estava para estourar.

4 comentários:

Anônimo disse...

Poxa mulher! A seguir cenas do próximo capítulo?? Assim vc me mata de curiosidade!! Muita maldade!! rss
To ADORANDO seu novo conto.
Bjao.

Anônimo disse...

como vc faz isso? T.T
já faz dias q eu to esperando esse encontro e qndo acho q vai rola...stop! q foi isso?O.o
poxa vc gosta d deixar a gent na curiosidad¬¬
PS:tbm to adorando o conto^^

Anônimo disse...

A Gatafiled tá torturando as leitoras, nossaa como será q vai ser esse encontro???? Depois de ler eu fico imaginando coisas, meu coração também bate a mil...tomara chegar logo amanhã
beijoooo;)

Gi disse...

Esperando ansiosa pelas cenas do próximo capítulo. rsrs
Como será esse encontro??? Deixar só na curiosidade é muita maldade.

Estou adorando seu novo conto.

Beijos!